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A negociação de Alcolumbre para indicação de Pacheco ao STF

A sucessão no Supremo Tribunal Federal (STF) entrou no centro das negociações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Nas hostes dos Legislativo e Executivo, interlocutores ouvidos pelo Correio apontam confiança na indicação do ex-senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga aberta com a aposentadoria de Luis Roberto Barroso. A articulação, porém, vai além da composição da Corte e envolve também o Tribunal de Contas da União (TCU) e a distribuição de espaços estratégicos na estrutura de poder. (Foto ilustração: Rodrigo Pacheco e Davi Alcolumbre) A expectativa entre senadores é de que Lula encaminhe o nome de Pacheco ao Senado em novembro, após o segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25). Segundo interlocutores do Planalto, Alcolumbre poderá trabalhar para acelerar a tramitação da indicação, com sabatina e votação. Mesmo que Lula seja derrotado nas urnas, poderá exercer a prerrogativa constitucional de indicar ministros ao Supremo enquanto permanecer na Presidência, até a transmissão do cargo. A possibilidade, contudo, ainda depende de uma decisão formal do petista. A eventual escolha de Pacheco também abriria caminho para uma reaproximação entre o Planalto e o comando do Senado, após o desgaste provocado pela rejeição de Jorge Messias, advogado-geral da União, indicado anteriormente por Lula para a Corte. Alcolumbre defendia o nome do ex-presidente do Senado mineiro e ficou contrariado com a decisão do petista de apostar em Messias. Agora, a indicação de Pacheco é vista nos bastidores como uma alternativa para reduzir as tensões entre o Executivo e a cúpula do Legislativo. Ministros do STF próximos a Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes também são apontados como defensores do nome do senador. A negociação envolve ainda o TCU. Pacheco tomou posse recentemente na Corte de Contas, após indicação do Senado e aprovação pela Câmara dos Deputados. Caso deixe o tribunal para assumir uma cadeira no Supremo, a abertura de uma nova vaga desencadeará outra rodada de articulações políticas. Nesse cenário, o Planalto avalia o nome da ex-ministra Simone Tebet (PSB), derrotada na disputa pelo Senado por São Paulo. Apesar de sua filiação partidária, ela é considerada uma opção do governo por manter interlocução com diferentes setores políticos, especialmente partidos de centro. A hipótese, entretanto, não está fechada e dependerá do desfecho das conversas. (Por Alícia Bernardes e Armando Holanda)