{"id":7701,"date":"2026-05-14T06:16:47","date_gmt":"2026-05-14T09:16:47","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=7701"},"modified":"2026-05-14T06:16:47","modified_gmt":"2026-05-14T09:16:47","slug":"mercosul-e-uniao-europeia-o-acordo-tambem-e-tech","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=7701","title":{"rendered":"Mercosul e Uni\u00e3o Europeia: o acordo tamb\u00e9m \u00e9 tech"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>O acordo entre <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/mercosul\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mercosul<\/a> e <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/uniao-europeia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Uni\u00e3o Europeia<\/a> (UE) entrou em vigor de forma provis\u00f3ria em 1\u00ba de maio, ap\u00f3s mais de 25 anos de negocia\u00e7\u00f5es entre os dois blocos. Assinado em 17 de janeiro de 2026, o tratado estabelece a redu\u00e7\u00e3o ou elimina\u00e7\u00e3o gradual de tarifas sobre a maior parte dos produtos comercializados entre as regi\u00f5es, criando uma <strong>\u00e1rea de livre com\u00e9rcio<\/strong> que conecta centenas de milh\u00f5es de consumidores na Europa e na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o acordo amplia o acesso do <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Brasil<\/a> a um dos mercados mais exigentes do mundo. Mais do que uma abertura baseada em pre\u00e7os ou volume exportado, o tratado consolida um modelo de integra\u00e7\u00e3o apoiado em <strong>regras t\u00e9cnicas, ambientais e regulat\u00f3rias<\/strong>, que passam a ter peso crescente nas condi\u00e7\u00f5es de entrada no mercado europeu.<\/p>\n<p>Com isso, a din\u00e2mica do com\u00e9rcio entre os blocos tende a se deslocar. A redu\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria ocorre de forma gradual, mas o acesso efetivo passa a depender cada vez mais da capacidade de atender <strong>padr\u00f5es espec\u00edficos de produ\u00e7\u00e3o, rastreabilidade e conformidade<\/strong>. O resultado \u00e9 um ambiente em que a competitividade deixa de ser definida apenas por custo e escala e passa a envolver organiza\u00e7\u00e3o produtiva, tecnologia e capacidade de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse movimento n\u00e3o ocorre de forma homog\u00eanea entre setores. Enquanto parte do <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/agronegocio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">agroneg\u00f3cio<\/a> brasileiro j\u00e1 opera sob exig\u00eancias pr\u00f3ximas \u00e0s europeias \u2014 embora siga exposto a restri\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias e regulat\u00f3rias que podem limitar parte dos ganhos esperados com o acordo \u2014, a <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/industria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ind\u00fastria<\/a> entra no acordo em um cen\u00e1rio mais heterog\u00eaneo, com maior necessidade de ajuste.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a de ponto de partida ajuda a explicar por que os impactos do acordo tendem a ser <strong>distintos dentro da economia brasileira<\/strong>, mesmo diante de um mesmo conjunto de regras comerciais.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Com o acordo, bloco sul-americano e europeu se unem, com redu\u00e7\u00e3o ou elimina\u00e7\u00e3o gradual de tarifas comerciais \u2013 Imagem: Ana Figueiredo\/Olhar Digital com aux\u00edlio do ChatGPT<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-funciona-o-acordo-mercosul-ue\">Como funciona o acordo Mercosul\u2013UE<\/h2>\n<p>O acordo prev\u00ea uma <strong>redu\u00e7\u00e3o gradual de tarifas<\/strong> entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia, mas com cronogramas diferentes para cada bloco e mecanismos de prote\u00e7\u00e3o para setores considerados sens\u00edveis. Segundo a Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA), a Uni\u00e3o Europeia dever\u00e1 eliminar tarifas para cerca de <strong>93% dos produtos do Mercosul<\/strong> em at\u00e9 dez anos, enquanto o Mercosul prev\u00ea a redu\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria para aproximadamente <strong>91% dos produtos europeus<\/strong> em um prazo que pode chegar a 15 anos.<\/p>\n<p>A relev\u00e2ncia do tratado tamb\u00e9m est\u00e1 ligada ao peso econ\u00f4mico da Uni\u00e3o Europeia para o com\u00e9rcio exterior brasileiro. O bloco europeu est\u00e1 entre os principais parceiros comerciais do Brasil e concentra parte relevante das exporta\u00e7\u00f5es agropecu\u00e1rias e industriais do pa\u00eds, especialmente em segmentos de maior valor agregado.<\/p>\n<p>A abertura comercial tamb\u00e9m ser\u00e1 acompanhada de <strong>cotas tarif\u00e1rias, per\u00edodos de transi\u00e7\u00e3o e salvaguardas<\/strong>, instrumentos que permitem suspender temporariamente benef\u00edcios do acordo em caso de aumento repentino das importa\u00e7\u00f5es. Segundo a CNA, a l\u00f3gica do tratado busca evitar uma abertura abrupta do mercado e permitir <strong>adapta\u00e7\u00e3o gradual<\/strong> das cadeias produtivas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o de tarifas, o acordo envolve regras ligadas a investimentos, compras governamentais, normas t\u00e9cnicas e barreiras sanit\u00e1rias. Na pr\u00e1tica, isso significa que o acesso ao mercado europeu depende n\u00e3o apenas de condi\u00e7\u00f5es comerciais mais favor\u00e1veis, mas tamb\u00e9m da capacidade de atender <strong>exig\u00eancias regulat\u00f3rias<\/strong> j\u00e1 consolidadas pela Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), o tratado cria uma <strong>\u201cjanela de reposicionamento internacional\u201d<\/strong> para a ind\u00fastria brasileira. A entidade destaca que parte relevante das oportunidades de exporta\u00e7\u00e3o para empresas brasileiras come\u00e7a j\u00e1 no in\u00edcio da vig\u00eancia do acordo, enquanto a entrada de produtos europeus no Mercosul ocorrer\u00e1 de forma mais gradual para diferentes segmentos industriais.<\/p>\n<p>Segundo a CNI, cerca de 3 mil produtos brasileiros deixar\u00e3o de pagar tarifas para entrar na Uni\u00e3o Europeia, sendo mais de 90% ligados \u00e0 ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o. Entre os setores com maior potencial de impacto est\u00e3o <strong>m\u00e1quinas e equipamentos, alimentos e metalurgia<\/strong>. A entidade afirma que o aproveitamento dessas oportunidades depender\u00e1 da capacidade das empresas de compreender e aplicar os mecanismos previstos no acordo.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/mercosul-infografico-1024x683-1.png\" alt=\"infogr\u00e1fico explica o acordo mercosul-UE\" class=\"wp-image-1323742\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/mercosul-infografico-1024x683.png 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/mercosul-infografico-300x200.png 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/mercosul-infografico-768x512.png 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/mercosul-infografico-150x100.png 150w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/mercosul-infografico.png 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Acordo Mercosul-UE traz oportunidades pra o Brasil, mas tamb\u00e9m riscos e desafios que precisam ser avaliados e abordados com cautela \u2013 Imagem: Ana Figueiredo\/Olhar Digital com aux\u00edlio do ChatGPT<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Exig\u00eancias europeias e o efeito direto nas cadeias produtivas brasileiras<\/h2>\n<p>Se a redu\u00e7\u00e3o de tarifas amplia o potencial de acesso ao mercado europeu, o funcionamento pr\u00e1tico desse com\u00e9rcio depende cada vez mais do cumprimento de <strong>exig\u00eancias t\u00e9cnicas, sanit\u00e1rias e ambientais<\/strong> estabelecidas pela Uni\u00e3o Europeia. Na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas e entidades dos setores envolvidos, esse movimento tende a deslocar parte da competitividade internacional para \u00e1reas ligadas \u00e0 rastreabilidade, monitoramento e capacidade de adapta\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Para a CNA, o acordo melhora as condi\u00e7\u00f5es comerciais e amplia a previsibilidade para exportadores brasileiros, mas n\u00e3o altera os padr\u00f5es sanit\u00e1rios e ambientais exigidos pela Uni\u00e3o Europeia. A entidade afirma que produtos com tarifas reduzidas ainda podem enfrentar restri\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 <strong>habilita\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria, certifica\u00e7\u00e3o e conformidade regulat\u00f3ria<\/strong>.<\/p>\n<p>Para <strong>Leandro Gilio<\/strong>, professor do Insper Agro Global, o impacto tende a ser mais vis\u00edvel no agroneg\u00f3cio, setor que j\u00e1 opera sob um n\u00edvel elevado de exig\u00eancia t\u00e9cnica para acessar o mercado europeu. Segundo ele, a amplia\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es para a regi\u00e3o pode estimular a ado\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es tecnol\u00f3gicos mais avan\u00e7ados, embora esse movimento siga condicionado por cotas e outras restri\u00e7\u00f5es comerciais.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O mercado europeu tem exig\u00eancias significativas em quest\u00f5es fitossanit\u00e1rias, sanit\u00e1rias ou at\u00e9 mesmo relacionada \u00e0 qualidade e especificidade de produtos. O acordo, apesar de limitado por cotas e restri\u00e7\u00f5es que ainda ser\u00e3o existentes, abre a possibilidade de expans\u00e3o para esse mercado, o que pode estimular a ado\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es tecnol\u00f3gicos mais avan\u00e7ados.<\/p>\n<p><cite>Leandro Gilio, professor do Insper Agro Global<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do professor, a exig\u00eancia n\u00e3o se restringe ao produto final. Ela envolve maior coordena\u00e7\u00e3o entre diferentes etapas da cadeia produtiva, com dissemina\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas de <strong>rastreabilidade e monitoramento<\/strong> entre produtores, frigor\u00edficos e exportadores.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"573\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/tecnologia-agro-1024x573-1.jpg\" alt=\"Drone sobrevoa planta\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em opera\u00e7\u00e3o de monitoramento de lavoura\" class=\"wp-image-1323928\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/tecnologia-agro-1024x573.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/tecnologia-agro-300x168.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/tecnologia-agro-768x430.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/tecnologia-agro-1536x860.jpg 1536w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/tecnologia-agro-150x84.jpg 150w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/tecnologia-agro.jpg 2000w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tecnologias de monitoramento e rastreabilidade tendem a ganhar import\u00e2ncia com o avan\u00e7o das exig\u00eancias regulat\u00f3rias da Uni\u00e3o Europeia \u2013 Imagem: mommyjarie \/ Shutterstock<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Entre as regula\u00e7\u00f5es que ganham peso nesse cen\u00e1rio est\u00e1 o EUDR (Regulamento da Uni\u00e3o Europeia para Produtos Livres de Desmatamento), que amplia exig\u00eancias ligadas \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o de origem de produtos e cadeias produtivas. Segundo Gilio, esse tipo de norma tende a acelerar adapta\u00e7\u00f5es relacionadas ao uso de tecnologias de monitoramento e certifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A Uni\u00e3o Europeia segue ampliando padr\u00f5es ambientais, como as exig\u00eancias relacionadas ao EUDR, o que exige adapta\u00e7\u00f5es que muitas vezes est\u00e3o relacionadas ao uso de pacotes tecnol\u00f3gicos mais adequados.<\/p>\n<p><cite>Leandro Gilio, professor do Insper Agro Global<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>O tema ganhou novos contornos ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o de uma lista preliminar da Comiss\u00e3o Europeia que, em sua vers\u00e3o atual, <strong>n\u00e3o inclui o Brasil<\/strong> entre os pa\u00edses habilitados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco europeu dentro das novas exig\u00eancias relacionadas ao uso de antimicrobianos. A medida pode reduzir parte dos ganhos esperados com o acordo Mercosul\u2013UE caso seja mantida na vers\u00e3o final.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, a implementa\u00e7\u00e3o dessas exig\u00eancias ainda enfrenta desafios em segmentos mais complexos, como a <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/pecuaria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pecu\u00e1ria<\/a>, onde sistemas de rastreabilidade dependem de integra\u00e7\u00e3o cont\u00ednua entre diferentes elos da cadeia.<\/p>\n<p>Para Gilio, o Brasil j\u00e1 disp\u00f5e de parte das tecnologias necess\u00e1rias para atender aos requisitos europeus. O principal desafio, segundo ele, est\u00e1 menos na disponibilidade dessas solu\u00e7\u00f5es e mais na capacidade de dissemin\u00e1-las de forma coordenada ao longo da produ\u00e7\u00e3o. O professor afirma que o agroneg\u00f3cio brasileiro consolidou, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, uma estrutura mais est\u00e1vel de inova\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o tecnol\u00f3gica, apoiada por empresas, universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa como a Embrapa.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A ind\u00fastria brasileira entre abertura tecnol\u00f3gica e desafios de competitividade<\/h2>\n<p>Na ind\u00fastria, o debate sobre o acordo Mercosul\u2013UE envolve tanto o potencial de amplia\u00e7\u00e3o do acesso a mercados quanto os desafios de adapta\u00e7\u00e3o em um ambiente de concorr\u00eancia mais intensa. Parte da an\u00e1lise sobre o tratado est\u00e1 ligada \u00e0 capacidade de inser\u00e7\u00e3o do Brasil em <strong>cadeias internacionais de aprendizado e troca tecnol\u00f3gica<\/strong>, especialmente em setores mais expostos \u00e0 competi\u00e7\u00e3o global.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os (MDIC) afirma que a moderniza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria brasileira j\u00e1 vinha sendo estruturada antes do acordo, dentro da pol\u00edtica da Nova Ind\u00fastria Brasil (NIB). Na avalia\u00e7\u00e3o da pasta, o tratado pode funcionar como instrumento complementar ao ampliar o acesso da ind\u00fastria nacional ao mercado europeu e refor\u00e7ar sua integra\u00e7\u00e3o \u00e0s cadeias globais de valor.<\/p>\n<p>Para o especialista em tecnologia e inova\u00e7\u00e3o <strong>Arthur Igreja<\/strong>, a integra\u00e7\u00e3o internacional \u00e9 um elemento central para o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, especialmente em setores industriais expostos \u00e0 concorr\u00eancia global: \u201cNa hist\u00f3ria, n\u00e3o existe evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e de inova\u00e7\u00e3o sem interc\u00e2mbio\u201d, diz ele.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/tecnologia-industria-1024x682-1.jpg\" alt=\"Linha de produ\u00e7\u00e3o automatizada com bra\u00e7os rob\u00f3ticos em ambiente industrial\" class=\"wp-image-1323930\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/tecnologia-industria-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/tecnologia-industria-300x200.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/tecnologia-industria-768x512.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/tecnologia-industria-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/tecnologia-industria-150x100.jpg 150w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/tecnologia-industria.jpg 2000w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Especialistas avaliam que a ind\u00fastria brasileira precisar\u00e1 ampliar capacidade de adapta\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica para competir em um mercado mais integrado \u2013 Imagem: Snide12 \/ Shutterstock<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Segundo Igreja, o contato com economias mais avan\u00e7adas tende a acelerar processos de aprendizado e incorpora\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas produtivas j\u00e1 consolidadas em outros mercados. Na avalia\u00e7\u00e3o do especialista, a competitividade internacional faz parte da din\u00e2mica estrutural da economia global, especialmente em setores industriais de maior intensidade tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u00c9 vital que o Brasil se integre a essas cadeias. Alguns podem argumentar no curto prazo que a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 voraz, sim. Mas \u00e9 assim que a economia funciona, assim que o mundo funciona.<\/p>\n<p><cite>Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inova\u00e7\u00e3o<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>Na leitura de Igreja, os impactos do acordo sobre a ind\u00fastria dependem menos da exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 concorr\u00eancia em si e mais da capacidade de transformar esse interc\u00e2mbio em <strong>ganhos efetivos de produtividade<\/strong>. O especialista avalia que o acesso ampliado a tecnologias e pr\u00e1ticas produtivas pode acelerar a moderniza\u00e7\u00e3o industrial, desde que exista capacidade interna de absor\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o professor da Unifesp <strong>\u00c1lvaro Machado Dias<\/strong>, colunista do Olhar Digital, o acordo cria uma base de previsibilidade regulat\u00f3ria e redu\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria gradual que pode favorecer ajustes na estrutura produtiva brasileira ao longo do tempo.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O que o acordo oferece de concreto \u00e9 previsibilidade regulat\u00f3ria e redu\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria progressiva ao longo de at\u00e9 quinze anos, o que em tese cria uma janela de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><cite>\u00c1lvaro Machado Dias, neurocientista, professor da Unifesp e colunista do Olhar Digital<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>Segundo o professor, essa adapta\u00e7\u00e3o ocorre em um cen\u00e1rio marcado por <strong>restri\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito<\/strong> e baixa disposi\u00e7\u00e3o de investimento, fatores que podem limitar a capacidade de resposta da ind\u00fastria brasileira no curto e m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de \u00c1lvaro Machado Dias, um dos principais riscos \u00e9 que a moderniza\u00e7\u00e3o ocorra predominantemente por meio da <strong>importa\u00e7\u00e3o de tecnologia pronta<\/strong>, sem desenvolvimento proporcional de capacidade tecnol\u00f3gica local.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Com 23% dos industriais declarando \u00e0 CNI que n\u00e3o pretendem investir em 2026 e a Selic operando como freio de m\u00e3o sobre o cr\u00e9dito produtivo, o risco real \u00e9 que a moderniza\u00e7\u00e3o venha na forma de importa\u00e7\u00e3o de tecnologia pronta, n\u00e3o de capacita\u00e7\u00e3o end\u00f3gena. Ou seja, existe o risco de o acordo modernizar o consumo de tecnologia sem modernizar a produ\u00e7\u00e3o de tecnologia. Os ganhos n\u00e3o est\u00e3o garantidos.<\/p>\n<p><cite>\u00c1lvaro Machado Dias, professor da Unifesp e colunista do Olhar Digital<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>Segundo o professor, a predomin\u00e2ncia de investimentos financiados com recursos pr\u00f3prios e a dificuldade de acesso a capital de longo prazo reduzem a capacidade de execu\u00e7\u00e3o de projetos industriais mais complexos e de maior risco tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>\u00c1lvaro Machado Dias tamb\u00e9m aponta que parte das dificuldades da ind\u00fastria brasileira est\u00e1 relacionada ao chamado <strong>\u201cvale da morte\u201d entre pesquisa e aplica\u00e7\u00e3o comercial<\/strong>, express\u00e3o usada para descrever a dificuldade de transformar conhecimento cient\u00edfico em ganhos consistentes de produtividade.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do professor, o Brasil possui produ\u00e7\u00e3o relevante em \u00e1reas como <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/biotecnologia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">biotecnologia<\/a>, engenharia de materiais e computa\u00e7\u00e3o, mas enfrenta limita\u00e7\u00f5es na articula\u00e7\u00e3o entre universidades, empresas e pol\u00edticas p\u00fablicas. Esse cen\u00e1rio dificulta a transforma\u00e7\u00e3o de pesquisa em aplica\u00e7\u00e3o produtiva em escala.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o com o agroneg\u00f3cio ajuda a dimensionar essa diferen\u00e7a de trajet\u00f3ria. Enquanto o agro consolidou, ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, uma estrutura mais coordenada de <strong>desenvolvimento e difus\u00e3o tecnol\u00f3gica<\/strong>, a ind\u00fastria ainda enfrenta um ambiente mais fragmentado de inova\u00e7\u00e3o, com menor integra\u00e7\u00e3o entre pesquisa, investimento e produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para \u00c1lvaro Machado Dias, o desafio brasileiro n\u00e3o est\u00e1 apenas na gera\u00e7\u00e3o de tecnologia, mas na capacidade de transform\u00e1-la em produtividade de forma cont\u00ednua e integrada dentro das cadeias produtivas.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Onde o Brasil pode ganhar espa\u00e7o na nova configura\u00e7\u00e3o global<\/h2>\n<p>Al\u00e9m dos impactos sobre tarifas e acesso a mercados, o acordo Mercosul\u2013UE tamb\u00e9m amplia a discuss\u00e3o sobre quais setores brasileiros podem ganhar espa\u00e7o em cadeias globais ligadas a tecnologia, sustentabilidade e produtos de maior valor agregado. Na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas, esse potencial tende a se concentrar em \u00e1reas nas quais o Brasil j\u00e1 possui vantagens competitivas ligadas a recursos naturais, capacidade produtiva e conhecimento t\u00e9cnico.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"512\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/porto-exportacao-1024x512-1.jpg\" alt=\"Container com bandeira do Brasil em terminal de cargas cercado por cont\u00eaineres\" class=\"wp-image-1323929\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/porto-exportacao-1024x512.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/porto-exportacao-300x150.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/porto-exportacao-768x384.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/porto-exportacao-1536x768.jpg 1536w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/porto-exportacao-150x75.jpg 150w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/porto-exportacao.jpg 2000w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Acordo Mercosul\u2013UE amplia perspectivas de exporta\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m intensifica debates sobre competitividade e inser\u00e7\u00e3o internacional do Brasil \u2013 Imagem: PX Media \/ Shutterstock<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Para o professor da Unifesp <strong>\u00c1lvaro Machado Dias<\/strong>, segmentos ligados \u00e0 <strong>bioeconomia, <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/agricultura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">agricultura<\/a> de precis\u00e3o e minerais estrat\u00e9gicos<\/strong> aparecem entre as \u00e1reas com maior potencial de inser\u00e7\u00e3o internacional dentro da nova din\u00e2mica regulat\u00f3ria e ambiental que vem sendo consolidada por mercados como a Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O Brasil tem chances concretas em setores muito espec\u00edficos, como bioeconomia amaz\u00f4nica, agricultura de precis\u00e3o e minerais cr\u00edticos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, onde a posse do recurso natural confere poder de barganha que a manufatura gen\u00e9rica n\u00e3o confere.<\/p>\n<p><cite>\u00c1lvaro Machado Dias, professor da Unifesp e colunista do Olhar Digital<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>Segundo o professor, esses segmentos tendem a concentrar parte das oportunidades associadas ao avan\u00e7o de exig\u00eancias ambientais e tecnol\u00f3gicas em mercados internacionais. O movimento inclui \u00e1reas relacionadas \u00e0 rastreabilidade, monitoramento produtivo e cadeias ligadas \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, especialistas avaliam que a abertura comercial, por si s\u00f3, n\u00e3o garante avan\u00e7o tecnol\u00f3gico ou aumento autom\u00e1tico de competitividade. O impacto do acordo depende de fatores internos como investimento, coordena\u00e7\u00e3o produtiva e capacidade de transformar conhecimento t\u00e9cnico em produtividade.<\/p>\n<p>O Brasil ainda enfrenta limita\u00e7\u00f5es estruturais para converter parte de sua produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica em aplica\u00e7\u00e3o produtiva em escala, argumenta o professor. Segundo ele, sem maior articula\u00e7\u00e3o entre empresas, universidades, financiamento e pol\u00edticas industriais, o acesso ampliado a mercados tende a ter efeito limitado sobre a posi\u00e7\u00e3o brasileira nas cadeias globais de valor.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises sobre o acordo Mercosul\u2013UE variam entre vis\u00f5es mais otimistas e leituras mais cautelosas. Parte dos especialistas associa a integra\u00e7\u00e3o comercial \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do aprendizado tecnol\u00f3gico e ao acesso a mercados mais sofisticados. Outra parte aponta o risco de aumento da depend\u00eancia de tecnologias desenvolvidas fora do pa\u00eds, especialmente em setores industriais de maior intensidade tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>No centro desse debate est\u00e1 a capacidade de o Brasil transformar a abertura comercial em ganhos consistentes de produtividade, inova\u00e7\u00e3o e desenvolvimento tecnol\u00f3gico dentro de suas pr\u00f3prias cadeias produtivas.<\/p>\n<p><em>Al\u00e9m do MDIC, o Olhar Digital tamb\u00e9m procurou os minist\u00e9rios da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa) e da Fazenda, mas n\u00e3o recebeu retorno at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/05\/14\/pro\/mercosul-e-uniao-europeia-o-acordo-tambem-e-tech\/\">Mercosul e Uni\u00e3o Europeia: o acordo tamb\u00e9m \u00e9 tech<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O acordo entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia (UE) entrou em vigor de forma provis\u00f3ria em 1\u00ba de maio, ap\u00f3s mais de 25 anos de negocia\u00e7\u00f5es entre os dois blocos. Assinado em 17 de janeiro de 2026, o tratado estabelece a redu\u00e7\u00e3o ou elimina\u00e7\u00e3o gradual de tarifas sobre a maior parte dos produtos comercializados entre as<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":7702,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[33],"tags":[],"class_list":["post-7701","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7701","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7701"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7701\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7702"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7701"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7701"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7701"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}