A carga tributária suportada pelos brasileiros alcançou 41,1% da renda em 2026, o equivalente a aproximadamente 150 dias de trabalho destinados exclusivamente ao pagamento de impostos, taxas e contribuições. O levantamento foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), que considera a incidência de tributos sobre renda, patrimônio e consumo para calcular o chamado “dia da liberdade tributária”, alcançado neste ano em 1º de junho. (Foto ilustração) O indicador representa a quantidade de dias necessários para que um contribuinte gere recursos suficientes para cumprir suas obrigações tributárias ao longo do ano. Na prática, segundo a metodologia utilizada pelo instituto, toda a renda obtida entre janeiro e maio seria destinada ao pagamento de tributos cobrados pelos governos federal, estaduais e municipais. O estudo também mostra diferenças relevantes entre as faixas de renda, apontando que determinados grupos de contribuintes enfrentam uma carga tributária proporcionalmente mais elevada. Carga tributária supera quatro meses de trabalho O cálculo realizado pelo IBPT converte o percentual da carga tributária em dias do calendário. Quanto maior a parcela da renda comprometida com tributos, maior é o período necessário para quitar essas obrigações. Em 2026, os 150 dias estimados representam pouco mais de quatro meses dedicados ao pagamento de impostos. O índice considera tributos incidentes sobre salários, aplicações financeiras, consumo de produtos e serviços, além daqueles relacionados à propriedade de bens. Segundo o instituto, a carga tributária efetiva voltou a apresentar crescimento nos últimos anos após um período de redução observado entre 2019 e 2021. A evolução do indicador reflete mudanças na arrecadação e no comportamento de diferentes tributos que compõem o sistema tributário brasileiro. Classe média concentra maior esforço tributário De acordo com o levantamento, os contribuintes com renda mensal entre R$ 3 mil e R$ 10 mil registram uma das maiores cargas tributárias proporcionais do país. Nessa faixa, a incidência média dos tributos alcança 43,01% da renda, exigindo cerca de 157 dias de trabalho para o pagamento das obrigações fiscais. Isso significa que o chamado “dia da liberdade tributária” ocorre apenas na primeira semana de junho para esse grupo. O estudo relaciona esse resultado à forte participação dos tributos sobre o consumo na arrecadação brasileira. Como uma parcela significativa da renda é destinada à compra de bens e serviços, o peso dos impostos acaba sendo mais percebido pelos contribuintes dessa faixa. A característica é frequentemente apontada em debates sobre a estrutura tributária nacional e os impactos da tributação indireta sobre diferentes perfis de renda. (Gazeta do Povo)



