O Zeenix, handheld nacional da Tectoy, já rendeu bastante discussão no mercado gamer brasileiro desde o anúncio, mas nada substitui colocar a mão no produto. E foi exatamente isso que fizemos: o Olhar Digital teve a oportunidade de visitar o escritório da TecToy, em São Paulo, para ver de perto os consoles da linha e testar o Zeenix Pro na prática, além de matar a saudade com toda a nostalgia dos produtos antigos expostos por lá.
A visita: nostalgia, engenharia e um SAC que não é terceirizado
Além de rever clássicos que marcaram gerações, tivemos a oportunidade de conversar com Eddy Antonini, head de produtos da linha Zeenix na TecToy, que explicou de perto as diferenças entre os modelos Lite e Pro e o raciocínio por trás de cada configuração.
Um detalhe que chamou atenção: o SAC da empresa não é terceirizado. Ele opera dentro do próprio escritório, junto com a engenharia — o que facilita não só o suporte ao cliente, mas também o fluxo de sugestões de melhoria vindas diretamente dos consumidores para dentro do produto. Num mercado em que suporte nacional é justamente o principal diferencial de venda do Zeenix frente aos handhelds importados, ver isso funcionando de perto pesa a favor da marca.
O que é o Zeenix, afinal
O Zeenix é uma linha de PCs portáteis com Windows 11, pensada para rodar desde jogos indie e emulação até títulos AAA, dependendo da configuração. A Tectoy vende o produto como “o primeiro nacional” do segmento, com certificação da Anatel e suporte técnico local: o principal gancho contra concorrentes importados, que deixam o consumidor brasileiro na mão quando o assunto é assistência técnica.
A linha se divide em dois modelos: Zeenix Lite e Zeenix Pro, mirando públicos bem diferentes.
Zeenix Lite x Zeenix Pro: as diferenças que importam
Zeenix Lite
- Processador AMD Athlon 3050e
- 8GB de RAM
- 256GB de SSD
- Tela de 6″ Full HD a 60Hz
- Wi-Fi 5, Windows 11 Home
Zeenix Pro
- Processador AMD Ryzen 7 6800U
- 16GB de RAM
- 512GB de SSD
- Tela de 6″ Full HD a 60Hz
- USB 4.0, Wi-Fi 6, teclado destacável
Na prática, o Lite mira o jogador casual, fã de retrô e de indies mais leves. Já o Pro entra na conversa séria com Steam Deck e ROG Ally, com hardware para sustentar jogos mais exigentes.
Preço: que pode definir tudo
O Zeenix Pro chegou ao mercado por R$4.999 — posicionamento estratégico contra o ROG Ally X (na casa dos R$8.800) e o Legion Go (acima de R$7.000). Faz sentido para quem quer entrar no mundo dos PCs portáteis gamer sem pagar o pedágio da importação e da cotação do dólar.
Testando jogos no Zeenix Pro
Na minha biblioteca da Steam tenho o SEGA Mega Drive & Genesis Classics, e os testes em jogos antigos foram tranquilo, sem nenhum problema de compatibilidade ou desempenho.
Joguei The Lord of the Rings: War in the North, que ganhou a Legacy Edition agora em 2026, e a fluidez se manteve mesmo nas batalhas mais intensas, sem travar ou engasgar. Vale destacar que a Legacy Edition pede oficialmente, nos requisitos recomendados, uma RTX 2060 ou RX 6600 — bem acima da GPU integrada do Zeenix Pro no papel. Mesmo assim, na prática, a experiência rodou redonda.
Em Sledders, simulador de snowmobiling, também não tive problemas de desempenho. Uma curiosidade: notei que as sombras das árvores iam sendo projetadas aos poucos, à medida que o personagem se aproximava. O cenário não estava totalmente carregado de cara, ele ia melhorando conforme o movimento.
Já Injustice: Gods Among Us Ultimate Edition deu problema: o jogo não abria (no meu PC normal). Para ajustar algo nas pastas de configuração, precisei do teclado e a tela pequena atrapalha para esse tipo de ajuste mais específico. Dá pra conectar numa TV ou monitor, claro, mas dependendo de onde você está, acaba perdendo a graça da portabilidade.
O que realmente não foi bem foi Marvel Rivals. O jogo engasgava durante toda a ação, prejudicando a fluidez que é essencial num jogo de tiro. Não chegou a crashar, mas demorava para carregar e mantinha o engasgo ao longo da partida.
Prós e contras do Zeenix Pro
Contras
Sistema de ventilação: excelente no resfriamento, mas o barulho da ventoinha é alto e incomoda. Pra jogar sem fone, é preciso aumentar bastante o volume.
Temperatura: mesmo com a ventilação boa, a tela esquentava consideravelmente, principalmente em dias mais quentes.
Bateria: o desempenho é bom comparado a outros portáteis, mas em jogos mais pesados, estar na tomada ou num power bank é fundamental. Para jogar no sofá de casa, funcionou sem problemas — só o cabo que é um pouco curto para essa distância.
Prós
Processamento: o Zeenix Pro atinge o mesmo nível de muitos outros PCs portáteis do mercado. Os 16GB de RAM fazem diferença em relação à versão Lite.
Tela: qualidade muito boa, quase parece OLED pela nitidez, mesmo sem ser. Para quem já não tem a visão tão aguçada, ajuda bastante.
Carregador: 100W de Power Delivery, com carregamento bem rápido. O Zeenix precisa de tudo isso? Não necessariamente, mas ajuda a garantir ciclos de carga mais eficientes.
Kit completo: diferente de outros handhelds, já vem com case de boa qualidade, carregador e teclado. É o kit básico pra pegar, carregar, instalar seus jogos e jogar.
Áudio: boa qualidade no viva-voz, com volume forte — embora, com a ventoinha fazendo barulho, ele precise mesmo ser.
Vale a pena o Zeenix Pro?
Isso é pessoal, mas na minha opinião, sim. Se você quer fugir das taxas de importação, ter um PC portátil pra levar pra diversas situações e por um preço bom pelo que entrega, não é uma má escolha.
Só um lembrete importante: é um PC, não um console. Então pode acontecer tela azul ou qualquer situação que aconteça num computador comum. Por isso, andar com o teclado também é importante pra esse tipo de imprevisto. Para quem não curte tanto fuçar, basta instalar o Steam, que já entra direto nele, e ser feliz.
O post Fomos até a TecToy testar o Zeenix Pro de perto: veja como foi apareceu primeiro em Olhar Digital.




