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BC corta projeção do PIB, mas mantém alerta com inflação e emprego

O Banco Central reduziu a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026, mas passou a enxergar uma trajetória de inflação mais pressionada. O cenário, detalhado no Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado nesta quinta-feira (24), ajuda a explicar a cautela da autoridade monetária mesmo diante da perda de força da atividade. (Foto ilustração) A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano caiu de 2,0% para 1,8%. Para 2027, o BC espera desaceleração adicional, com avanço de 1,4%. Segundo o relatório, a revisão para baixo em 2026 reflete uma “avaliação menos favorável da composição do crescimento no segundo trimestre”, além dos primeiros indicadores do terceiro trimestre, que apontam para uma atividade mais fraca. O PIB avançou 0,5% entre abril e junho, ante alta de 1,1% nos três primeiros meses do ano. O BC chama atenção principalmente para a desaceleração dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico e para a queda de 0,4% no consumo das famílias. A autoridade monetária avalia que a perda de ritmo “deve prosseguir no terceiro trimestre” e faz parte de um processo mais amplo de desaceleração iniciado no fim de 2024, quando começou o ciclo de aperto monetário. Economia esfria, mas inflação preocupa A atividade mais fraca, porém, não foi suficiente para melhorar de forma significativa as projeções de inflação do BC. O IPCA acumulado em 12 meses caiu de 4,72% em maio para 4,22% em agosto, com alívio principalmente em alimentos e preços administrados e sinais de moderação nos bens industriais. A inflação de serviços segue como ponto de atenção. Segundo o BC, ela permanece elevada em um cenário de mercado de trabalho aquecido e hiato do produto positivo. As expectativas também continuam acima da meta ao longo de todo o horizonte considerado pela autoridade monetária. No cenário de referência, o BC projeta que a inflação recue para 4,4% no terceiro trimestre de 2026, mas volte a acelerar e alcance 5,2% no fim do ano. Com isso, ficaria por dois trimestres consecutivos acima do teto de 4,5% do intervalo de tolerância da meta. Para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, a projeção foi mantida em 3,2%. Apesar da estabilidade nesse número, o BC fez uma ressalva importante: “a trajetória da inflação projetada é de modo geral mais alta” em comparação com o relatório anterior. A pressão vem principalmente de uma estimativa mais elevada para o hiato do produto e da piora das expectativas de inflação. Do outro lado, as surpresas mais benignas do IPCA entre junho e agosto e uma reversão mais intensa da alta do petróleo ajudaram a conter as projeções. E a Selic? O quadro reforça a cautela do BC com os próximos passos da Selic, atualmente em 13,75% ao ano após o corte de 0,25 ponto percentual realizado na semana passada. (Por Juliana Caveiro)