A montadora chinesa de veículos elétricos BYD está expandindo sua produção de baterias no Brasil enquanto aprofunda sua fabricação local e se prepara para investir cerca de US$ 100 milhões (R$ 510,4 milhões) em sistemas de armazenamento de energia para dar suporte à rede elétrica nacional, informou um executivo sênior da empresa à Reuters.
A expansão faz parte de um plano mais amplo da empresa para atingir 50% de conteúdo nacional nos carros produzidos no Brasil até o início de 2027, afirmou Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD Brasil, em entrevista concedida na segunda-feira (15).
“Estamos nacionalizando”, disse Baldy, “para que possamos realmente nos tornar uma fabricante brasileira. A bateria é mais um item, um componente importante.”
Na Bahia, maior produção local da BYD
Para atender às exigências do governo e reduzir a carga tributária, a BYD está ampliando o fornecimento local em sua fábrica na Bahia, com a meta de se tornar a marca de carros mais vendida no Brasil até 2030. Hoje, a empresa já está entre as cinco maiores marcas do país.
O início da produção de baterias para carros de passeio faz parte de um investimento já anunciado de R$ 5,5 bilhões, em sua principal unidade em Camaçari (BA). Separadamente, a empresa também destina entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões para ampliar uma linha de produção de baterias para ônibus.
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Novo movimento em armazenamento de energia
- Além da produção automotiva, a BYD se prepara para aplicar até R$ 500 milhões em nova linha de produção do seu Sistema de Armazenamento de Energia por Bateria, conhecido pela sigla BESS;
- Esse sistema é usado para guardar eletricidade para a rede nacional e deve ser desenvolvido antes do primeiro leilão que vai introduzir baterias em escala industrial, marcado para dezembro;
- Sistemas, como os BESS planejados pela BYD, são vistos como fundamentais para enfrentar uma crise entre geradores de energia solar e eólica no Brasil;
- Esses setores têm acumulado perdas e visto investimentos travados porque a rede nacional não consegue absorver a produção nos horários de pico, o que força o corte de parte da geração.
“Isso realmente abre uma nova fronteira para um novo segmento de baterias”, disse Baldy. Nos próximos 90 dias, a BYD decidirá se usará esse investimento em BESS para acrescentar uma linha de produção em sua fábrica de Manaus (AM), hoje voltada para baterias de ônibus, ou se construirá uma nova instalação em outro local.
Lítio fora dos planos por enquanto
Embora a montadora chinesa tenha adquirido direitos minerais em áreas de uma região rica em lítio no Brasil, a empresa não pretende desenvolver esses terrenos no momento, por causa do baixo preço do mineral usado na fabricação de baterias.
“Não está em nossos planos, nem é assunto de discussão interna”, afirmou Baldy. “Estamos focados em consolidar nossa fábrica de carros de passeio para veículos BYD e em investir para ampliar também nossa capacidade de fabricação de ônibus elétricos.”
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