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Sinais de rádio vindos do espaço finalmente têm explicação após 20 anos

Sinais de rádio vindos do espaço finalmente têm explicação após 20 anos

Cientistas finalmente descobriram a origem de misteriosos sinais de rádio vindos do espaço após mais de 20 anos de buscas. O fenômeno envolve uma anã branca “vampira” roubando matéria de uma estrela vizinha.

A pesquisa foi liderada por Kovi Rose, estudante de pós-graduação da Universidade de Sydney, com uso do radiotelescópio Australian SKA Pathfinder (ASKAP). Os resultados foram publicados em 1º de junho na revista Nature Astronomy.

Campos magnéticos das duas estrelas entram em choque durante a órbita e ajudam a gerar rajadas de rádio detectadas por astrônomos australianos. Imagem: Carl Knox/OzGrav/Swinburne and Dr Joshua Preston Pritchard/CSIRO – Carl Knox/OzGrav/Swinburne and Dr Joshua Preson Pritchard/CSIRO

Estrela “vampira” estava por trás dos sinais

Descobertos em 2005, os chamados transientes de rádio de longo período são uma categoria de emissões de rádio celestes. A maioria dos objetos que produzem rádio emite pulsos que duram segundos ou menos. Esses transientes, porém, produzem rajadas que podem durar de minutos a mais de uma hora. Até o momento, cerca de uma dúzia deles são conhecidos.

A especulação sobre a origem dessas emissões recaía sobre magnetares — um tipo de pulsar com campo magnético intenso. Esses sistemas são formados por dois corpos celestes muito próximos. Nesse caso, uma anã branca, núcleo remanescente de uma estrela parecida com o Sol, está sugando matéria de uma anã vermelha companheira.

Rádio telescópio ASKAP
A descoberta foi feita com auxílio do radiotelescópio ASKAP, usado para investigar fenômenos extremos e sinais raros na Via Láctea. Imagem: Alex Cherney/CSIRO – Imagem: Alex Cherney/CSIRO

O sistema ASKAP J1745-5051

O objeto estudado foi catalogado como ASKAP J1745-5051. Ele é formado por uma anã branca e uma anã vermelha com massa equivalente a um décimo da massa solar. A anã branca retira continuamente matéria da anã vermelha, comportamento que caracteriza os binários simbióticos e que pode levar a explosões de nova quando material em excesso se acumula na superfície da anã branca.

Transientes de rádio de longo período têm intrigado astrônomos por anos. Agora conseguimos mostrar que a fonte de um desses transientes vem de uma anã branca ativamente puxando material de uma estrela companheira.

Kovi Rose, estudante de pós-graduação da Universidade de Sydney e líder do estudo, em nota.

O sistema também produz rajadas de raios-X, característica que o diferencia da maioria dos transientes conhecidos, já que apenas um outro foi identificado com essa mesma emissão. Rose destacou que os sinais de rádio e de raios-X não atingem o pico ao mesmo tempo. “Essas emissões estão todas ligadas ao movimento orbital do sistema”, disse ele. “Mas, curiosamente, os sinais de rádio e de raios-X não atingem o pico no mesmo momento, o que nos diz que estão sendo produzidos em regiões diferentes do sistema.”

Gráfico de emissão de raios-s.
Além das emissões de rádio, o sistema também produz explosões de raios X enquanto a anã branca acumula matéria da estrela companheira. Imagem: Rose et al., Nat. Astron., 2026 – Imagem: Rose et al., Nat. Astron., 2026

Como os sinais são gerados

Os pesquisadores observaram que o sistema produz não apenas sinais de rádio, mas também explosões de raios X. Segundo os cientistas, isso acontece porque o material retirado da anã vermelha cai em espiral sobre a anã branca, aquecendo-se a temperaturas extremas.

Os cientistas destacaram alguns pontos importantes sobre o sistema:

  • as duas estrelas completam uma órbita em apenas 1,4 hora;
  • a órbita possui formato bastante elíptico;
  • os campos magnéticos das estrelas entram em choque;
  • partículas carregadas são arrancadas das superfícies estelares;
  • essas partículas produzem ondas de rádio conhecidas como radiação síncrotron.

Campos magnéticos explicam os sinais, mas há limites

Os pesquisadores ressaltam que a explicação encontrada para o ASKAP J1745-5051 não se aplica necessariamente a todos os transientes de rádio de longo período. É possível que outros transientes tenham uma origem diferente. Rose, no entanto, acredita que a pesquisa pode ajudar a distinguir entre os diferentes tipos.

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“Este sistema nos dá uma forma de decodificar esses sinais”, afirmou. “Pode nos ajudar a determinar se outros transientes de longo período se parecem mais com pulsares ou com sistemas de anãs brancas, funcionando como uma Pedra de Roseta estelar.”

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