As ações da Meta registraram queda nas negociações após o fechamento do mercado nesta quarta-feira (29). O movimento negativo ocorre após a gigante das redes sociais apresentar números de crescimento de usuários abaixo das projeções de Wall Street, além de sinalizar investimentos massivos em infraestrutura para o restante do ano.
Receita supera previsões, mas usuários ativos decepcionam
No balanço financeiro do 1º trimestre, a Meta reportou uma receita de US$ 56,3 bilhões, um salto de 33% em relação ao ano anterior, superando os US$ 55,45 bilhões estimados por analistas consultados pela LSEG. O lucro líquido foi de US$ 26,8 bilhões, mas o número inclui um benefício fiscal de US$ 8,03 bilhões vinculado a ajustes tributários antigos. Sem isso, o lucro por ação seria US$ 3,13 menor.
No entanto, o mercado reagiu negativamente aos dados de engajamento. Segundo a CNBC, a métrica de Pessoas Ativas Diárias (DAP) ficou em 3,56 bilhões — abaixo dos 3,62 bilhões esperados. A Meta justificou a queda trimestral citando interrupções de internet no Irã e restrições de acesso ao WhatsApp na Rússia.
- Receita: US$ 56,3 bilhões (alta de 33% no ano a ano, YoY)
- Lucro líquido: US$ 26,8 bilhões (com benefício fiscal)
- Usuários ativos (DAP): 3,56 bilhões (esperado: 3,62 bilhões)
- Projeção para o 2º trimestre: entre US$ 58 bilhões e US$ 61 bilhões.
Meta eleva projeção de gastos com foco em IA
Outro ponto que pesou no sentimento do mercado foi a revisão dos gastos de capital (capex). Embora o gasto no primeiro trimestre tenha sido de US$ 19,84 bilhões, a empresa elevou drasticamente sua previsão para o fechamento de 2026.
A Meta agora estima que o capex anual ficará entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões. Segundo a CNBC, o aumento reflete “preços mais altos de componentes este ano e custos adicionais de data centers para suportar a capacidade futura”. Apesar disso, a previsão de despesas totais para o ano permanece inalterada, entre US$ 162 bilhões e US$ 169 bilhões.
“Superinteligência pessoal” e novos modelos de IA
Mesmo com a pressão financeira, Mark Zuckerberg reforçou a aposta na inteligência artificial generativa. Após um investimento de US$ 14,3 bilhões na Scale AI, a empresa reformulou sua unidade de IA, agora chamada de Meta Superintelligence Labs, sob a liderança de Alexandr Wang.
Recentemente, a companhia lançou o Muse Spark, seu primeiro modelo de fundação proprietário. “Estamos no caminho certo para entregar superinteligência pessoal para bilhões de pessoas”, afirmou Zuckerberg. O desafio agora será provar aos investidores como essa tecnologia será monetizada.
Cortes de pessoal e impacto da guerra no Irã
Enquanto aumenta os investimentos em máquinas, a Meta continua reduzindo sua força de trabalho. A empresa confirmou na última semana a demissão de cerca de 10% de sua equipe (8 mil funcionários) e o cancelamento de 6 mil vagas abertas. O movimento segue rodadas anteriores de cortes que atingiram divisões como o Reality Labs e o Facebook.
Além das questões internas, o cenário macroeconômico global preocupa Wall Street. A alta nos preços do petróleo e os problemas na cadeia de suprimentos causados pelo conflito armado no Irã – onde os EUA iniciaram operações de combate em fevereiro – podem elevar ainda mais os custos de construção de data centers de IA da Meta e de outras gigantes como Alphabet e Amazon.
*Matéria em atualização
O post Ações da Meta caem após balanço do 1º trimestre; veja números apareceu primeiro em Olhar Digital.





