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Depois da Tesla, Rivian é processada por prometer direção autônoma que nunca chegou

A Rivian foi alvo de uma ação coletiva protocolada nesta quarta-feira (17) no Tribunal Federal do Distrito Central da Califórnia, nos Estados Unidos. O processo acusa a fabricante de veículos elétricos de fazer promessas falsas sobre as capacidades de direção autônoma dos modelos R1T e R1S de primeira geração, segundo o TechCrunch.

A ação aponta que a Rivian, ao longo de cinco anos e por meio de uma campanha nacional coordenada, prometeu que seu sistema Driver+ permitiria direção sem as mãos no volante e sem os olhos na estrada – o chamado nível 3 de autonomia.

O que é nível 3 de autonomia

A classificação da Society of Automobile Engineers (SAE) define o nível 3 como a capacidade do veículo de assumir sozinho a direção, a aceleração e a frenagem em determinadas condições – como rodovias ou baixas velocidades – sem exigir as mãos ou os olhos do motorista. O condutor ainda precisa estar atento e retomar o controle quando necessário.

Os veículos de primeira geração da Rivian nunca ofereceram essa função.

O que diz a ação

O processo cita, entre as evidências, a participação do CEO da Rivian, RJ Scaringe, no TechCrunch Disrupt 2022, onde teria feito declarações sobre as ambições de direção autônoma da empresa.

“Nenhuma atualização de software – por mais sofisticada que seja – permitirá que os veículos de primeira geração funcionem como anunciado”, afirma a petição. “A Rivian indubitavelmente sabia que esses veículos nunca seriam capazes de nível 3 de autonomia.”

A Rivian declinou comentar, citando litígio em curso. A ação inclui três autores nomeados e pede julgamento por júri. Os pedidos incluem fraude, negligência e enriquecimento ilícito.

O que mudou na segunda geração

Os modelos R1T e R1S de segunda geração, reformulados em 2024, chegam com a “Rivian Autonomy Platform” de série – 11 câmeras, cinco sensores de radar e um computador dez vezes mais potente que o anterior.

No ano passado, a empresa lançou o “Universal Hands-Free”, que permite direção sem as mãos em mais de 5,6 milhões de quilômetros de estradas nos EUA e no Canadá – incluindo rodovias e vias urbanas com faixas visíveis.

A Tesla passou pelo mesmo caminho

A Rivian não é a primeira montadora a enfrentar processos por promessas de autonomia não cumpridas. A Tesla e seu CEO, Elon Musk, passaram uma década afirmando que seus veículos seriam totalmente autônomos por meio do software Full Self-Driving. Alguns proprietários processaram a empresa por não entregar o prometido.

O Departamento de Veículos Motorizados da Califórnia acusou a Tesla de marketing enganoso do Autopilot e do FSD – e um juiz decidiu a favor do órgão. A agência optou por não suspender as licenças da Tesla, após a empresa deixar de usar o termo “Autopilot” em sua publicidade no estado.

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