{"id":7153,"date":"2026-05-01T06:28:53","date_gmt":"2026-05-01T09:28:53","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=7153"},"modified":"2026-05-01T06:28:53","modified_gmt":"2026-05-01T09:28:53","slug":"em-breve-a-tv-aberta-vai-mudar-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=7153","title":{"rendered":"Em breve, a TV aberta vai mudar no Brasil"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>No \u00faltimo dia 14, o <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Brasil<\/a> iniciou a fase pr\u00e1tica da pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o da <strong><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/tv-aberta\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">televis\u00e3o aberta<\/a><\/strong>. Na Torre de TV de Bras\u00edlia, o Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es, a Anatel e a EBC <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/04\/14\/pro\/tv-3-0-brasilia-inaugura-estacao-de-testes-da-nova-geracao-da-tv-aberta\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">inauguraram a esta\u00e7\u00e3o de testes da <strong>TV 3.0<\/strong><\/a>, marco inicial de uma transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que deve se estender por at\u00e9 15 anos e alcan\u00e7ar cerca de 90 milh\u00f5es de televisores no pa\u00eds. As primeiras transmiss\u00f5es experimentais est\u00e3o previstas para 2026, com in\u00edcio nas grandes capitais.<\/p>\n<p>A nova tecnologia, chamada de <strong>DTV+<\/strong>, vai al\u00e9m de uma evolu\u00e7\u00e3o na qualidade de imagem. Ela combina o sinal broadcast tradicional com a internet, transformando a TV aberta em uma plataforma interativa com navega\u00e7\u00e3o por aplicativos, conte\u00fado sob demanda, publicidade segmentada e recursos de acessibilidade ampliados.<\/p>\n<p>O modelo mant\u00e9m a gratuidade da TV aberta, que segue como principal meio de consumo de v\u00eddeo no pa\u00eds. Segundo dados da Kantar Ibope de mar\u00e7o de 2025, ela ainda responde por 70% de todo o consumo de v\u00eddeo no Brasil.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-um-novo-padrao-para-uma-televisao-de-alta-presenca-no-cotidiano\">Um novo padr\u00e3o para uma televis\u00e3o de alta presen\u00e7a no cotidiano<\/h2>\n<p>Para entender a dimens\u00e3o da mudan\u00e7a, \u00e9 necess\u00e1rio observar o cen\u00e1rio atual. O sistema de TV digital em uso no Brasil desde 2007 transmite em 1080i, um formato entrela\u00e7ado que, na pr\u00e1tica, entrega ao telespectador uma qualidade percebida mais pr\u00f3xima de 720p progressivo.<\/p>\n<ul>\n<li>O <strong>\u201ci\u201d<\/strong> e o <strong>\u201cp\u201d<\/strong> indicam <strong>como a imagem \u00e9 desenhada na tela<\/strong>. <\/li>\n<li>Ent\u00e3o, o n\u00famero fala da <strong>quantidade de linhas da imagem<\/strong>; a letra fala do <strong>modo como essa imagem aparece na tela<\/strong>.<\/li>\n<li><strong>i = interlaced, ou entrela\u00e7ado<\/strong>: a imagem \u00e9 formada em duas etapas. Primeiro aparecem as linhas \u00edmpares da imagem, depois as linhas pares. Ou seja, cada quadro \u00e9 \u201cmontado em partes\u201d.<\/li>\n<li>Isso era \u00fatil para transmiss\u00e3o de TV porque economizava banda, mas pode gerar perda de nitidez em cenas r\u00e1pidas.<\/li>\n<li><strong>p = progressive, ou progressivo<\/strong>: a imagem \u00e9 formada de uma vez s\u00f3, com todas as linhas exibidas em sequ\u00eancia dentro do mesmo quadro.<\/li>\n<li>Por isso, o <strong>\u201cp\u201d costuma ser melhor para movimento<\/strong>, como futebol, games, a\u00e7\u00e3o e c\u00e2meras r\u00e1pidas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Sergio Bruzetti, coordenador do M\u00f3dulo de Mercado do F\u00f3rum SBTVD, explica que o sinal entrela\u00e7ado exibe metade das linhas da imagem em cada atualiza\u00e7\u00e3o, o que impacta a percep\u00e7\u00e3o de nitidez em cenas com maior movimento. O modelo, segundo ele, cumpriu seu papel ao viabilizar a digitaliza\u00e7\u00e3o da TV aberta com ampla cobertura e acesso gratuito, mas a evolu\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitos de consumo tornou o salto tecnol\u00f3gico necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>O contexto ajuda a explicar a movimenta\u00e7\u00e3o do setor. Os brasileiros passam, em m\u00e9dia, 5 horas e 14 minutos por dia em frente \u00e0 televis\u00e3o linear, segundo dados da Kantar Ibope de 2024. A TV est\u00e1 presente em 95% dos lares do pa\u00eds, de acordo com a PNAD TIC de 2021, e \u00e9 apontada como o meio de comunica\u00e7\u00e3o mais confi\u00e1vel por 42,5% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o avan\u00e7o do streaming altera o equil\u00edbrio do mercado. Em dezembro de 2024, plataformas digitais alcan\u00e7aram 20,1% da audi\u00eancia total no Brasil, com o YouTube liderando com 12,6% e a Netflix com 4,6%, segundo a Kantar Ibope. J\u00e1 a TV paga segue em retra\u00e7\u00e3o, encerrando 2025 com 7,6 milh\u00f5es de pontos ativos, queda de 17,7% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior e o menor patamar desde 2009.<\/p>\n<p>Para o especialista em tecnologia e inova\u00e7\u00e3o Arthur Igreja, a TV 3.0 ainda ter\u00e1 espa\u00e7o mesmo em um ambiente dominado pelas plataformas digitais. Ele afirma: \u201cTem toda essa interatividade dessa tecnologia que est\u00e1 chegando e que tem sim uma parte importante do p\u00fablico que n\u00e3o tem nenhuma dessas assinaturas, seja porque n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o tecnol\u00f3gico ou porque n\u00e3o tem os recursos financeiros\u201d.<\/p>\n<p>Igreja destaca ainda que as tecnologias n\u00e3o s\u00e3o excludentes: \u201cMesmo quem j\u00e1 tem streaming vai ganhar numa s\u00e9rie de conte\u00fados e canais que hoje a pessoa consome sem isso\u201d.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Plataformas de streamings est\u00e3o ficando mais populares. Imagem gerada por IA (ChatGPt\/Olhar Digital) \u2013 Imagem criada por intelig\u00eancia artificial (ChatGPT \/ Olhar Digital)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Navega\u00e7\u00e3o por aplicativos e integra\u00e7\u00e3o com a internet<\/h2>\n<p>A principal mudan\u00e7a para o telespectador ser\u00e1 na forma de intera\u00e7\u00e3o com a TV. O acesso aos canais, hoje feito por n\u00fameros, passa a ocorrer por meio de uma interface baseada em aplicativos e \u00edcones, em um ambiente semelhante ao das plataformas de streaming.<\/p>\n<p>Segundo o F\u00f3rum SBTVD, canais e emissoras tendem a operar em formato de aplicativos dentro da interface da TV. A integra\u00e7\u00e3o com a internet amplia a experi\u00eancia para al\u00e9m do conte\u00fado linear, permitindo acesso a cat\u00e1logos sob demanda, m\u00faltiplos \u00e2ngulos de imagem, diferentes trilhas de \u00e1udio, enquetes em tempo real, publicidade segmentada e recomenda\u00e7\u00f5es personalizadas.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a tamb\u00e9m abre espa\u00e7o para novas aplica\u00e7\u00f5es, como alertas de emerg\u00eancia mais precisos, servi\u00e7os p\u00fablicos digitais e recursos ampliados de acessibilidade.<\/p>\n<p>Arthur Igreja observa que a experi\u00eancia tende a ser mais integrada: \u201c\u00c9 muito mais interativo, \u00e9 muito mais participativo, essa integra\u00e7\u00e3o que hoje muitas vezes acontece com a chamada segunda tela passa a acontecer de uma forma muito mais integrada\u201d.<\/p>\n<p>Ele acrescenta que a mudan\u00e7a tamb\u00e9m afeta o comportamento de consumo: \u201cA forma n\u00e3o s\u00f3 ao assistir, ao se programar para assistir ou na escolha do conte\u00fado, muda\u201d.<\/p>\n<p>Do lado das emissoras, o conte\u00fado principal continuar\u00e1 sendo transmitido via broadcast, garantindo qualidade e estabilidade para grandes audi\u00eancias simult\u00e2neas. A internet atua como complemento, ampliando funcionalidades como cat\u00e1logo de conte\u00fados, retomada de programas e personaliza\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Mesmo sem conex\u00e3o \u00e0 internet, a programa\u00e7\u00e3o aberta continuar\u00e1 acess\u00edvel normalmente, com melhorias de imagem e som do novo padr\u00e3o. Os recursos interativos dependem da conectividade, mas n\u00e3o afetam o acesso ao sinal b\u00e1sico.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tecnologia e padr\u00f5es da TV 3.0<\/h2>\n<p>O padr\u00e3o tecnol\u00f3gico adotado como base da TV 3.0 \u00e9 o ATSC 3.0, definido ap\u00f3s testes de campo realizados pelo F\u00f3rum SBTVD entre 2023 e 2024 e oficializado por decreto em 2025.<\/p>\n<p>Um dos principais componentes do sistema \u00e9 o codec VVC (Versatile Video Coding), que oferece ganho de efici\u00eancia de aproximadamente 50% em rela\u00e7\u00e3o ao MPEG-4. <\/p>\n<p>Segundo Sergio Bruzetti, \u201cessa evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para viabilizar a TV 3.0, pois possibilita a transmiss\u00e3o de conte\u00fados em 4K, e futuramente at\u00e9 8K, algo que n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel no modelo atual sem comprometer a qualidade ou a capacidade de transmiss\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O \u00e1udio tamb\u00e9m evolui com a ado\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o MPEG-H, que permite som imersivo e ajustes individualizados, como separa\u00e7\u00e3o entre voz, trilha sonora e efeitos, al\u00e9m de sele\u00e7\u00e3o de idiomas.<\/p>\n<p>Na esta\u00e7\u00e3o de testes inaugurada em Bras\u00edlia, equipamentos foram instalados na Torre de TV com apoio da entidade Seja Digital. A estrutura j\u00e1 transmite conte\u00fados experimentais na nova faixa de canais destinada ao padr\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Custos e desafios da transi\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o da TV 3.0 exigir\u00e1 adapta\u00e7\u00e3o dos televisores atuais, que n\u00e3o s\u00e3o compat\u00edveis com o novo padr\u00e3o. A solu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o uso de conversores conectados \u00e0s TVs existentes, com custo estimado entre R$ 300 e R$ 400.<\/p>\n<p>Arthur Igreja avalia que o fator econ\u00f4mico \u00e9 relevante no curto prazo: \u201c\u00c9 uma barreira que n\u00e3o \u00e9 desprez\u00edvel. V\u00e3o ter pessoas que podem considerar assinar um streaming\u201d.<\/p>\n<p>Ele, no entanto, v\u00ea a transi\u00e7\u00e3o como gradual: \u201cAssim como aconteceu com as smart TVs, com o tempo isso vai ser um recurso absolutamente integrado\u201d.<\/p>\n<p>Para as emissoras, o investimento tamb\u00e9m \u00e9 significativo. A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Emissoras de R\u00e1dio e Televis\u00e3o (ABERT) estima que a replica\u00e7\u00e3o da cobertura atual da TV digital em todo o territ\u00f3rio nacional exigiria cerca de R$ 21,79 bilh\u00f5es em sistemas de transmiss\u00e3o. Em um cen\u00e1rio inicial restrito \u00e0s capitais e regi\u00f5es metropolitanas, o valor estimado \u00e9 de R$ 4,95 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo a entidade, o avan\u00e7o da implanta\u00e7\u00e3o depender\u00e1 de previsibilidade regulat\u00f3ria, coordena\u00e7\u00e3o entre os agentes do setor e mecanismos de financiamento capazes de viabilizar a participa\u00e7\u00e3o de emissoras de diferentes portes.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cronograma, custos e os desafios para colocar a TV 3.0 em opera\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O cronograma prev\u00ea o in\u00edcio das transmiss\u00f5es da TV 3.0 em junho de 2026, com as primeiras implanta\u00e7\u00f5es concentradas em grandes centros urbanos, como Bras\u00edlia, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. A expans\u00e3o para outras regi\u00f5es deve ocorrer de forma gradual, em um processo que pode se estender por at\u00e9 15 anos at\u00e9 a cobertura nacional completa.<\/p>\n<p>A implementa\u00e7\u00e3o, no entanto, depende de uma s\u00e9rie de fatores t\u00e9cnicos e institucionais. Para o setor, trata-se de uma transi\u00e7\u00e3o de larga escala que exige conviv\u00eancia entre sistemas, adapta\u00e7\u00e3o progressiva de infraestrutura e disponibilidade de receptores compat\u00edveis no mercado.<\/p>\n<p>Para Arthur Igreja, o cronograma \u00e9 vi\u00e1vel, mas sujeito a vari\u00e1veis externas. \u201cO que pode atrasar s\u00e3o quest\u00f5es burocr\u00e1ticas, de disponibilidade de tecnologia, log\u00edsticas. O mundo est\u00e1 sofrendo com uma s\u00e9rie de instabilidades\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Segundo a ABERT, o avan\u00e7o do projeto depender\u00e1 de previsibilidade regulat\u00f3ria, coordena\u00e7\u00e3o entre os agentes do setor e cria\u00e7\u00e3o de mecanismos de financiamento que permitam a participa\u00e7\u00e3o de emissoras de diferentes portes ao longo da transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma transi\u00e7\u00e3o de padr\u00e3o tecnol\u00f3gico e de experi\u00eancia de consumo<\/h2>\n<p>A TV 3.0 se insere em uma sequ\u00eancia de mudan\u00e7as estruturais da televis\u00e3o brasileira, como a migra\u00e7\u00e3o do sinal anal\u00f3gico para o digital e a consolida\u00e7\u00e3o das smart TVs. No entanto, especialistas do setor apontam que esta etapa traz uma diferen\u00e7a central: parte da experi\u00eancia proposta j\u00e1 \u00e9 familiar ao p\u00fablico, por estar presente em plataformas digitais.<\/p>\n<p>A proposta da DTV+ \u00e9 aproximar a televis\u00e3o aberta dessa l\u00f3gica de uso, com navega\u00e7\u00e3o por aplicativos, integra\u00e7\u00e3o com internet e maior flexibilidade de consumo, sem alterar seu car\u00e1ter de servi\u00e7o gratuito e universal.<\/p>\n<p>Em vez de substituir o modelo atual, a transi\u00e7\u00e3o busca ampliar suas camadas de funcionalidade, combinando transmiss\u00e3o tradicional e conectividade em uma mesma estrutura t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/05\/01\/pro\/em-breve-a-tv-aberta-vai-mudar-no-brasil\/\">Em breve, a TV aberta vai mudar no Brasil<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia 14, o Brasil iniciou a fase pr\u00e1tica da pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o aberta. 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