A Amazon passou a ser alvo de uma investigação conduzida pelo Comitê de Pequenas Empresas do Senado dos Estados Unidos por suspeitas de que a China teria exercido influência sobre o marketplace da companhia. A informação consta em um documento analisado pela Bloomberg e foi confirmada por duas pessoas ouvidas durante a apuração conduzida pelo comitê.
Segundo a reportagem, assessores republicanos do comitê investigam suposta negligência da Amazon em relação à influência chinesa sobre sua plataforma de comércio eletrônico.
Um e-mail enviado por um pesquisador do comitê a um pequeno empresário de Staten Island afirma que os investigadores encontraram “evidências convincentes” relacionadas ao caso.
O texto diz que a equipe do comitê vem investigando a “negligência da Amazon relacionada à influência chinesa e encontrou evidências convincentes”. No entanto, o e-mail não apresenta detalhes nem especifica quais seriam essas evidências.
A apuração representa mais um desafio regulatório para a Amazon, que já enfrenta acusações envolvendo supostas violações das leis antitruste e práticas comerciais enganosas — alegações que a empresa nega.
Além disso, a nova investigação amplia o escrutínio sobre o negócio global de comércio eletrônico da companhia para além do mercado estadunidense.
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Caso surgiu após reportagem sobre mercado internacional de propinas
- O contato entre o Comitê de Pequenas Empresas e um vendedor da Amazon ocorreu após uma reportagem publicada pela Bloomberg News;
- Segundo a publicação, existe um mercado internacional de propinas envolvendo funcionários da Amazon na China, que venderiam favores a comerciantes interessados em comercializar produtos na plataforma da empresa;
- Um dos entrevistados pelos investigadores foi Jack Nekhala, inventor de Staten Island, que desenvolveu um produto destinado a manter lençóis presos ao colchão;
- Nekhala afirmou que conversou com pesquisadores do Senado após a divulgação da reportagem. Segundo ele, gravou diversas conversas com uma intermediária que oferecia utilizar contatos entre funcionários da Amazon na China para favorecer seu negócio em troca de pagamentos;
- De acordo com o inventor, os pesquisadores demonstraram interesse especial em compreender como funcionários da empresa baseados na China poderiam manipular o funcionamento do marketplace da Amazon.
Vendedores relatam dificuldades com plataforma da Amazon
Os vendedores independentes respondem por aproximadamente 60% de todos os produtos comercializados na Amazon.
Segundo a reportagem, esses comerciantes reclamam há anos de suspensões consideradas arbitrárias e de outros tratamentos considerados injustos por parte da empresa. Eles também afirmam enfrentar dificuldades para fazer com que a Amazon analise suas reclamações.
Esse cenário levou alguns vendedores, ao longo dos anos, a tentar pagar pessoas de dentro da companhia para obter ajuda na reversão de suspensões de contas e de outras punições impostas pela plataforma.
Amazon não comentou investigação
Procurada pela Bloomberg, uma porta-voz da Amazon preferiu não comentar imediatamente a investigação.
Um integrante da equipe de comunicação do Comitê de Pequenas Empresas do Senado também não respondeu aos pedidos de comentário feitos pela agência.
A reportagem informa ainda que outra pessoa que trabalha frequentemente com vendedores da Amazon disse ter sido procurada pelos pesquisadores do comitê, que buscavam indicações de outros comerciantes para serem entrevistados durante a investigação.
Essa fonte pediu para não ser identificada por não estar autorizada a discutir os trabalhos conduzidos pelo comitê do Senado.
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