A possível liberação da importação de biodiesel para compor a mistura obrigatória ao diesel pode provocar prejuízo superior a R$ 60 bilhões à economia brasileira e impactar diretamente mais de 200 mil empregos, segundo estimativas da Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio). Apenas na agricultura familiar, cerca de 57 mil famílias podem ser afetadas pela redução da demanda por matéria-prima nacional. O movimento é classificado como “retrocesso sem precedentes” pela entidade. (Foto ilustração) De acordo com a coalizão legislativa, caso até 20% da demanda seja atendida por produto estrangeiro, o Brasil deixaria de processar aproximadamente 7 milhões de toneladas de soja. Isso significaria menor oferta de óleo para biocombustível e redução de 5,6 milhões de toneladas de farelo destinadas à ração animal. Na prática, menos esmagamento pressiona os preços pagos ao produtor e pode elevar o custo das proteínas. As estimativas também apontam redução de R$ 43,3 bilhões na atividade setorial e retração de R$ 10 bilhões em investimentos industriais. Atualmente, o parque produtivo nacional opera com ociosidade entre 40% e 50%, indicando capacidade instalada suficiente para atender à mistura obrigatória vigente e a futuras ampliações. Impacto direto na soja e no bolso do produtor Com menor processamento interno, o estoque final da oleaginosa poderia atingir 16,3 milhões de toneladas, frente às 9,2 milhões projetadas sem importação. Esse aumento tende a pressionar os prêmios domésticos e reduzir o valor pago ao agricultor. O reflexo alcança o crédito rural, a aquisição de máquinas e os investimentos nas propriedades. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta safra recorde de 176 milhões de toneladas neste ciclo. Historicamente, supersafras exercem pressão baixista sobre derivados. No ano passado, o biodiesel registrou queda de 15% entre fevereiro e o pico da colheita. No início de fevereiro de 2026, os preços estavam 8% abaixo do mesmo período anterior. Para a Frente Parlamentar do Biodiesel, abrir o mercado nesse cenário compromete a renda no campo e enfraquece uma cadeia estruturada ao longo de duas décadas. O grupo, que reúne mais de 200 deputados e senadores, afirma manter posição “veementemente contrária a qualquer possibilidade de importação”. (Por Michelle Jardim)


