O Google anunciou, nesta terça-feira (21), a conclusão da conexão de um novo cabo submarino transatlântico à cidade de Sines (Portugal). A nova infraestrutura adiciona mais uma rota de transmissão de dados entre os Estados Unidos e a Europa em momento de forte crescimento da demanda por serviços de computação em nuvem e inteligência artificial (IA).
Batizado de Nuvem, em referência à palavra portuguesa para “cloud”, o cabo conecta Myrtle Beach, no Estado estadunidense da Carolina do Sul, a Sines, localizada ao sul de Lisboa. O trajeto passa pelas Bermudas e pelos Açores antes de chegar ao território português.
Cabo tem sete mil quilômetros e capacidade de 384 Tbps
- Segundo o Google, o sistema Nuvem possui aproximadamente sete mil quilômetros de extensão e é formado por 16 pares de fibras ópticas;
- Sua capacidade total projetada é de cerca de 384 terabits por segundo;
- A chefe de Assuntos Governamentais e Políticas Públicas do Google Cloud para a região da Europa, Oriente Médio e África (EMEA), Giorgia Abeltino, afirmou que o projeto faz parte de uma estratégia mais ampla voltada ao fortalecimento da infraestrutura digital;
- Segundo ela, o cabo integra uma visão para que Portugal e a Europa ampliem os investimentos em infraestrutura estratégica capaz de sustentar a economia digital;
- Os cabos submarinos são considerados a espinha dorsal da internet global, sendo responsáveis por transportar mais de 95% de todo o tráfego mundial de dados.
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Portugal amplia papel como centro de conexões internacionais
O novo cabo reforça a posição de Portugal como ponto estratégico para conexões intercontinentais. Atualmente, o país já conta com dois cabos submarinos de alta capacidade.
Um deles é o Equiano, também operado pelo Google, que conecta Portugal à África do Sul, passando por diversos países africanos. O outro é o EllaLink, que liga Sines diretamente ao Brasil.
Durante a cerimônia de conexão do cabo, o ministro da Reforma do Estado e Inovação de Portugal, Gonçalo Matias, afirmou que o projeto faz parte de uma estratégia nacional para transformar o país em um polo de data centers, IA e inovação, ao mesmo tempo em que fortalece a resiliência e a soberania digital da Europa.
“Portugal está se tornando o que a geografia sempre nos convidou a ser — a porta de entrada atlântica da Europa, o ponto de encontro de três continentes: Europa, África e as Américas”, declarou.
Localização e energia renovável favorecem novos investimentos
De acordo com a empresa, a posição geográfica do litoral atlântico português torna o país um local privilegiado para a instalação de cabos submarinos intercontinentais, fator que também contribui para atrair investimentos em data centers voltados ao desenvolvimento e à operação de sistemas de IA.
Além da localização estratégica, Portugal pretende aproveitar sua disponibilidade de energia renovável de baixo custo, proveniente de fontes hidrelétricas, solares e eólicas. O país possui mais de 2,6 gigawatts de capacidade energética em desenvolvimento.
Entre os principais projetos está o Start Campus, em Sines, que terá capacidade de 1,2 gigawatt. A iniciativa deverá ser beneficiada pelos investimentos da Microsoft em infraestrutura para IA e tem previsão de expansão significativa nos próximos anos.
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