{"id":8833,"date":"2026-05-31T18:02:43","date_gmt":"2026-05-31T21:02:43","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=8833"},"modified":"2026-05-31T18:02:43","modified_gmt":"2026-05-31T21:02:43","slug":"james-webb-descobre-galaxia-quimicamente-primitiva-no-universo-antigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=8833","title":{"rendered":"James Webb descobre gal\u00e1xia quimicamente primitiva no Universo antigo"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Uma das maiores conquistas do <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/james-webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (JWST)<\/a> tem sido permitir que os cientistas expandam as fronteiras da astronomia ao observar gal\u00e1xias que existiram durante os est\u00e1gios iniciais do Universo, menos de um bilh\u00e3o de anos ap\u00f3s o <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/james-webb\/\">Big Bang<\/a>. Este per\u00edodo, conhecido pelos cientistas como a <strong>\u00c9poca de Reioniza\u00e7\u00e3o<\/strong>, coincide com o intervalo que os astr\u00f4nomos apelidaram de \u201c<strong>Idade das Trevas C\u00f3smica<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>Ocorrendo entre <strong>380 mil e 1 bilh\u00e3o de anos<\/strong> ap\u00f3s o Big Bang, essa era caracterizava-se por um Universo preenchido por <strong><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/hidrogenio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">hidrog\u00eanio<\/a> neutro<\/strong>. Consequentemente, qualquer fonte de <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/luz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">luz<\/a> vis\u00edvel hoje sofreu um desvio para o vermelho (<em><strong>redshift<\/strong><\/em>) que a posiciona al\u00e9m dos limites de detec\u00e7\u00e3o dos telesc\u00f3pios convencionais.<\/p>\n<p>No entanto, gra\u00e7as aos avan\u00e7ados instrumentos infravermelhos e espectr\u00f4metros do James Webb, os cientistas conseguem agora olhar por tr\u00e1s desse v\u00e9u espesso e decifrar como as gal\u00e1xias evolu\u00edram desde as \u00e9pocas cosmol\u00f3gicas mais primitivas.<\/p>\n<p>Em uma descoberta recente, uma equipe internacional de astr\u00f4nomos utilizou o Webb e a t\u00e9cnica de lenteamento gravitacional para capturar um vislumbre raro da <strong>LAP1-B<\/strong>, uma gal\u00e1xia extremamente fraca que existiu meros <strong>800 milh\u00f5es<\/strong> de anos ap\u00f3s o Big Bang.<\/p>\n<p>Por meio dos espectr\u00f4metros do Webb, o grupo conseguiu caracterizar a gal\u00e1xia de forma <strong>definitiva<\/strong>, revelando que ela se trata da gal\u00e1xia mais pobre em metais j\u00e1 observada at\u00e9 hoje no Universo primitivo.<\/p>\n<p>A pesquisa foi liderada pelo professor associado <strong>Kimihiko Nakajima<\/strong>, da Universidade de Kanazawa (Jap\u00e3o). O estudo detalhado que descreve o achado foi publicado em <strong>13 de maio<\/strong> na prestigiada revista cient\u00edfica <em><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-026-10374-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nature<\/a><\/em>.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-arqueologia-cosmica-em-tempo-real\">Arqueologia c\u00f3smica em tempo real<\/h2>\n<ul>\n<li>No per\u00edodo imediatamente posterior ao Big Bang, o Universo continha apenas elementos leves, como <strong>hidrog\u00eanio e h\u00e9lio<\/strong>;<\/li>\n<li>Os elementos qu\u00edmicos necess\u00e1rios para a vida, tais como o <strong>carbono e o oxig\u00eanio<\/strong>, estavam completamente <strong>ausentes<\/strong>;<\/li>\n<li>Esses elementos mais pesados foram forjados no interior da primeir\u00edssima gera\u00e7\u00e3o de estrelas \u2014 conhecidas na astrof\u00edsica como estrelas de <strong>Popula\u00e7\u00e3o III<\/strong>;<\/li>\n<li>Posteriormente, tais elementos foram dispersos pelo espa\u00e7o quando essas estrelas explodiram em <strong>supernovas<\/strong>, expelindo suas camadas externas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Por d\u00e9cadas, astrof\u00edsicos nutriram a esperan\u00e7a de encontrar essas estrelas para testemunhar o exato momento em que come\u00e7aram a semear o Universo com elementos mais pesados.<\/p>\n<p>A tarefa, contudo, mostrava-se <strong>espinhosa<\/strong>, uma vez que as gal\u00e1xias mais antigas que abrigaram as estrelas de Popula\u00e7\u00e3o III s\u00e3o extremamente <strong>pequenas e t\u00eanues<\/strong>. Como resultado, determinar a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica desses objetos por meio de espectroscopia era considerado algo <strong>praticamente imposs\u00edvel<\/strong> \u2014 at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>O trabalho de Nakajima e seus colaboradores baseia-se em detec\u00e7\u00f5es iniciais da gal\u00e1xia LAP1-B, adicionando espectros detalhados obtidos pelo James Webb \u00e0 an\u00e1lise. Os dados revelaram uma <strong>abund\u00e2ncia recorde<\/strong> de oxig\u00eanio extremamente baixa: apenas <strong>1\/240<\/strong> da quantidade encontrada no Sol.<\/p>\n<p>Quando combinada com uma propor\u00e7\u00e3o elevada de carbono em rela\u00e7\u00e3o ao oxig\u00eanio e a presen\u00e7a dominante de um halo de mat\u00e9ria escura, a descoberta sugere que a LAP1-B \u00e9 uma <strong>progenitora direta<\/strong> das gal\u00e1xias f\u00f3sseis encontradas atualmente nas proximidades da nossa pr\u00f3pria gal\u00e1xia, a <strong>Via L\u00e1ctea<\/strong>.<\/p>\n<p>A busca por essas gal\u00e1xias \u201cancestrais\u201d vinha mobilizando astr\u00f4nomos h\u00e1 tempos, tornando a LAP1-B uma <strong>janela hist\u00f3rica sem precedentes<\/strong> para os est\u00e1gios mais primitivos de forma\u00e7\u00e3o gal\u00e1ctica.<\/p>\n<p>\u201cNormalmente, agimos como \u2018<strong>arque\u00f3logos c\u00f3smicos<\/strong>\u2018, tentando adivinhar o passado olhando para estrelas antigas em nossa pr\u00f3pria vizinhan\u00e7a. Mas agora, podemos analisar o g\u00e1s diretamente da cena original h\u00e1 13 bilh\u00f5es de anos\u201d, disse Nakajima em <a href=\"https:\/\/www.kanazawa-u.ac.jp\/en\/miraichi\/183006\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">comunicado<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/04\/19\/ciencia-e-espaco\/veja-como-era-o-universo-bilhoes-de-anos-atras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Veja como era o Universo bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2025\/11\/30\/ciencia-e-espaco\/como-o-universo-vai-acabar-o-que-a-ciencia-sabe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Como o Universo vai acabar? O que a ci\u00eancia sabe<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/05\/15\/ciencia-e-espaco\/universo-pode-nao-ser-tao-uniforme-quanto-se-pensava-e-isso-pode-mudar-tudo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universo pode n\u00e3o ser t\u00e3o uniforme quanto se pensava: e isso pode mudar tudo<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-poder-da-lente-gravitacional\">O poder da lente gravitacional<\/h2>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o minuciosa de um objeto t\u00e3o distante s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as a uma <strong>feliz coincid\u00eancia c\u00f3smica<\/strong>: a presen\u00e7a de um <strong>massivo aglomerado de gal\u00e1xias interveniente<\/strong> (o aglomerado <strong>MACS J0416<\/strong>), localizado entre a Terra e a LAP1-B. Esse aglomerado atuou como uma <strong>lente gravitacional natural<\/strong>, dobrando o espa\u00e7o-tempo e ampliando a luz fraca da LAP1-B por um fator de <strong>100 vezes<\/strong>.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s acumularem <strong>30 horas<\/strong> de observa\u00e7\u00f5es profundas e espectroscopia altamente detalhada, os pesquisadores finalmente conseguiram caracterizar a abund\u00e2ncia qu\u00edmica da jovem gal\u00e1xia. Al\u00e9m de ser quimicamente primitiva, a raz\u00e3o entre carbono e oxig\u00eanio na LAP1-B alinha-se de maneira muito pr\u00f3xima \u00e0s previs\u00f5es te\u00f3ricas do material dispersado especificamente pelas explos\u00f5es de estrelas de Popula\u00e7\u00e3o III.<\/p>\n<p>\u201cFiquei <strong>instantaneamente entusiasmado<\/strong> com a extrema falta de oxig\u00eanio revelada nos dados. Encontrar uma gal\u00e1xia em um estado t\u00e3o primitivo \u00e9 surpreendente. \u00c9 uma assinatura qu\u00edmica que indica claramente uma gal\u00e1xia primordial capturada nos momentos logo ap\u00f3s a sua forma\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Nakajima.<\/p>\n<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Linha do tempo da evolu\u00e7\u00e3o do universo ap\u00f3s o Big Bang \u2013 Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-elo-de-materia-escura-e-fosseis-do-universo\">Elo de mat\u00e9ria escura e f\u00f3sseis do Universo<\/h2>\n<p>As an\u00e1lises da equipe revelaram outra caracter\u00edstica crucial: a LAP1-B \u00e9 incrivelmente <strong>leve<\/strong>, registrando menos de <strong>3,3 mil massas solares<\/strong>. Uma massa t\u00e3o diminuta implica que a maior parte da estrutura da gal\u00e1xia \u00e9, na verdade, composta por mat\u00e9ria escura na forma de um <strong>halo protetor<\/strong>.<\/p>\n<p>Essa massa reduzida, somada \u00e0 assinatura qu\u00edmica singular do objeto, faz com que a LAP1-B seja uma correspond\u00eancia quase perfeita para as chamadas \u201c<strong>Gal\u00e1xias An\u00e3s Ultra-Fracas<\/strong>\u201d (UFDs, na sigla em ingl\u00eas), que orbitam as vizinhan\u00e7as da Via L\u00e1ctea nos dias atuais.<\/p>\n<p>O professor <strong>Masami Ouchi<\/strong>, pesquisador do Observat\u00f3rio Astron\u00f4mico Nacional do Jap\u00e3o (NAOJ) e da Universidade de T\u00f3quio (Jap\u00e3o), al\u00e9m de coautor do estudo, detalhou a import\u00e2ncia dessa correla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs UFDs n\u00e3o s\u00e3o apenas as gal\u00e1xias mais fracas; elas s\u00e3o compostas por estrelas antigas com mais de <strong>12 bilh\u00f5es de anos<\/strong> e s\u00e3o frequentemente descritas como \u2018<strong>f\u00f3sseis do Universo<\/strong>\u2018. Os astr\u00f4nomos suspeitavam que elas pudessem ser os restos das primeiras gal\u00e1xias do Universo porque n\u00e3o t\u00eam elementos pesados, mas nunca tivemos uma liga\u00e7\u00e3o direta \u2014 at\u00e9 encontrarmos a LAP1-B. \u00c9 uma <strong>surpresa profunda<\/strong> descobrir que a LAP1-B se parece exatamente com o \u2018ancestral\u2019 que s\u00f3 hav\u00edamos imaginado nas teorias. Isso nos ajuda a resolver o mist\u00e9rio de por que esses f\u00f3sseis c\u00f3smicos sobreviveram em sua forma atual at\u00e9 os dias de hoje\u201d, pontuou Ouchi.<\/p>\n<p>As descobertas dessa equipe internacional fornecem aos astr\u00f4nomos uma <strong>nova metodologia<\/strong> para mapear o surgimento de elementos mais pesados no cosmos e o desenvolvimento de suas estruturas mais antigas.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo da equipe consistir\u00e1 no uso cont\u00ednuo de dados do James Webb para buscar objetos ainda mais primitivos quimicamente, incluindo as primeir\u00edssimas estruturas que j\u00e1 se formaram no Universo. Conforme indicou Nakajima, a expectativa \u00e9 de que esta hist\u00f3rica descoberta represente apenas o ponto de partida para desvendar as origens qu\u00edmicas do nosso Universo.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/05\/31\/ciencia-e-espaco\/james-webb-descobre-galaxia-quimicamente-primitiva-no-universo-antigo\/\">James Webb descobre gal\u00e1xia quimicamente primitiva no Universo antigo<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das maiores conquistas do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (JWST) tem sido permitir que os cientistas expandam as fronteiras da astronomia ao observar gal\u00e1xias que existiram durante os est\u00e1gios iniciais do Universo, menos de um bilh\u00e3o de anos ap\u00f3s o Big Bang. 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