{"id":9500,"date":"2026-06-09T18:02:11","date_gmt":"2026-06-09T21:02:11","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=9500"},"modified":"2026-06-09T18:02:11","modified_gmt":"2026-06-09T21:02:11","slug":"nasa-do-brasil-saiba-o-que-a-agencia-espacial-brasileira-faz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=9500","title":{"rendered":"\u201cNASA do Brasil\u201d: saiba o que a Ag\u00eancia Espacial Brasileira faz\u00a0"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Presente em projetos que ajudam a monitorar a <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/05\/20\/ciencia-e-espaco\/possivel-retorno-do-el-nino-alerta-para-nova-crise-climatica-na-amazonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Amaz\u00f4nia<\/a>, ampliar as telecomunica\u00e7\u00f5es e desenvolver <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2025\/08\/18\/dicas-e-tutoriais\/5-tecnologias-que-foram-desenvolvidas-com-inspiracao-na-natureza\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">tecnologias <\/a>de ponta, a <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/aeb\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ag\u00eancia Espacial Brasileira (AEB) <\/a>\u00e9 a principal respons\u00e1vel pela coordena\u00e7\u00e3o das atividades espaciais do pa\u00eds. Ainda assim, sua atua\u00e7\u00e3o permanece pouco conhecida do grande p\u00fablico.\u00a0<\/p>\n<p>Para entender como funciona a ag\u00eancia e qual \u00e9 sua import\u00e2ncia para o programa espacial brasileiro, o <strong>Olhar Digital <\/strong>conversou com o professor e escritor Rui Botelho, editor do canal <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@BrazilianSpace\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener sponsored nofollow\"><em>Brazilian Space <\/em><\/a>e ex-servidor de carreira da AEB.\u00a0<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Rui Botelho, ex-servidor de carreira da Ag\u00eancia Espacial Brasileira (AEB), revelou detalhes sobre a institui\u00e7\u00e3o ao Olhar Digital \u2013 Cr\u00e9dito: Rui Botelho<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-aeb-a-nasa-do-brasil\"><strong>AEB: A NASA do Brasil?<\/strong><\/h2>\n<p>Desde a sua cria\u00e7\u00e3o, <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8854.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener sponsored nofollow\">em fevereiro de 1994<\/a> (originalmente vinculada diretamente \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica), a AEB tem como miss\u00e3o articular, promover, executar e fazer executar as atividades e iniciativas voltadas ao desenvolvimento e fortalecimento do programa espacial nacional e \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o da capacidade tecnol\u00f3gica brasileira no setor espacial.<\/p>\n<p>Frequentemente comparada \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener sponsored nofollow\">NASA<\/a>, a ag\u00eancia espacial dos Estados Unidos, a AEB exerce um papel similar, em termos conceituais, e diferente, em termos de execu\u00e7\u00e3o. Segundo Botelho, \u201cas principais diferen\u00e7as entre a Ag\u00eancia Espacial Brasileira e a NASA est\u00e3o associadas \u00e0 pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o das duas entidades\u201d. Ele explica que ambas t\u00eam atribui\u00e7\u00f5es gerais semelhantes no campo de atua\u00e7\u00e3o civil dos respectivos programas espaciais e tamb\u00e9m atuam como representantes oficiais de seus pa\u00edses no cen\u00e1rio internacional, participando de f\u00f3runs globais e interagindo com outras ag\u00eancias espaciais e organismos ligados \u00e0 ONU.<\/p>\n<p>\u201cInternamente, as duas fazem o mesmo papel de organizar as atividades civis, j\u00e1 que ambas s\u00e3o entidades civis\u201d, explica o professor, destacando que a diferen\u00e7a central est\u00e1 na forma como cada institui\u00e7\u00e3o foi estruturada.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"365\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/nasa-e-aeb-1024x365-1.jpg\" alt=\"NASA AEB\" class=\"wp-image-1339576\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/nasa-e-aeb-1024x365.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/nasa-e-aeb-300x107.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/nasa-e-aeb-768x274.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/nasa-e-aeb-150x54.jpg 150w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/nasa-e-aeb.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">A Ag\u00eancia Espacial Brasileira (AEB) \u00e9 a nossa NASA? \u2013 Cr\u00e9ditos: LaserLens \u2013 iStockPhoto \/ Gov.br \/ Edi\u00e7\u00e3o: Olhar Digital<\/figcaption><\/figure>\n<p>A NASA foi criada ap\u00f3s o lan\u00e7amento do Sputnik pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, <a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/history\/national-aeronautics-and-space-act-of-1958-unamended\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener sponsored nofollow\">em julho de 1958<\/a>, em um contexto de corrida espacial. De acordo com o especialista, a ag\u00eancia surgiu com o objetivo de concentrar esfor\u00e7os que antes estavam dispersos entre diversos centros de pesquisa, laborat\u00f3rios civis e at\u00e9 mesmo estruturas militares das For\u00e7as Armadas dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>No caso brasileiro, o cen\u00e1rio foi distinto. Quando a AEB foi criada, j\u00e1 existiam institui\u00e7\u00f5es consolidadas como o atual Departamento de Ci\u00eancia e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e seus institutos, no segmento militar, al\u00e9m do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), no segmento civil. Segundo Botelho, esses \u00f3rg\u00e3os n\u00e3o foram incorporados a uma estrutura hier\u00e1rquica \u00fanica.<\/p>\n<p>\u201cA NASA foi organizada juntando esses diversos centros, laborat\u00f3rios de pesquisa, inicialmente, e depois tamb\u00e9m alguns militares da For\u00e7a A\u00e9rea, da Marinha e do Ex\u00e9rcito Americano\u201d, explica. \u201cJ\u00e1 no Brasil, foi adotado um modelo diferente, com a cria\u00e7\u00e3o de um sistema de coordena\u00e7\u00e3o em rede, no qual os diferentes entes colaboram sem subordina\u00e7\u00e3o direta\u201d.<\/p>\n<p>Esse arranjo, segundo ele, resultou em uma governan\u00e7a mais dispersa. \u201cNenhum desses entes se tornou subordinado \u00e0 AEB. O que foi feito foi a cria\u00e7\u00e3o do Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (SINDAE), um arranjo fraco, onde esses entes iriam (teoricamente) colaborar, n\u00e3o haveria hierarquia entre eles\u201d.<\/p>\n<p>O modelo brasileiro, portanto, se baseia na articula\u00e7\u00e3o entre institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes, enquanto o dos EUA concentrou fun\u00e7\u00f5es sob uma \u00fanica ag\u00eancia central. Al\u00e9m disso, diferentemente da NASA, a AEB vem perdendo o protagonismo, a relev\u00e2ncia e a capacidade de atua\u00e7\u00e3o, ano ap\u00f3s ano, desde que foi retirada da Presid\u00eancia e realocada na estrutura governamental abaixo do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o \u2013 MCTI, em 2000, como Botelho destaca em seu livro \u201cAg\u00eancia Espacial Brasileira: um diagn\u00f3stico de gest\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-base-de-alcantara-eficiencia-orbital-e-desafios-estruturais\"><strong>Base de Alc\u00e2ntara: efici\u00eancia orbital e desafios estruturais<\/strong><\/h2>\n<p>Entre os principais ativos do setor est\u00e1 o<a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2023\/01\/11\/dicas-e-tutoriais\/base-de-alcantara-10-curiosidades-sobre-o-centro-de-lancamento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> Centro de Lan\u00e7amento de Alc\u00e2ntara (CLA)<\/a>, no munic\u00edpio de Alc\u00e2ntara, Maranh\u00e3o. Localizado pr\u00f3ximo \u00e0 Linha do Equador, o centro \u2013 operado pela For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira \u2013 oferece vantagens para lan\u00e7amentos espaciais, permitindo maior efici\u00eancia no envio de cargas ao espa\u00e7o.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo Botelho, o centro est\u00e1 a cerca de 2 graus e 20 minutos ao sul do Equador, o que gera um ganho f\u00edsico relevante. \u201cEssa posi\u00e7\u00e3o faz com que ve\u00edculos lan\u00e7ados de l\u00e1 recebam um empuxo, uma for\u00e7a extra da rota\u00e7\u00e3o da Terra\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/foguete-Spaceward-Alcntara-Innospace-1024x575-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1238749\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/foguete-Spaceward-Alcntara-Innospace-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/foguete-Spaceward-Alcntara-Innospace-300x169.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/foguete-Spaceward-Alcntara-Innospace-768x431.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/foguete-Spaceward-Alcntara-Innospace-1536x863.jpg 1536w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/foguete-Spaceward-Alcntara-Innospace-2048x1151.jpg 2048w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/foguete-Spaceward-Alcntara-Innospace-1920x1080.jpg 1920w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/foguete-Spaceward-Alcntara-Innospace-1280x720.jpg 1280w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/foguete-Spaceward-Alcntara-Innospace-150x84.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foguete Hanbit-Nano posicionado na plataforma de lan\u00e7amento da Base de Alc\u00e2ntara, no Maranh\u00e3o. \u2013 Cr\u00e9dito: Innospace<\/figcaption><\/figure>\n<p>Esse efeito ocorre porque a velocidade de rota\u00e7\u00e3o terrestre \u00e9 maior na regi\u00e3o equatorial, o que pode aumentar o desempenho dos foguetes. \u201cIsso pode permitir levar mais carga \u00fatil ou alcan\u00e7ar \u00f3rbitas mais altas, sem aumentar a capacidade do ve\u00edculo\u201d, explica Botelho.<\/p>\n<p>No entanto, o especialista ressalta que a vantagem n\u00e3o \u00e9 universal. A maior parte dos sat\u00e9lites atuais opera em \u00f3rbitas de m\u00e9dia e alta inclina\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c0 medida que a inclina\u00e7\u00e3o da \u00f3rbita em rela\u00e7\u00e3o ao Equador aumenta, a vantagem de lan\u00e7ar de Alc\u00e2ntara diminui\u201d, detalha.<\/p>\n<p>Para \u00f3rbitas polares, de aproximadamente 90 graus, o efeito \u00e9 praticamente nulo. \u201cPara esses lan\u00e7amentos, Alc\u00e2ntara n\u00e3o oferece vantagem significativa em rela\u00e7\u00e3o a bases como as dos Estados Unidos, R\u00fassia ou China\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Botelho acrescenta que, em \u00f3rbitas retr\u00f3gradas, pode haver at\u00e9 perda de desempenho. O potencial do centro seria maior em lan\u00e7amentos para \u00f3rbitas de baixa inclina\u00e7\u00e3o e\u00a0 geoestacion\u00e1rias, a cerca de 36 mil quil\u00f4metros de altitude, usadas por sat\u00e9lites de comunica\u00e7\u00e3o e de defesa, por exemplo.<\/p>\n<p>Um exemplo recente das capacidades e oportunidades para o CLA foi a parceria entre a AEB, a For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira e a empresa sul-coreana Innospace, que realizou um lan\u00e7amento experimental em 2025. Apesar de uma falha ap\u00f3s a decolagem, a miss\u00e3o marcou um avan\u00e7o na abertura comercial da base.<\/p>\n<p>Para Botelho, aproveitar plenamente o potencial de Alc\u00e2ntara exigiria um salto tecnol\u00f3gico e financeiro, com o desenvolvimento de foguetes mais robustos e competitivos. \u201cSeria necess\u00e1rio ter uma estrutura e um ve\u00edculo muito maior do que os que hoje est\u00e3o habilitados para operar de Alc\u00e2ntara e que o Centro tem condi\u00e7\u00f5es de lan\u00e7ar\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Isso permitiria ao Brasil disputar o mercado de lan\u00e7amentos para \u00f3rbitas mais altas, como as geoestacion\u00e1rias, usadas por sat\u00e9lites de comunica\u00e7\u00e3o e observa\u00e7\u00e3o. No entanto, esse avan\u00e7o depende de investimentos robustos, cont\u00ednuos e de longo prazo em tecnologia e infraestrutura.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Base-de-Alcantara-02-1024x576-1.jpg\" alt=\"Vis\u00e3o a\u00e9rea da Base de Alc\u00e2ntara\" class=\"wp-image-464527\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Base-de-Alcantara-02-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Base-de-Alcantara-02-300x169.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Base-de-Alcantara-02-768x432.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Base-de-Alcantara-02-150x84.jpg 150w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Base-de-Alcantara-02.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">A Base de Alc\u00e2ntara \u00e9 o centro de lan\u00e7amento com maior potencial no Brasil \u2013 Cr\u00e9dito: Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p>Sem esse tipo de capacidade, Botelho ressalta que o centro acaba limitado a uma faixa mais restrita de miss\u00f5es, sem conseguir explorar totalmente sua vantagem geogr\u00e1fica no cen\u00e1rio global de lan\u00e7amentos espaciais.<\/p>\n<p>O ex-servidor da AEB destaca ainda outro principal entrave de Alc\u00e2ntara. \u201cA log\u00edstica para levar algo para Alc\u00e2ntara \u00e9 muito cara\u201d, afirma. Segundo ele, n\u00e3o existem rotas a\u00e9reas internacionais regulares para transporte de cargas de ve\u00edculos lan\u00e7adores de pequeno porte nem conex\u00f5es frequentes que facilitem o envio de equipamentos at\u00e9 S\u00e3o Lu\u00eds ou diretamente ao centro de lan\u00e7amento.<\/p>\n<p>O problema tamb\u00e9m se estende ao transporte mar\u00edtimo e terrestre. \u201cNavios que venham de pa\u00edses que v\u00e3o mandar o ve\u00edculo lan\u00e7ador ou o sat\u00e9lite n\u00e3o t\u00eam rotas corriqueiras para S\u00e3o Lu\u00eds\u201d, explica. Al\u00e9m disso, ele aponta a aus\u00eancia de uma malha ferrovi\u00e1ria eficiente, o que dificulta a integra\u00e7\u00e3o do porto de origem de cargas no Brasil com o norte do pa\u00eds. De acordo com o especialista, essas limita\u00e7\u00f5es reduzem a frequ\u00eancia e aumentam o custo das opera\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>Botelho tamb\u00e9m aponta uma barreira institucional. Segundo ele, falta uma pol\u00edtica p\u00fablica mais eficaz para viabilizar investimentos e parcerias privadas. \u201cN\u00e3o h\u00e1 um modelo consistente de PPPs ou iniciativas que permitam ao setor privado assumir esses custos\u201d, observa, ressaltando que o Estado, sozinho, n\u00e3o consegue suprir as necessidades de infraestrutura do centro de lan\u00e7amento.<\/p>\n<p>A t\u00edtulo de curiosidade, a origem da palavra \u201cAlc\u00e2ntara\u201d remonta \u00e0 l\u00edngua \u00e1rabe, derivando do termo \u201cal-qantarah\u201d, que significa \u201ca ponte\u201d, destaca o professor, indagando: \u201cSer\u00e1 que conseguiremos, efetivamente, fazer de Alc\u00e2ntara a nossa ponte para o espa\u00e7o e para a nova economia espacial?\u201d<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-centro-de-lancamento-da-barreira-do-inferno-e-o-espacoporto-mais-antigo-do-pais\"><strong>Centro de Lan\u00e7amento da Barreira do Inferno \u00e9 o espa\u00e7oporto mais antigo do pa\u00eds<\/strong><\/h2>\n<p>Outra instala\u00e7\u00e3o importante e de destaque para as atividades espaciais nacionais \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www2.fab.mil.br\/clbi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener sponsored nofollow\">Centro de Lan\u00e7amento da Barreira do Inferno (CLBI)<\/a>, em Parnamirim, no Rio Grande do Norte. Inaugurado em 1965, ele \u00e9 o centro espacial mais antigo do pa\u00eds e acumula mais de tr\u00eas mil lan\u00e7amentos voltados principalmente a pesquisas atmosf\u00e9ricas e cient\u00edficas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de apoiar a manuten\u00e7\u00e3o da infraestrutura de lan\u00e7amento, a AEB coordena programas destinados \u00e0 sele\u00e7\u00e3o, ado\u00e7\u00e3o e ao desenvolvimento de novas miss\u00f5es. Um deles \u00e9 o Procedimento para Sele\u00e7\u00e3o e Ado\u00e7\u00e3o de Miss\u00f5es Espaciais (ProSAME), que estabelece crit\u00e9rios para avaliar projetos com potencial cient\u00edfico e estrat\u00e9gico para o Brasil.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"674\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Centro-de-Lanamento-da-Barreira-do-Inferno-1024x674-1.jpeg\" alt=\"Centro de Lan\u00e7amento da Barreira do Inferno\" class=\"wp-image-1339582\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Centro-de-Lanamento-da-Barreira-do-Inferno-1024x674.jpeg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Centro-de-Lanamento-da-Barreira-do-Inferno-300x198.jpeg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Centro-de-Lanamento-da-Barreira-do-Inferno-768x506.jpeg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Centro-de-Lanamento-da-Barreira-do-Inferno-150x99.jpeg 150w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Centro-de-Lanamento-da-Barreira-do-Inferno.jpeg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Centro de Lan\u00e7amento da Barreira do Inferno, em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, \u00e9 o centro espacial mais antigo do pa\u00eds \u2013 Cr\u00e9dito: Gov.br<\/figcaption><\/figure>\n<p>A ag\u00eancia tamb\u00e9m mant\u00e9m o <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/aeb\/pt-br\/acoes-e-programas\/desenvolvimento-tecnologico\/uniespaco\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener sponsored nofollow\">Programa Uniespa\u00e7o<\/a>, criado para aproximar universidades das atividades aeroespaciais. A iniciativa incentiva pesquisas acad\u00eamicas e contribui para a forma\u00e7\u00e3o de profissionais especializados.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea de foguetes, o Brasil investe em modelos suborbitais como o VSB-30 e o VS-30. Esses ve\u00edculos s\u00e3o utilizados em experimentos cient\u00edficos, testes de equipamentos e desenvolvimento de tecnologias que poder\u00e3o ser aplicadas em projetos mais complexos.<\/p>\n<p>Outro objetivo importante \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/aeb\/pt-br\/acoes-e-programas\/aplicacoes-espaciais\/transporte-espacial\/vlm-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener sponsored nofollow\">Ve\u00edculo Lan\u00e7ador de Microssat\u00e9lites (VLM)<\/a>, projeto considerado estrat\u00e9gico para o desenvolvimento tecnol\u00f3gico e a soberania nacional. Segundo Botelho, trata-se de uma iniciativa que \u201c\u00e9 uma heran\u00e7a do VLS\u201d, programa anterior interrompido ap\u00f3s o acidente de 2003 em Alc\u00e2ntara, que resultou na morte de 21 t\u00e9cnicos e engenheiros.<\/p>\n<p>Embora tenha relev\u00e2ncia estrat\u00e9gica, Botelho afirma que o VLM \u00e9 hoje tecnologicamente defasado. \u201cEle tem valor em termos de soberania e autonomia, mas n\u00e3o se sustenta em termos de custos operacionais e sustentabilidade\u201d. Ainda assim, ele ressalta que o projeto se justifica como instrumento de dom\u00ednio tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>De acordo com o especialista, o VLM nasceu como uma parceria entre a AEB e a ag\u00eancia espacial alem\u00e3 (DLR), envolvendo tamb\u00e9m o Instituto de Aeron\u00e1utica e Espa\u00e7o (IAE) e a For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira. A proposta previa divis\u00e3o de responsabilidades: o Brasil ficaria com estruturas e motores s\u00f3lidos, enquanto a Alemanha desenvolveria sistemas mais cr\u00edticos, como navega\u00e7\u00e3o, controle e eletr\u00f4nica embarcada.<\/p>\n<p>\u201cNo entanto, o Brasil n\u00e3o conseguiu cumprir parte dessas entregas, principalmente por falta de defini\u00e7\u00e3o de prioridades em rela\u00e7\u00e3o a outros projetos e de recursos\u201d, explica Botelho. \u201cCom isso, os alem\u00e3es acabaram absorvendo etapas adicionais do projeto, alterando o equil\u00edbrio original da coopera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Outro entrave \u00e9 tecnol\u00f3gico e industrial. O VLM depende do motor S50, ainda n\u00e3o qualificado em voo e desenvolvido pela empresa Avibras, que enfrentou recupera\u00e7\u00e3o judicial nos \u00faltimos anos. \u201cN\u00e3o h\u00e1 outro ente com capacidade de assumir esse desenvolvimento\u201d, observa.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"664\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/foguete-VLM-1024x664-1.png\" alt=\"foguete VLM\" class=\"wp-image-1339592\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/foguete-VLM-1024x664.png 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/foguete-VLM-300x195.png 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/foguete-VLM-768x498.png 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/foguete-VLM-150x97.png 150w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/foguete-VLM.png 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Representa\u00e7\u00e3o visual do foguete brasileiro VLM, projeto que vem enfrentando sucessivos atrasos \u2013 Cr\u00e9ito:Imagem gerada por IA\/Gemini<\/figcaption><\/figure>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, o projeto perdeu ritmo e pode sofrer novos atrasos. Botelho estima que, nas condi\u00e7\u00f5es atuais, o VLM dificilmente ser\u00e1 lan\u00e7ado antes de 2030 ou at\u00e9 2040. Mesmo assim, ele refor\u00e7a que sua import\u00e2ncia est\u00e1 menos na competitividade e mais na constru\u00e7\u00e3o de capacidades nacionais.<\/p>\n<p>Outro marco foi o Amaz\u00f4nia-1, primeiro sat\u00e9lite de sensoriamento remoto totalmente desenvolvido no Brasil. Equipado com c\u00e2meras de alta capacidade, ele auxilia no monitoramento do desmatamento, das queimadas e de outras transforma\u00e7\u00f5es ambientais.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es produzidas por esses equipamentos ajudam pesquisadores e gestores p\u00fablicos a acompanhar mudan\u00e7as no territ\u00f3rio nacional. Os dados tamb\u00e9m s\u00e3o utilizados em a\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o ambiental e gest\u00e3o de recursos naturais.<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/06\/09\/ciencia-e-espaco\/brasil-pode-lancar-astronautas-ao-espaco-entenda-os-desafios\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Brasil pode lan\u00e7ar astronautas ao espa\u00e7o? Entenda planos e desafios<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/05\/29\/ciencia-e-espaco\/astronautas-da-china-voltam-a-terra-apos-missao-espacial-recorde\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Astronautas da China voltam \u00e0 Terra ap\u00f3s miss\u00e3o espacial recorde<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/06\/09\/ciencia-e-espaco\/nasa-revela-os-quatro-astronautas-da-missao-artemis-3\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA revela os quatro astronautas da miss\u00e3o Artemis 3<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-programa-espacial-brasileiro-tem-parceria-com-a-china-e-a-argentina\"><strong>Programa espacial brasileiro tem parceria com a China e a Argentina<\/strong><\/h2>\n<p>Para manter essas iniciativas, a AEB conta com recursos previstos no or\u00e7amento federal. Em 2026, a ag\u00eancia recebeu autoriza\u00e7\u00e3o para administrar cerca de <a href=\"https:\/\/portaldatransparencia.gov.br\/orgaos\/20402-agencia-espacialbrasileira-aeb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener sponsored nofollow\">R$144,65 milh\u00f5es <\/a>destinados a projetos espaciais, pesquisas e coopera\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>As parcerias com outros pa\u00edses continuam sendo uma das bases do programa espacial brasileiro. Al\u00e9m da coopera\u00e7\u00e3o com a China, o Brasil participa com a Argentina da miss\u00e3o SABIA-Mar, voltada ao monitoramento dos oceanos e ambientes aqu\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Mais recentemente, a AEB firmou uma parceria com o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Universidade Federal do Tocantins para implantar um centro de opera\u00e7\u00f5es com bal\u00f5es estratosf\u00e9ricos na Amaz\u00f4nia, ampliando as capacidades de pesquisa e monitoramento da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo longe dos holofotes das grandes miss\u00f5es internacionais, a Ag\u00eancia Espacial Brasileira desempenha papel fundamental no avan\u00e7o cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico do pa\u00eds. Por meio de sat\u00e9lites, foguetes, centros de lan\u00e7amento e coopera\u00e7\u00e3o internacional, a institui\u00e7\u00e3o ajuda a construir o futuro da presen\u00e7a brasileira no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/06\/09\/ciencia-e-espaco\/nasa-do-brasil-saiba-o-que-a-agencia-espacial-brasileira-faz\/\">\u201cNASA do Brasil\u201d: saiba o que a Ag\u00eancia Espacial Brasileira faz\u00a0<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presente em projetos que ajudam a monitorar a Amaz\u00f4nia, ampliar as telecomunica\u00e7\u00f5es e desenvolver tecnologias de ponta, a Ag\u00eancia Espacial Brasileira (AEB) \u00e9 a principal respons\u00e1vel pela coordena\u00e7\u00e3o das atividades espaciais do pa\u00eds. Ainda assim, sua atua\u00e7\u00e3o permanece pouco conhecida do grande p\u00fablico.\u00a0 Para entender como funciona a ag\u00eancia e qual \u00e9 sua import\u00e2ncia para<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":9501,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"https:\/\/olhardigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/rui-botelho-763x1024.jpeg","fifu_image_alt":"\u201cNASA do Brasil\u201d: saiba o que a Ag\u00eancia Espacial Brasileira faz\u00a0","footnotes":""},"categories":[33],"tags":[],"class_list":["post-9500","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9500","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9500"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9500\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9500"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9500"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9500"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}