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Preço de chips dispara e pode encarecer o próximo iPhone

Preço de chips dispara e pode encarecer o próximo iPhone

O próximo iPhone pode pesar mais no bolso. A disparada no preço das memórias está elevando os custos de fabricação e pressionando fabricantes de smartphones e outros eletrônicos.

A inteligência artificial agravou o problema, mas não foi responsável por iniciá-lo. A oferta já vinha encontrando dificuldades para acompanhar a demanda, e novas fábricas ainda levarão anos para aumentar a produção.

A memória usada em smartphones ficou até 83% mais cara no segundo trimestre de 2026, segundo a Counterpoint. – Imagem: Andrei Armiagov/Shutterstock

O gargalo começou antes da febre da IA

Durante muito tempo, fabricantes de memória conseguiram aumentar a produção colocando mais chips em cada wafer. Esse ganho de eficiência, porém, começou a diminuir. Em 2021, a Micron concluiu que os avanços tecnológicos, sozinhos, não seriam suficientes para acompanhar a demanda de longo prazo.

Era preciso fabricar mais wafers e construir novas instalações. O momento para fazer isso não ajudou. Depois do forte consumo de computadores, tablets e celulares durante a pandemia, as vendas recuaram, os estoques cresceram e os fabricantes reduziram os planos de expansão.

Quando o mercado voltou a se recuperar, a inteligência artificial trouxe uma nova onda de demanda — e em uma escala muito maior.

A memória da IA disputa espaço

Data centers de IA utilizam HBM, uma forma especializada de DRAM capaz de transferir enormes quantidades de dados rapidamente. O componente é mais complexo de fabricar e ocupa uma parcela maior da capacidade industrial.

A Micron estima que produzir determinada quantidade de HBM exige aproximadamente três vezes mais wafers do que a mesma quantidade de DRAM convencional.

Não é tão simples dizer que os data centers estão consumindo RAM. A RAM não é a mesma.

David Naranjo, diretor associado da Counterpoint, ao The Verge.

O efeito já aparece nos preços. Segundo a Counterpoint, 16 GB de DRAM para smartphones custavam cerca de US$ 42 (R$ 216) no segundo trimestre de 2025. Um ano depois, chegaram a aproximadamente US$ 181 (R$ 929).

  • A DRAM para smartphones subiu cerca de 56% no primeiro trimestre de 2026.
  • No segundo trimestre, a alta chegou a aproximadamente 83%.
  • Produzir HBM exige cerca de três vezes mais wafers que a DRAM convencional.
  • Samsung, SK Hynix e Micron concentram cerca de 90% do mercado.

Novas fábricas ainda estão longe

A saída parece simples: produzir mais memória. Na prática, uma fábrica de semicondutores leva anos para ficar pronta.

A nova unidade da Micron em Nova York, por exemplo, só deve gerar produção relevante em 2030. A empresa espera que sua fábrica de Idaho comece a produzir wafers em meados de 2027.

Mesmo com investimentos superiores a US$ 25 bilhões (R$ 128,25 bilhões) neste ano, a Micron não consegue apontar quando a oferta finalmente alcançará a demanda.

A Counterpoint prevê esse equilíbrio apenas no fim de 2027 ou início de 2028, em um cenário otimista. A IDC também espera que a escassez avance para 2028.

Apple iphone 16 pro titânio preto
Quem planeja trocar de celular nos próximos anos pode encontrar um cenário com preços mais elevados em aparelhos topo de linha. – Imagem: vfhnb12/iStock

iPhone pode sentir no bolso

A Apple está entre as empresas mais preparadas para absorver custos maiores, graças à escala e ao posicionamento premium de seus produtos. Mesmo assim, a companhia já aumentou os preços de Macs e iPads.

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Agora, a atenção está voltada para o iPhone. O iPhone 18 Pro pode começar em US$ 1.299 (R$ 6.664), segundo uma estimativa baseada nos custos dos componentes. O valor seria US$ 200 (R$ 1.026) superior ao preço inicial do iPhone 17 Pro.

Tim Cook classificou a alta da memória como uma “inundação que ocorre uma vez em 100 anos”, em referência à dimensão do aumento dos custos.

Para o consumidor, a perspectiva é de preços mais altos por algum tempo. A oferta deve crescer, mas a demanda por memória também continua avançando. Como resumiu David Naranjo: “Não haverá um final feliz tão cedo”.

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