{"id":5248,"date":"2026-03-24T18:01:55","date_gmt":"2026-03-24T21:01:55","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/2026\/03\/24\/o-limite-da-imortalidade-estudo-revela-por-que-nao-podemos-clonar-mamiferos-para-sempre\/"},"modified":"2026-03-24T18:01:55","modified_gmt":"2026-03-24T21:01:55","slug":"o-limite-da-imortalidade-estudo-revela-por-que-nao-podemos-clonar-mamiferos-para-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=5248","title":{"rendered":"O limite da \u201cimortalidade\u201d: estudo revela por que n\u00e3o podemos clonar mam\u00edferos para sempre"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><strong>Ap\u00f3s 20 anos de pesquisas<\/strong> e mais de 1.200 camundongos gerados, cientistas japoneses demonstram que a <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/clonagem\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">clonagem<\/a> em s\u00e9rie tem um fim biol\u00f3gico determinado pelo ac\u00famulo de \u201clixo gen\u00e9tico\u201d.<\/p>\n<p>Desde o nascimento da ovelha Dolly em 1997, a ci\u00eancia persegue a resposta para uma pergunta fundamental: <strong>seria poss\u00edvel manter uma linhagem de um animal indefinidamente por meio da clonagem?<\/strong> Um estudo monumental publicado na revista <em><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-026-69765-7\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nature Communications<\/a><\/em> nesta ter\u00e7a-feira (24) acaba de provar que a resposta, para mam\u00edferos, \u00e9 n\u00e3o.<\/p>\n<p>Pesquisadores da Universidade de Yamanashi, no Jap\u00e3o, acompanharam gera\u00e7\u00f5es de camundongos clonados sucessivamente por duas d\u00e9cadas. A conclus\u00e3o \u00e9 que o processo possui um limite biol\u00f3gico intranspon\u00edvel devido ao ac\u00famulo progressivo de <strong>muta\u00e7\u00f5es letais no DNA<\/strong>.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-a-queda-da-58\u00aa-geracao\">A queda da 58\u00aa gera\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O experimento come\u00e7ou em 2005 com uma \u00fanica f\u00eamea doadora. Nas primeiras gera\u00e7\u00f5es, os clones pareciam saud\u00e1veis e a taxa de sucesso chegou a 15,5%. No entanto, a partir da 27\u00aa gera\u00e7\u00e3o, os n\u00fameros come\u00e7aram a despencar.<\/p>\n<p>A \u201cbarreira final\u201d foi atingida na <strong>58\u00aa gera\u00e7\u00e3o<\/strong>, que marcou o colapso do experimento quando todos os filhotes morreram logo ap\u00f3s o nascimento.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que o ac\u00famulo dessas muta\u00e7\u00f5es acabou ultrapassando um limite, levando \u00e0 incapacidade de reprodu\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Teruhiko Wakayama, autor do estudo, em entrevista ao <strong><em><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/ciencia\/noticia\/2026\/03\/24\/o-que-acontece-quando-um-clone-e-clonado-repetidas-vezes.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">G1<\/a><\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>Diferente do que se acreditava, o problema n\u00e3o era apenas \u201c<strong>epigen\u00e9tico<\/strong>\u201d (como os genes s\u00e3o ativados), mas <strong>erros f\u00edsicos no c\u00f3digo gen\u00e9tico<\/strong>. A cada nova gera\u00e7\u00e3o, o genoma acumulava:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>70 pequenas muta\u00e7\u00f5es<\/strong> (SNVs) em m\u00e9dia.<\/li>\n<li><strong>1,5 altera\u00e7\u00f5es estruturais maiores<\/strong> (SVs).<\/li>\n<\/ul>\n<p>Ap\u00f3s a 23\u00aa gera\u00e7\u00e3o, a carga tornou-se insustent\u00e1vel, resultando em <strong>perda de cromossomos inteiros<\/strong> e genes vitais completamente inativados.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-a-catraca-de-muller-e-o-papel-do-sexo\">A \u201cCatraca de Muller\u201d e o papel do sexo<\/h2>\n<p>Os resultados confirmam na pr\u00e1tica a teoria da <strong>Catraca de Muller<\/strong>, que prev\u00ea que linhagens sem reprodu\u00e7\u00e3o sexual acumulam muta\u00e7\u00f5es prejudiciais de forma irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>A grande descoberta \u00e9 que o sexo funciona como uma ferramenta de corre\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. Quando os pesquisadores cruzaram f\u00eameas clonadas de gera\u00e7\u00f5es tardias com machos normais, o resultado foi surpreendente: a taxa de nascimento subiu e as anomalias desapareceram nas gera\u00e7\u00f5es seguintes, funcionando como uma \u201creinicializa\u00e7\u00e3o\u201d do sistema.<\/p>\n<p>Embora o estudo revele um limite para a clonagem em s\u00e9rie, a t\u00e9cnica continua sendo uma promessa valiosa para:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Preserva\u00e7\u00e3o:<\/strong> resgate de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Pecu\u00e1ria:<\/strong> produ\u00e7\u00e3o em escala de animais de alta qualidade, como o gado Wagyu, tornando carnes nobres mais acess\u00edveis.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Como explicou Wakayama ao <em>G1<\/em>, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 garantir que essas muta\u00e7\u00f5es n\u00e3o representem problemas para o consumo humano ou para a sa\u00fade dos rebanhos a curto prazo.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/03\/24\/ciencia-e-espaco\/o-limite-da-imortalidade-estudo-revela-por-que-nao-podemos-clonar-mamiferos-para-sempre\/\">O limite da \u201cimortalidade\u201d: estudo revela por que n\u00e3o podemos clonar mam\u00edferos para sempre<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s 20 anos de pesquisas e mais de 1.200 camundongos gerados, cientistas japoneses demonstram que a clonagem em s\u00e9rie tem um fim biol\u00f3gico determinado pelo ac\u00famulo de \u201clixo gen\u00e9tico\u201d. 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