{"id":7520,"date":"2026-05-09T12:10:26","date_gmt":"2026-05-09T15:10:26","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=7520"},"modified":"2026-05-09T12:10:26","modified_gmt":"2026-05-09T15:10:26","slug":"a-corrida-global-pelo-primeiro-sol-artificial-e-o-papel-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=7520","title":{"rendered":"A corrida global pelo primeiro \u201csol artificial\u201d \u2013 e o papel do Brasil"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>A fus\u00e3o nuclear <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/03\/26\/ciencia-e-espaco\/motor-plasma-fusao-nuclear-viagem-marte\/\">\u00e9 considerada uma das maiores promessas <\/a>para o futuro da energia. Capaz de gerar quantidades gigantescas de eletricidade com baixo impacto ambiental e alto n\u00edvel de seguran\u00e7a, ela est\u00e1 no centro de uma<a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2025\/09\/01\/ciencia-e-espaco\/sol-artificial-fusao-nuclear-ganha-forca-como-energia-do-futuro-nos-eua\/\"> corrida tecnol\u00f3gica global <\/a>que envolve governos, universidades e empresas privadas. Apesar do potencial, ainda enfrenta desafios cient\u00edficos importantes antes de se tornar uma realidade comercial.<\/p>\n<p><strong>Acompanhe a reportagem completa em v\u00eddeo! <\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\">\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title='A corrida global pelo primeiro \"sol artificial\" - e o papel do Brasil' width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8_23H61wMsY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n<\/figure>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-funciona-a-fusao-nuclear\"><strong>Como funciona a fus\u00e3o nuclear<\/strong><\/h2>\n<p>A fus\u00e3o nuclear \u00e9 o processo em que dois n\u00facleos at\u00f4micos leves se unem para formar um n\u00facleo mais pesado, liberando uma enorme quantidade de energia \u2014<a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/03\/27\/pro\/vem-ai-o-laser-de-defesa-da-marvel-uma-startup-alema\/\"> o mesmo fen\u00f4meno que alimenta o Sol<\/a> e todas as estrelas.<\/p>\n<p>Como explica o f\u00edsico Gustavo Canal, professor da USP, em entrevista ao <strong>Olhar Digital<\/strong>, trata-se do processo inverso ao das usinas nucleares atuais: em vez de quebrar \u00e1tomos pesados (fiss\u00e3o), a fus\u00e3o une \u00e1tomos leves. Segundo ele, \u201cao inv\u00e9s de voc\u00ea pegar um n\u00facleo grande e partir em dois pequenos, voc\u00ea pode pegar dois n\u00facleos pequenos, por exemplo de hidrog\u00eanio, e fundi-los para gerar um n\u00facleo maior\u201d. O resultado \u00e9 impressionante: por quilograma de combust\u00edvel, a fus\u00e3o libera cerca de 3 a 4 vezes mais energia do que a fiss\u00e3o \u2014 e milh\u00f5es de vezes mais do que os combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Para que isso aconte\u00e7a, \u00e9 necess\u00e1rio vencer a repuls\u00e3o natural entre os n\u00facleos, que possuem carga positiva. No interior do Sol, essa condi\u00e7\u00e3o \u00e9 garantida pela enorme for\u00e7a gravitacional. J\u00e1 na Terra, cientistas precisam recriar artificialmente esse ambiente \u2014 o que exige temperaturas superiores a 100 milh\u00f5es de graus Celsius.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Na imagem, uma estrela comum, como o Sol, que gera energia por fus\u00e3o nuclear. \u2013 Cr\u00e9dito: Nazarii_Neshcherenskyi \u2013 Shutterstock<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Nessas condi\u00e7\u00f5es, a mat\u00e9ria entra em um estado chamado plasma, um g\u00e1s extremamente quente e carregado eletricamente. O grande desafio \u00e9 manter esse plasma est\u00e1vel e sem contato com qualquer superf\u00edcie s\u00f3lida.<\/p>\n<p>Canal explica que isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com tecnologia sofisticada: \u201cn\u00f3s temos que dominar plasmas muito quentes (\u2026) usamos campos magn\u00e9ticos fort\u00edssimos para conter esses plasmas em uma c\u00e2mara de v\u00e1cuo; o plasma n\u00e3o toca essa parede em momento algum\u201d.<\/p>\n<p>Outro fator decisivo \u00e9 o combust\u00edvel. O deut\u00e9rio pode ser extra\u00eddo da \u00e1gua do mar, enquanto o tr\u00edtio pode ser produzido a partir do l\u00edtio, o que torna a fus\u00e3o uma fonte praticamente inesgot\u00e1vel de energia.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-os-desafios-da-fusao-nuclear\"><strong>Os desafios da fus\u00e3o nuclear<\/strong><\/h2>\n<p>Transformar esse potencial em realidade comercial ainda \u00e9 um desafio cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico complexo. O principal obst\u00e1culo est\u00e1 em reproduzir e manter as condi\u00e7\u00f5es extremas necess\u00e1rias para a fus\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das temperaturas elevad\u00edssimas, o controle do plasma \u00e9 uma das maiores dificuldades. Pequenas instabilidades podem comprometer todo o sistema.<\/p>\n<p>Como destaca Canal, \u201cquando voc\u00ea tenta aumentar a temperatura do plasma, a press\u00e3o acaba aumentando (\u2026) o problema \u00e9 que uma eje\u00e7\u00e3o massiva desse g\u00e1s tem o poder de destruir as paredes do reator\u201d. Segundo ele, essas instabilidades ainda n\u00e3o s\u00e3o totalmente compreendidas pela f\u00edsica atual.<\/p>\n<p>Outro desafio central \u00e9 alcan\u00e7ar o chamado \u201cganho energ\u00e9tico l\u00edquido\u201d de forma sustent\u00e1vel \u2014 ou seja, produzir mais energia do que a necess\u00e1ria para iniciar e manter a rea\u00e7\u00e3o por longos per\u00edodos. Um marco importante foi alcan\u00e7ado em dezembro de 2022, quando o National Ignition Facility (NIF), nos Estados Unidos, obteve pela primeira vez ganho energ\u00e9tico l\u00edquido em um experimento de fus\u00e3o por confinamento inercial. Desde ent\u00e3o, o resultado foi repetido e aperfei\u00e7oado, mas ainda est\u00e1 longe de uma opera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e comercial.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/News-NIF-037864-1024x683-1.jpg\" alt=\"fus\u00e3o nuclear\" class=\"wp-image-1314344\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/News-NIF-037864-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/News-NIF-037864-300x200.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/News-NIF-037864-768x512.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/News-NIF-037864-150x100.jpg 150w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/News-NIF-037864.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Marco de igni\u00e7\u00e3o da National Ignition Facility impulsiona o desenvolvimento \u2013 Imagem: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m obst\u00e1culos de engenharia, como o desenvolvimento de materiais capazes de suportar condi\u00e7\u00f5es extremas, e desafios econ\u00f4micos, j\u00e1 que os projetos exigem investimentos bilion\u00e1rios e infraestrutura altamente especializada.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-a-corrida-global-e-o-papel-do-brasil\"><strong>A corrida global \u2014 e o papel do Brasil<\/strong><\/h2>\n<p>A fus\u00e3o nuclear deixou de ser apenas um tema acad\u00eamico e passou a ocupar o centro de uma nova corrida tecnol\u00f3gica global. Mais de 50 pa\u00edses investem na \u00e1rea, enquanto projetos como o ITER, na Fran\u00e7a \u2014 atualmente em constru\u00e7\u00e3o e com opera\u00e7\u00e3o completa prevista para a d\u00e9cada de 2030 \u2014 tentam demonstrar a viabilidade da tecnologia em larga escala.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o setor privado passou a acelerar esse processo. O investimento global em startups de fus\u00e3o j\u00e1 ultrapassa US$ 7 bilh\u00f5es, e mais de 50 empresas disputam o desenvolvimento do primeiro reator comercial.<\/p>\n<p>Canal resume esse momento como uma mudan\u00e7a de paradigma: \u201cvirou uma nova corrida espacial, s\u00f3 que agora tudo sendo feito com recursos privados\u201d, com gigantes da tecnologia investindo bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Entre as <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/03\/27\/pro\/vem-ai-o-laser-de-defesa-da-marvel-uma-startup-alema\/\">empresas mais avan\u00e7adas <\/a>est\u00e1 a Commonwealth Fusion Systems (CFS), ligada ao MIT, que aposta em reatores compactos com \u00edm\u00e3s supercondutores de alta temperatura e planeja construir o primeiro reator comercial chamado SPARC. J\u00e1 a TAE Technologies segue uma abordagem alternativa, com reatores lineares e uso de intelig\u00eancia artificial. A Helion Energy, por sua vez, trabalha com reatores modulares e j\u00e1 firmou acordos para fornecer energia \u00e0 rede el\u00e9trica nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Zzp8J68jQArT080I_CSMCHeroShot-1024x683-1.jpg\" alt=\"Commonwealth Fusion Systems (CFS) a\" class=\"wp-image-1314339\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Zzp8J68jQArT080I_CSMCHeroShot-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Zzp8J68jQArT080I_CSMCHeroShot-300x200.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Zzp8J68jQArT080I_CSMCHeroShot-768x512.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Zzp8J68jQArT080I_CSMCHeroShot-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Zzp8J68jQArT080I_CSMCHeroShot-150x100.jpg 150w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Zzp8J68jQArT080I_CSMCHeroShot.jpg 1800w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Teste de bobina no Commonwealth Fusion Systems (CFS) \u2013 Imagem: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Al\u00e9m das empresas, governos tamb\u00e9m ampliaram seus investimentos, com programas bilion\u00e1rios nos Estados Unidos, Europa e \u00c1sia. <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/01\/14\/ciencia-e-espaco\/recorde-em-sol-artificial-chines-pode-mudar-tudo-na-fusao-nuclear\/\">A China, por exemplo, tem investido pesadamente <\/a>e opera o EAST (tokamak supercondutor avan\u00e7ado experimental), que recentemente alcan\u00e7ou recordes de dura\u00e7\u00e3o de plasma.<\/p>\n<p>No Brasil, o cen\u00e1rio ainda \u00e9 mais restrito e concentrado no setor p\u00fablico. \u201cAqui no Brasil \u00e9 puramente p\u00fablico (\u2026) n\u00e3o temos nenhuma empresa apostando em fus\u00e3o\u201d, afirma Canal.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o pa\u00eds possui ativos importantes. O <a href=\"https:\/\/portal.if.usp.br\/imprensa\/pt-br\/media-gallery\/detail\/325\/2477\">Brasil abriga tr\u00eas tokamaks<\/a> \u2014 equipamentos usados para estudar plasmas \u2014 incluindo o TCABR, na USP, que \u00e9 o \u00fanico tokamak em opera\u00e7\u00e3o no Hemisf\u00e9rio Sul.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"604\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/DSC_0001a-37.jpg\" alt=\"Tokamak \" class=\"wp-image-1314340\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/DSC_0001a-37.jpg 900w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/DSC_0001a-37-300x201.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/DSC_0001a-37-768x515.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/DSC_0001a-37-150x101.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tokamak TCABR no Laborat\u00f3rio de F\u00edsica de Plasmas do IFUSP. \u2013 Foto: Malu Tippi<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Para estruturar a \u00e1rea, foi criado o <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/cnen\/pt-br\/assunto\/pesquisa-desenvolvimento-e-ensino-na-area-nuclear\/PropostadeProgramaNacionaldeFusoNuclear2.pdf\">Programa de Fus\u00e3o Nuclear<\/a> (vinculado ao MCTI e \u00e0 Rede Nacional de Fus\u00e3o Nuclear), que busca formar especialistas, construir infraestrutura e estimular o surgimento de empresas no setor.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-por-que-a-fusao-e-uma-aposta-para-o-futuro\"><strong>Por que a fus\u00e3o \u00e9 uma aposta para o futuro<\/strong><\/h2>\n<p>O interesse global pela fus\u00e3o nuclear est\u00e1 ligado \u00e0s suas vantagens em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s fontes atuais de energia.<\/p>\n<p>Uma das principais \u00e9 a seguran\u00e7a. Diferentemente da fiss\u00e3o, a fus\u00e3o n\u00e3o gera rea\u00e7\u00f5es em cadeia fora de controle. Como explica Canal, \u201cusinas de fus\u00e3o s\u00e3o intrinsecamente seguras (\u2026) o m\u00e1ximo que pode acontecer \u00e9 o plasma apagar\u201d.<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/03\/26\/ciencia-e-espaco\/motor-plasma-fusao-nuclear-viagem-marte\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Reino Unido consegue fazer a primeira igni\u00e7\u00e3o de plasma em motor a fus\u00e3o; o que muda para viagem a Marte<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/03\/23\/inteligencia-artificial\/openai-negocia-compra-de-energia-com-startup-de-fusao-nuclear\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">OpenAI negocia compra de energia com startup de fus\u00e3o nuclear<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2022\/12\/29\/ciencia-e-espaco\/qual-a-diferenca-entre-fusao-e-fissao-nuclear\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Qual a diferen\u00e7a entre fus\u00e3o e fiss\u00e3o nuclear?<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Outro ponto fundamental \u00e9 o impacto ambiental. A fus\u00e3o n\u00e3o emite gases de efeito estufa e n\u00e3o produz res\u00edduos radioativos de longa dura\u00e7\u00e3o (embora alguns materiais do reator possam se tornar ativados pelos n\u00eautrons gerados, exigindo gerenciamento). Seu principal subproduto direto \u00e9 o h\u00e9lio.<\/p>\n<p>A abund\u00e2ncia de combust\u00edvel tamb\u00e9m refor\u00e7a esse potencial. \u201cQuando voc\u00ea pega o volume absoluto do oceano, \u00e9 um reservat\u00f3rio virtualmente infinito\u201d, diz o pesquisador ao se referir ao deut\u00e9rio presente na \u00e1gua do mar.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"769\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/KSTAR-reator-nuclear-1024x769-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-800690\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/KSTAR-reator-nuclear-1024x769.png 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/KSTAR-reator-nuclear-300x225.png 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/KSTAR-reator-nuclear-768x577.png 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/KSTAR-reator-nuclear-155x116.png 155w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/KSTAR-reator-nuclear-359x269.png 359w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/KSTAR-reator-nuclear-150x113.png 150w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/KSTAR-reator-nuclear-960x1200.png 960w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/KSTAR-reator-nuclear.png 1100w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u201cSol artificial coreano\u201d: o reator de fus\u00e3o KSTAR (sigla em ingl\u00eas para Pesquisa Avan\u00e7ada de Tokamak Supercondutor da Coreia). \u2013 Cr\u00e9dito: Instituto Coreano de Energia de Fus\u00e3o (KFE)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>A tecnologia tamb\u00e9m pode mudar o modelo de gera\u00e7\u00e3o de energia, com reatores menores e descentralizados. Segundo Canal, \u201cse voc\u00ea tiver reatores de fus\u00e3o de pequeno porte (\u2026) voc\u00ea produz aonde voc\u00ea consome\u201d.<\/p>\n<p>Diante disso, ele resume o impacto esperado: \u201cvai ser algo disruptivo na humanidade. Vai ser um divisor de \u00e1guas\u201d.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-uma-tecnologia-em-construcao\"><strong>Uma tecnologia em constru\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>Apesar dos avan\u00e7os \u2014 <a href=\"https:\/\/lasers.llnl.gov\/about\/what-is-nif\">incluindo o hist\u00f3rico ganho energ\u00e9tico l\u00edquido do NIF em 2022 <\/a>\u2014 a fus\u00e3o nuclear ainda \u00e9 um dos maiores desafios da engenharia do s\u00e9culo XXI. A expectativa \u00e9 que as primeiras usinas comerciais entrem em opera\u00e7\u00e3o entre 2040 e 2050, embora empresas privadas como a CFS e a Helion Energy tentem antecipar esse prazo para o final dos anos 2020 ou in\u00edcio dos 2030.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/NIF-1024x683jpeg.webp\" alt=\"Laborat\u00f3rio Nacional Lawrence Livermore\n\" class=\"wp-image-1314342\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/NIF-1024x683.jpeg.webp 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/NIF-1024x683.jpeg-300x200.webp 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/NIF-1024x683.jpeg-768x512.webp 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/NIF-1024x683.jpeg-150x100.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">National Ignition Facility (NIF) nos EUA alcan\u00e7ou um marco hist\u00f3rico na fus\u00e3o nuclear ao conseguir \u201cigni\u00e7\u00e3o\u201d pela primeira vez \u2013 Imagem: Laborat\u00f3rio Nacional Lawrence Livermore<\/figcaption><\/figure>\n<p>Enquanto isso, o desenvolvimento da fus\u00e3o j\u00e1 gera efeitos concretos, impulsionando tecnologias como supercondutores, novos materiais e sistemas avan\u00e7ados de energia.<\/p>\n<p>No Brasil, o avan\u00e7o nessa \u00e1rea pode representar mais do que uma nova fonte energ\u00e9tica: pode ser uma oportunidade estrat\u00e9gica de inser\u00e7\u00e3o em uma ind\u00fastria global de alta tecnologia.<\/p>\n<p>Se os desafios forem superados, a fus\u00e3o nuclear pode redefinir a forma como o mundo produz energia \u2014 oferecendo uma fonte limpa, segura e praticamente inesgot\u00e1vel para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/05\/09\/ciencia-e-espaco\/a-corrida-global-pelo-primeiro-sol-artificial-e-o-papel-do-brasil\/\">A corrida global pelo primeiro \u201csol artificial\u201d \u2013 e o papel do Brasil<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fus\u00e3o nuclear \u00e9 considerada uma das maiores promessas para o futuro da energia. Capaz de gerar quantidades gigantescas de eletricidade com baixo impacto ambiental e alto n\u00edvel de seguran\u00e7a, ela est\u00e1 no centro de uma corrida tecnol\u00f3gica global que envolve governos, universidades e empresas privadas. Apesar do potencial, ainda enfrenta desafios cient\u00edficos importantes antes<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":7521,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[33],"tags":[],"class_list":["post-7520","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7520","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7520"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7520\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7521"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7520"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7520"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7520"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}