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Astronautas podem usar raios de plasma para manter a higiene na Lua e em Marte 

Astronautas podem usar raios de plasma para manter a higiene na Lua e em Marte 

Manter a higiene em futuras missões espaciais de longa duração será um dos principais desafios da exploração humana da Lua e de Marte. Além de desenvolver foguetes e habitats capazes de sustentar a vida fora da Terra, cientistas também precisam encontrar soluções práticas para limpar roupas, tecidos e superfícies sem depender de grandes quantidades de água.

Uma pesquisa recente aponta uma alternativa promissora para esse problema. Testes de laboratório mostram que jatos de plasma, um gás altamente energizado que se comporta como pequenos relâmpagos controlados, podem eliminar microrganismos de tecidos de forma eficiente. A tecnologia pode se tornar uma opção para higienização em ambientes espaciais.

Em resumo:

  • Futuras missões espaciais exigem limpeza sem uso de água;
  • Roupas na ISS são usadas e depois descartadas;
  • Em Marte e Lua, esse método não será viável;
  • Microrganismos podem se acumular em ambientes fechados;
  • Plasma elimina bactérias em tecidos com alta eficiência;
  • Tecnologia pode viabilizar higiene sustentável no espaço.
Imagem mostra laser de plasma eliminando bactérias em tecidos, possível solução para higiene na Lua e em Marte. – Crédito: Xu et al.

Roupas são descartáveis na Estação Espacial Internacional

Embora pareça um detalhe simples, a limpeza de roupas no espaço é uma questão de saúde. Em ambientes fechados, micróbios podem se acumular com facilidade e aumentar o risco de infecções, além de interferirem no funcionamento de sistemas e equipamentos das espaçonaves.

Atualmente, os astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS) utilizam roupas por vários dias consecutivos. Quando as peças ficam muito sujas, são descartadas e queimam na reentrada da atmosfera terrestre. Esse modelo funciona porque há missões frequentes de abastecimento vindas da Terra.

Em futuras missões para a Lua ou Marte, esse sistema não será viável. A distância e a limitação de recursos exigirão que roupas e outros materiais sejam reutilizados por muito mais tempo, o que aumenta a necessidade de métodos eficientes de higienização no próprio ambiente espacial.

Mesmo com protocolos rigorosos, a ISS já apresentou altos níveis de microrganismos em superfícies aparentemente limpas, como corrimãos e sistemas de ventilação. Alguns desses organismos conseguem sobreviver em condições espaciais e até se adaptar a elas.

astronauta aspirador de pó
A astronauta Sandra Magnus limpando a Estação Espacial Internacional em 2008 com um aspirador de pó. Embora útil para remover poeira, o equipamento não será suficiente para higienizar os habitats humanos durante futuras missões de longa duração à Lua e a Marte. – Crédito: NASA

Micróbios podem se comportar de forma diferente no espaço

Pesquisas indicam que certos micróbios podem se comportar de forma diferente em microgravidade, o que pode torná-los mais resistentes ou até mais perigosos em alguns casos. Além disso, há preocupação com o impacto desses organismos sobre materiais metálicos, já que podem acelerar processos de corrosão.

Outro problema é a criação de ambientes mais confortáveis para missões longas. Itens como sofás, camas e tecidos podem melhorar a qualidade de vida dos astronautas, mas também podem se tornar locais favoráveis ao acúmulo e à proliferação de bactérias.

Gabe Xu, professor da Universidade do Alabama, nos EUA, e responsável pelo estudo, disse ao site Live Science que a questão central é encontrar formas de higienizar esses ambientes sem depender de água, que é um recurso extremamente limitado no espaço.

Além disso, produtos de limpeza usados na Terra nem sempre são adequados para o ambiente espacial. Em locais fechados, substâncias químicas podem permanecer no ar por mais tempo, aumentando a exposição dos astronautas a compostos potencialmente nocivos.

camiseta
Uma camiseta de algodão cortada em amostras e inoculada com bactérias da pele para o experimento. – Crédito: Centro de Pesquisa de Propulsão da Universidade do Alabama em Huntsville

Para buscar uma solução, Xu e a microbiologista Chelsi Cassilly, especialista em proteção planetária da NASA, testaram o uso de plasma para eliminar bactérias em tecidos. O plasma é um gás energizado que produz reações químicas altamente ativas capazes de destruir microrganismos.

No experimento, os pesquisadores utilizaram pedaços de camisetas de algodão contaminados com Staphylococcus caprae, uma bactéria comum da pele humana e já identificada na ISS. As amostras foram expostas a um jato fino de plasma emitido por um dispositivo portátil.

O equipamento, do tamanho de um celular, gerava um feixe arroxeado que atingia diretamente o tecido. O objetivo era verificar se o plasma poderia eliminar os micróbios sem danificar as fibras.

Os resultados mostraram que o método foi mais eficaz do que técnicas atualmente usadas na ISS, como limpeza a seco e certos produtos químicos. Em testes que duraram de 30 segundos a cinco minutos, a eliminação das bactérias foi significativa.

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Ambientes espaciais mais seguros, limpos e sustentáveis para os astronautas

O plasma atua gerando espécies reativas de oxigênio e nitrogênio. Essas substâncias penetram nas fibras do tecido e destroem as membranas das células bacterianas, eliminando os microrganismos por estresse oxidativo.

Apesar da intensidade do processo, os pesquisadores não observaram danos relevantes às fibras de algodão nos testes realizados. Isso sugere que o método pode ser seguro para uso repetido em roupas e outros tecidos.

Uma das principais vantagens da tecnologia é a simplicidade. O sistema precisa apenas de eletricidade e de um gás para funcionar, dispensando grandes volumes de água e equipamentos complexos de lavagem.

A equipe agora pretende ampliar os testes para avaliar a eficácia contra outros microrganismos comuns em ambientes habitados por humanos no espaço. O objetivo é entender melhor como diferentes espécies reagem ao tratamento com plasma.

No futuro, os cientistas imaginam dispositivos portáteis integrados à rotina dos astronautas em bases lunares e marcianas. Se confirmada sua eficiência em larga escala, a tecnologia pode se tornar uma solução importante para manter ambientes espaciais mais seguros, limpos e sustentáveis.

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