{"id":8687,"date":"2026-05-29T12:01:58","date_gmt":"2026-05-29T15:01:58","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=8687"},"modified":"2026-05-29T12:01:58","modified_gmt":"2026-05-29T15:01:58","slug":"tecido-que-cresce-fora-do-corpo-e-descoberto-e-pode-revolucionar-a-biomedicina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=8687","title":{"rendered":"Tecido que cresce fora do corpo \u00e9 descoberto \u2013 e pode revolucionar a biomedicina"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Cientistas liderados pela <strong>Universidade Memorial de Newfoundland<\/strong>, no Canad\u00e1, descobriram que fragmentos de tecidos removidos de uma esp\u00e9cie de pepino-do-mar chamada <em>Psolus fabricii<\/em> conseguem sobreviver, se regenerar e crescer de forma independente por <strong>mais de tr\u00eas anos<\/strong> em \u00e1gua do mar natural. O estudo, <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.aeb1394\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">publicado na revista cient\u00edfica <em>Science Advances<\/em><\/a> nesta semana, desafia os conceitos biol\u00f3gicos tradicionais sobre a mortalidade de tecidos descartados.<\/p>\n<p>Batizados pelos pesquisadores de <strong>LiPfe<\/strong>, esses fragmentos representam o primeiro registro na ci\u00eancia de tecidos animais que mant\u00eam viabilidade de longo prazo e crescimento fora de um ambiente de laborat\u00f3rio est\u00e9ril. A descoberta abre <strong>frentes na biomedicina<\/strong>, com potencial de aplica\u00e7\u00e3o em engenharia de tecidos, regenera\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica e tratamentos de cicatriza\u00e7\u00e3o antimicrobiana.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-celulas-se-alimentam-da-agua-do-mar-e-criam-modelo-de-resiliencia-biologica\">C\u00e9lulas se alimentam da \u00e1gua do mar e criam modelo de resili\u00eancia biol\u00f3gica<\/h2>\n<p>Durante os experimentos feitos com amostras retiradas dos p\u00e9s tubulares, do corpo principal e dos tent\u00e1culos de tr\u00eas indiv\u00edduos da esp\u00e9cie de \u00e1guas frias, os pesquisadores constataram a ocorr\u00eancia de <strong>atividade imunol\u00f3gica, ciclo celular e reorganiza\u00e7\u00e3o tecidual<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p>Devido \u00e0 \u00f3bvia aus\u00eancia de uma boca nos fragmentos isolados, as c\u00e9lulas demonstraram a capacidade de extrair energia do ambiente por meio da <strong>absor\u00e7\u00e3o de amino\u00e1cidos dissolvidos<\/strong> diretamente na \u00e1gua marinha.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Evolu\u00e7\u00e3o do tecido do pepino-do-mar ap\u00f3s o corte: as imagens da esquerda (um ano) e direita (v\u00e1rios anos) mostram a ferida cicatrizando com o tempo (mudan\u00e7a da cor vermelha para tons claros indica o surgimento de tecido saud\u00e1vel) \u2013 Imagem: Sara Jobson<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O comportamento rompe com o padr\u00e3o hist\u00f3rico das linhagens de c\u00e9lulas imortais utilizadas na ci\u00eancia desde meados do s\u00e9culo 20, como as c\u00e9lulas HeLa, que exigem meios rigorosamente controlados, artificiais e totalmente livres de bact\u00e9rias para n\u00e3o apodrecerem.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA \u00e1gua do mar natural \u00e9 praticamente a abordagem experimental menos limpa e biologicamente mais diversa que poder\u00edamos adotar. Ainda assim, esse ambiente rico, cheio de bact\u00e9rias e de toda essa mat\u00e9ria org\u00e2nica, estava na verdade alimentando-os e permitindo que esse tecido cicatrizasse e crescesse\u201d, explicou a pesquisadora s\u00eanior Rachel Sipler, do Laborat\u00f3rio Bigelow de Ci\u00eancias Oce\u00e2nicas, <a href=\"https:\/\/www.bigelow.org\/news\/articles\/2026-05-27.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">em comunicado<\/a>.<\/p>\n<p>Para comprovar o ineditismo do fen\u00f4meno, a equipe fez testes comparativos com tecidos extra\u00eddos de outras esp\u00e9cies de equinodermos parentes. E <strong>nenhuma outra apresentou equival\u00eancia em sobreviv\u00eancia<\/strong>, o que confirma o car\u00e1ter \u00fanico do organismo estudado.\u00a0<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Pesquisa-pepino-do-mar-02-1024x576-1.jpg\" alt=\"Imagem de um peda\u00e7o cortado do p\u00e9 do pepino-do-mar. As \u00e1reas com verde mais intenso mostram onde as c\u00e9lulas est\u00e3o mais ativas e em transforma\u00e7\u00e3o\" class=\"wp-image-1335342\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Pesquisa-pepino-do-mar-02-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Pesquisa-pepino-do-mar-02-300x169.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Pesquisa-pepino-do-mar-02-768x432.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Pesquisa-pepino-do-mar-02-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Pesquisa-pepino-do-mar-02-1280x720.jpg 1280w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Pesquisa-pepino-do-mar-02-150x84.jpg 150w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Pesquisa-pepino-do-mar-02.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem de um peda\u00e7o cortado do p\u00e9 do pepino-do-mar (\u00e1reas com verde mais intenso mostram onde as c\u00e9lulas est\u00e3o mais ativas e em transforma\u00e7\u00e3o) \u2013 Imagem: Sara Jobson<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u201cEsse achado destaca que o oceano guarda inova\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas profundamente inesperadas\u201d, disse Andrea Bodnar, diretora cient\u00edfica do Instituto de Gen\u00f4mica Marinha de Gloucester, que n\u00e3o participou da pesquisa. \u201cO fato de explantes de tecido de um pepino-do-mar poderem cicatrizar, se reorganizar e sobreviver independentemente por anos em \u00e1gua do mar natural sugere um modelo inteiramente novo de resili\u00eancia biol\u00f3gica e regenera\u00e7\u00e3o de tecidos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o cultivamos um pepino-do-mar novo e completo ainda, mas estamos vendo um crescimento e uma diversifica\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas bastante impressionantes literalmente anos ap\u00f3s a remo\u00e7\u00e3o desse tecido\u201d, disse Sipler. \u201c\u00c9 como um lagarto que perde a cauda. Sabemos que alguns lagartos podem deixar crescer novas caudas; estamos falando sobre se a cauda pode deixar crescer um novo lagarto.\u201d<\/p>\n<p>Por se tratar de um organismo invertebrado, a nova linhagem oferece uma alternativa de modelo experimental mais acess\u00edvel e livre das <strong>restri\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias, burocr\u00e1ticas e dilemas \u00e9ticos<\/strong> que limitam o uso de c\u00e9lulas de origem humana ou de outros vertebrados.\u00a0<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/05\/29\/ciencia-e-espaco\/tecido-que-cresce-fora-do-corpo-e-descoberto-e-pode-revolucionar-a-biomedicina\/\">Tecido que cresce fora do corpo \u00e9 descoberto \u2013 e pode revolucionar a biomedicina<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas liderados pela Universidade Memorial de Newfoundland, no Canad\u00e1, descobriram que fragmentos de tecidos removidos de uma esp\u00e9cie de pepino-do-mar chamada Psolus fabricii conseguem sobreviver, se regenerar e crescer de forma independente por mais de tr\u00eas anos em \u00e1gua do mar natural. 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