Um juiz federal dos Estados Unidos negou, nesta sexta-feira (17), o pedido de um grupo de 26 funcionários da Meta Platforms para impedir temporariamente demissões que, segundo eles, teriam sido definidas com auxílio de ferramentas de inteligência artificial capazes de prejudicar trabalhadores com deficiência ou que haviam tirado licença médica.
A decisão foi tomada pelo juiz William Orrick, em Oakland, na Califórnia, onde tramita a disputa. O magistrado considerou que os empregados não demonstraram, neste momento, que a perda dos postos de trabalho representaria um dano irreparável capaz de justificar uma ordem emergencial contra os desligamentos previstos.
A controvérsia envolve cortes anunciados pela Meta em maio, quando a empresa informou a redução de aproximadamente 8 mil vagas, equivalente a cerca de 10% de sua força global de trabalho. Os funcionários questionam se critérios baseados em sistemas de IA influenciaram a escolha dos nomes incluídos na lista de dispensas.
Funcionários alegam que ferramentas de IA afetaram critérios de seleção
Os trabalhadores afirmam que a empresa utilizou mecanismos automatizados para avaliar desempenho, produtividade e adoção de recursos de inteligência artificial, fatores que teriam colocado em desvantagem pessoas afastadas por motivos médicos ou por responsabilidades familiares.
A ação judicial sustenta que sistemas internos da Meta, incluindo um assistente baseado em modelo de linguagem chamado “Metamate”, além de ferramentas voltadas ao acompanhamento de produtividade, participaram da análise dos funcionários. Conforme a acusação, esses recursos teriam considerado dados como comunicações internas, documentos, histórico de navegação, conteúdo de tela e registros de uso de teclado.
Os autores do processo também afirmam que os sistemas continuaram sendo usados como referência durante períodos de férias e licenças protegidas por lei. Na avaliação deles, isso teria reduzido indicadores associados à utilização de inteligência artificial e influenciado negativamente suas posições na seleção para desligamento.
A Meta rejeitou as acusações e declarou que as decisões relacionadas às demissões foram tomadas por pessoas, não por sistemas automatizados. A companhia não apresentou comentários específicos sobre a decisão judicial.

A defesa dos funcionários argumentou que a interrupção imediata das demissões era necessária porque os empregados poderiam perder não apenas salários, mas também benefícios importantes, como opções de ações e cobertura de saúde.
Durante uma audiência, a advogada Barbara Cowan afirmou que determinadas perdas não poderiam ser compensadas posteriormente, citando situações envolvendo nascimento de filhos e tratamentos médicos.
A representante jurídica da Meta, Erin Connell, contestou essa interpretação. Segundo ela, os trabalhadores não ficariam sem cobertura de saúde e eventuais prejuízos financeiros poderiam ser recuperados caso eles obtivessem vitória na arbitragem.
O juiz Orrick manteve a possibilidade de rever sua decisão caso novas provas apresentem detalhes adicionais sobre a participação da inteligência artificial no processo de redução de pessoal. A disputa seguirá em arbitragem privada, conforme previsto nos acordos firmados entre a empresa e seus empregados.
O caso é acompanhado como uma das primeiras ações contra uma grande empresa dos Estados Unidos a questionar judicialmente o suposto uso de inteligência artificial como elemento de apoio em decisões de demissão.
Os funcionários envolvidos atuavam em diferentes áreas, incluindo engenharia, gestão, pesquisa e design. Eles foram informados sobre os cortes em maio e, segundo documentos apresentados no processo, muitos permanecem na folha de pagamento até a conclusão dos desligamentos, embora tenham perdido acesso aos sistemas internos da empresa desde 20 de maio.
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