Home / Notícias / Astrônomos encontram “fóssil” que participou da formação da nossa galáxia, a Via Láctea

Astrônomos encontram “fóssil” que participou da formação da nossa galáxia, a Via Láctea

Astrônomos encontram “fóssil” que participou da formação da nossa galáxia, a Via Láctea

O estudo conjunto dos telescópios espaciais James Webb e Hubble identificou o objeto Terzan 5 como uma estrutura rara no centro da Via Láctea, composta por múltiplas fases de formação estelar. A descoberta foi apresentada em junho de 2026 e reforça uma revisão na forma como astrônomos entendem a origem do bojo galáctico.

Pesquisadores ligados à NASA, ESA e CSA analisaram o sistema localizado em uma região extremamente densa e coberta por poeira estelar. A investigação mostrou que o objeto não se encaixa na classificação tradicional de aglomerado globular, já que reúne quatro populações estelares distintas.

Os dados indicam que Terzan 5 preserva características de um fragmento primitivo que participou da construção do núcleo da galáxia, funcionando como uma espécie de registro fossilizado da formação inicial da Via Láctea.

Reclassificação de um objeto galáctico raro

Representação artística do Telescópio Espacial James Webb. – Crédito: Vadim Sadovski / Shutterstock

As observações combinadas de Webb e Hubble permitiram reinterpretar a natureza de Terzan 5. Antes visto como um aglomerado globular comum, o sistema passou a ser entendido como um remanescente raro de estruturas que ajudaram a formar o bojo da galáxia.

A análise detalhada revelou a existência de quatro gerações de estrelas, com idades distribuídas ao longo de bilhões de anos. Os registros apontam formações ocorridas há aproximadamente 12,5 bilhões, 4,7 bilhões, 3,8 bilhões e 2,5 bilhões de anos.

Esses resultados mostram um histórico complexo de enriquecimento químico, no qual explosões de supernovas liberaram elementos que permaneceram no sistema e alimentaram novas gerações estelares ao longo do tempo.

Como os telescópios reconstruíram a história

Ilustração realista do Telescópio Espacial Hubble em órbita da Terra, com a curvatura do planeta, nuvens e o brilho do Sol ao fundo
Ilustração do telescópio espacial Hubble em órbita; instrumento precisa desligar sensores sensíveis toda vez que passa sobre o Brasil. Imagem: Dima Zel/Shutterstock

O levantamento utilizou a capacidade infravermelha do telescópio James Webb para atravessar a poeira densa da região central da galáxia. Isso permitiu mapear estrelas mais fracas e analisar suas cores e brilho, fatores essenciais para estimar idades e composição.

Em paralelo, o telescópio Hubble contribuiu com uma base de observações de longo prazo, acumuladas ao longo de mais de uma década. Esse material foi usado para identificar movimentos próprios das estrelas e separar aquelas pertencentes a Terzan 5 das demais estrelas do bojo galáctico.

A combinação dos dois conjuntos de dados tornou possível reconstruir a história do objeto com maior precisão e identificar populações estelares que não haviam sido detectadas em análises anteriores.

Um fragmento sobrevivente da formação da Via Láctea

Segundo pesquisadores envolvidos no estudo, Terzan 5 teria surgido como parte de grandes estruturas de gás presentes no início do Universo. Esses blocos teriam se fragmentado, formado estrelas e migrado para regiões centrais das galáxias.

Ao contrário de outras estruturas menores que se dispersaram durante a formação do bojo, este sistema teria permanecido intacto, preservando sua identidade ao longo de bilhões de anos.

A descoberta reforça a ideia de que o bojo da Via Láctea pode ter se formado a partir da fusão de múltiplos fragmentos estelares primordiais.

O post Astrônomos encontram “fóssil” que participou da formação da nossa galáxia, a Via Láctea apareceu primeiro em Olhar Digital.