{"id":4952,"date":"2026-03-20T12:03:56","date_gmt":"2026-03-20T15:03:56","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/2026\/03\/20\/cientistas-encontram-evidencia-mais-antiga-de-tectonica-de-placas\/"},"modified":"2026-03-20T12:03:56","modified_gmt":"2026-03-20T15:03:56","slug":"cientistas-encontram-evidencia-mais-antiga-de-tectonica-de-placas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=4952","title":{"rendered":"Cientistas encontram evid\u00eancia mais antiga de tect\u00f4nica de placas"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Imagine s\u00f3: h\u00e1 3,5 bilh\u00f5es de anos, a <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/australia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Austr\u00e1lia<\/a> estava se deslocando em dire\u00e7\u00e3o ao Polo Sul a uma velocidade de quase meio metro por ano. Isto representa um ritmo <strong>sete vezes mais r\u00e1pido<\/strong> que qualquer <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/placas-tectonicas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">placa tect\u00f4nica<\/a> se move hoje. Essa descoberta acaba de ser apresentada como a <strong>evid\u00eancia direta mais antiga do movimento das placas tect\u00f4nicas na Terra<\/strong>.<\/p>\n<p>A equipe de pesquisadores liderada pelo Dr. Alec Brenner, da Universidade de Yale, encontrou essas evid\u00eancias no <strong>Craton de Pilbara<\/strong>, na Austr\u00e1lia Ocidental. Essa regi\u00e3o guarda alguns dos registros mais antigos de vida no planeta e agora tamb\u00e9m revela como os continentes se movimentavam quando a Terra ainda era jovem. A pesquisa foi publicada na revista <strong><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.adw9250\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Science<\/a><\/strong>.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Estromat\u00f3litos em Shark Bay, na Austr\u00e1lia Ocidental. A regi\u00e3o do Pilbara, onde foi realizado o estudo, guarda alguns dos registros mais antigos de vida no planeta (Imagem: s_porter01 \/ iStock)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-que-torna-essa-descoberta-relevante\">O que torna essa descoberta relevante?<\/h2>\n<p>Determinar quando as placas tect\u00f4nicas come\u00e7aram a se mover \u00e9 uma das grandes quest\u00f5es da ci\u00eancia planet\u00e1ria. Algumas evid\u00eancias indiretas sugerem que esse processo come\u00e7ou h\u00e1 quase <strong>4,6 bilh\u00f5es de anos<\/strong>, praticamente junto com a forma\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/terra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Terra<\/a>. No outro extremo, h\u00e1 quem defenda que tudo come\u00e7ou h\u00e1 apenas <strong>700 milh\u00f5es de anos<\/strong>, ao fim de um per\u00edodo conhecido como o \u201cbilh\u00e3o entediante\u201d.<\/p>\n<p>Com essa pesquisa, Brenner e sua equipe conseguiram estreitar essa janela temporal de forma significativa. \u201cCom este estudo, conseguimos dizer que h\u00e1 3,5 bilh\u00f5es de anos, podemos ver placas se movendo pela superf\u00edcie da Terra\u201d, declarou o pesquisador.<\/p>\n<p>O Craton de Pilbara se formou h\u00e1 cerca de <strong>3,8 bilh\u00f5es de anos<\/strong>. Hoje a regi\u00e3o parece pacata, mas os registros mostram que ela viveu um per\u00edodo de movimento intenso.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-os-pesquisadores-chegaram-a-essa-conclusao\">Como os pesquisadores chegaram a essa conclus\u00e3o<\/h2>\n<p>A t\u00e9cnica utilizada \u00e9 fascinante. A equipe coletou <strong>931 amostras de rocha em mais de 100 locais diferentes<\/strong> e analisou o magnetismo presente nelas. Cada rocha funciona como uma esp\u00e9cie de \u201cb\u00fassola f\u00f3ssil\u201d, registrando a dire\u00e7\u00e3o do campo magn\u00e9tico da Terra no momento em que se resfriou.<\/p>\n<p>As varia\u00e7\u00f5es encontradas n\u00e3o eram apenas as invers\u00f5es magn\u00e9ticas que conhecemos, quando o norte se torna sul, mas mudan\u00e7as mais sutis na orienta\u00e7\u00e3o. Para identific\u00e1-las, os pesquisadores aqueceram progressivamente as rochas a quase <strong>600\u00b0C<\/strong>, ponto em que todo o magnetismo \u00e9 perdido, o que permitiu diferenciar sinais criados em momentos distintos.<\/p>\n<p>Essas mudan\u00e7as s\u00f3 teriam duas explica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis: ou os polos magn\u00e9ticos da Terra se moveram de forma dram\u00e1tica, ou o pr\u00f3prio continente se deslocou. Como n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de movimentos t\u00e3o intensos dos polos em outras partes do mundo no mesmo per\u00edodo, a conclus\u00e3o aponta para o movimento continental.<\/p>\n<p>\u201cApostamos muito alto\u201d, disse Brenner, hoje p\u00f3s-doutorando em Yale. \u201cDesmagnetizar milhares de n\u00facleos leva anos. E valeu muito a pena! Os resultados superaram nossos sonhos mais ousados.\u201d<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-uma-corrida-rumo-ao-sul\">Uma corrida rumo ao sul<\/h2>\n<p>Os n\u00fameros impressionam. A regi\u00e3o hoje conhecida como <strong>Pilbara Oriental<\/strong> se moveu <strong>24 graus de latitude em apenas 30 milh\u00f5es de anos<\/strong>, terminando sua jornada a <strong>77\u00b0 Sul<\/strong>, mais ao sul que grande parte da Ant\u00e1rtida atual. No auge desse deslocamento, a regi\u00e3o se movia a aproximadamente <strong>47 cent\u00edmetros por ano<\/strong>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de avan\u00e7ar para o sul, o Pilbara tamb\u00e9m <strong>girou no sentido hor\u00e1rio por mais de 100 graus<\/strong> nesse per\u00edodo, algo ainda mais distante do padr\u00e3o dos movimentos continentais observados hoje.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-misterio-da-parada-subita\">O mist\u00e9rio da parada s\u00fabita<\/h2>\n<p>Depois de toda essa agita\u00e7\u00e3o, algo curioso aconteceu: o Pilbara praticamente parou. Por <strong>25 milh\u00f5es de anos<\/strong>, o movimento foi t\u00e3o pequeno que sequer p\u00f4de ser medido, como se o continente tivesse se esgotado ap\u00f3s tanta atividade.<\/p>\n<p>Enquanto isso, outras regi\u00f5es do planeta n\u00e3o passavam pela mesma experi\u00eancia. O <strong>Cintur\u00e3o de Pedra Verde de Barberton<\/strong>, na \u00c1frica do Sul, uma das poucas regi\u00f5es do mundo com rochas de idade similar, permaneceu praticamente im\u00f3vel durante o mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-implicacoes-para-a-compreensao-da-terra-primitiva\">Implica\u00e7\u00f5es para a compreens\u00e3o da Terra primitiva<\/h2>\n<p>A descoberta for\u00e7a os cientistas a repensar como funcionava a tect\u00f4nica de placas nos prim\u00f3rdios da Terra. Atualmente, o planeta opera em um sistema chamado de \u201ctampa ativa\u201d. Nos primeiros dias da Terra, muitos ge\u00f3logos acreditavam na exist\u00eancia de uma \u201c<strong>tampa estagnada<\/strong>\u201d ou \u201ctampas lentas\u201d, com pouco ou nenhum movimento de placas.<\/p>\n<p>Um planeta em que pelo menos um continente se movia mais r\u00e1pido que qualquer placa atual pode precisar de uma classifica\u00e7\u00e3o totalmente nova. Os autores do estudo consideram a possibilidade de um sistema de \u201c<strong>tampa epis\u00f3dica<\/strong>\u201d ou o criativamente batizado \u201c<strong>tampa plut\u00f4nica esponjosa<\/strong>\u201c. Mais continentes precisar\u00e3o ser estudados para uma resposta definitiva, mas o modelo de \u201ctampa estagnada\u201d claramente n\u00e3o se aplica a 3,5 bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>\u201cEstamos vendo movimento de placas tect\u00f4nicas, o que exige que havia fronteiras entre essas placas e que a litosfera n\u00e3o era uma grande casca cont\u00ednua ao redor do globo, como muitos argumentaram antes\u201d, disse Brenner. \u201cEm vez disso, ela estava segmentada em diferentes peda\u00e7os que podiam se mover uns em rela\u00e7\u00e3o aos outros.\u201d<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-evidencias-de-um-campo-magnetico-diferente\">Evid\u00eancias de um campo magn\u00e9tico diferente<\/h2>\n<p>Al\u00e9m do movimento continental, a equipe identificou evid\u00eancias da <strong>invers\u00e3o mais antiga do campo magn\u00e9tico planet\u00e1rio<\/strong> j\u00e1 registrada, ocorrida h\u00e1 <strong>3,46 bilh\u00f5es de anos<\/strong>. Os pesquisadores acreditam que essas invers\u00f5es eram mais raras do que nos tempos atuais. Como explicou o professor Roger Fu: \u201cN\u00e3o \u00e9 por si s\u00f3 conclusivo, mas sugere que talvez o d\u00ednamo estivesse em um regime ligeiramente diferente do atual.\u201d<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2025\/12\/27\/ciencia-e-espaco\/5-tendencias-da-ciencia-para-ficar-de-olho-em-2026\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">5 tend\u00eancias da ci\u00eancia para ficar de olho em 2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2025\/08\/30\/ciencia-e-espaco\/por-que-o-mar-recua-antes-de-um-tsunami\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Por que o mar recua antes de um tsunami?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2025\/08\/19\/ciencia-e-espaco\/por-que-o-oceano-pacifico-e-tao-grande\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Por que o oceano Pac\u00edfico \u00e9 t\u00e3o grande?<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-por-que-isso-importa-para-a-vida-na-terra\">Por que isso importa para a vida na Terra<\/h2>\n<p>A tect\u00f4nica de placas n\u00e3o \u00e9 apenas uma curiosidade geol\u00f3gica. Ela molda a vida na Terra de formas fundamentais, empurrando cadeias de montanhas para cima e separando esp\u00e9cies em continentes distantes. Muitos cientistas planet\u00e1rios argumentam que as condi\u00e7\u00f5es para a pr\u00f3pria vida seriam mais hostis, se n\u00e3o completamente imposs\u00edveis, sem a reciclagem de materiais pelo manto que a tect\u00f4nica de placas proporciona.<\/p>\n<p>O fato de nenhum outro planeta ou lua do <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/sistema-solar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sistema Solar<\/a> parecer ter tect\u00f4nica de placas deixa os cientistas questionando por que a Terra \u00e9 diferente. Essa pergunta permanece sem resposta, mas parece que, durante a maior parte da hist\u00f3ria terrestre, a tect\u00f4nica de placas foi uma caracter\u00edstica constante do planeta.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/03\/20\/ciencia-e-espaco\/cientistas-encontram-evidencia-mais-antiga-de-tectonica-de-placas\/\">Cientistas encontram evid\u00eancia mais antiga de tect\u00f4nica de placas<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine s\u00f3: h\u00e1 3,5 bilh\u00f5es de anos, a Austr\u00e1lia estava se deslocando em dire\u00e7\u00e3o ao Polo Sul a uma velocidade de quase meio metro por ano. Isto representa um ritmo sete vezes mais r\u00e1pido que qualquer placa tect\u00f4nica se move hoje. 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