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Governo avalia aplicação de duas alíquotas do Imposto Seletivo para bebidas alcoólicas

O projeto que definirá as alíquotas do Imposto Seletivo (IS), previsto na reforma tributária, deve estabelecer duas formas de cobrança para bebidas alcoólicas. A proposta em discussão prevê a aplicação simultânea de um percentual por litro de álcool puro presente na bebida e de uma segunda alíquota, cujo formato ainda não foi fechado pelo governo. (Foto ilustração) Segundo informações do Ministério da Fazenda ao JOTA, essa segunda cobrança poderá ser única ou variar conforme o teor alcoólico da bebida. Apesar do avanço nas discussões técnicas, ainda não houve definição final sobre o modelo. O Ministério da Saúde, por sua vez, defende a adoção de uma alíquota única. O Imposto Seletivo será cobrado sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. A cobrança está prevista para começar em 1º de janeiro de 2027, mas as alíquotas ainda precisam ser definidas pelo Congresso Nacional a partir de proposta a ser enviada pelo governo. A definição do percentual já estaria avançada dentro do Executivo, mas o envio do texto ao Legislativo ainda depende de avaliação política. A demora preocupa porque reduz o prazo de análise da proposta no Congresso. Para que o IS passe a valer em 2027, o projeto precisa estar em vigor até o início de outubro de 2026, considerando o princípio da anterioridade. Caso o Imposto Seletivo não entre em vigor em 1º de janeiro de 2027, haverá impacto na transição tributária. Isso porque o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) será zerado para a maioria dos produtos a partir dessa data, o que poderia gerar desoneração temporária sobre bens e serviços que deveriam ser alcançados pelo novo tributo. No caso das bebidas alcoólicas, também está prevista uma alíquota escalonada do Imposto Seletivo, com aumento gradual a partir de 2029. A medida acompanhará a redução do ICMS, que hoje também exerce função seletiva sobre esses produtos. A mesma lógica deve ser aplicada a bebidas açucaradas e cigarros. Além das bebidas alcoólicas, o governo ainda discute o grau de detalhamento da lista de produtos sujeitos ao IS. Um dos pontos em debate envolve critérios como etapas fabris no Brasil, reciclabilidade de materiais e pegada de carbono. A tendência é que o texto final fixe as alíquotas, mas deixe espaço para regulamentações posteriores por meio de decreto. (Izabella Miranda/ Contábeis)