{"id":2588,"date":"2026-02-19T18:18:56","date_gmt":"2026-02-19T21:18:56","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/2026\/02\/19\/nasa-investiga-buracos-negros-perdidos-no-espaco\/"},"modified":"2026-02-19T18:18:56","modified_gmt":"2026-02-19T21:18:56","slug":"nasa-investiga-buracos-negros-perdidos-no-espaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=2588","title":{"rendered":"NASA investiga buracos negros \u201cperdidos\u201d no espa\u00e7o"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Um artigo publicado no peri\u00f3dico cient\u00edfico <a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ae1eec\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener sponsored nofollow\"><em>Astrophysical Journal <\/em><\/a>relata a descoberta de buracos negros que n\u00e3o ocupam centros gal\u00e1cticos, mas sim vagam por regi\u00f5es externas de <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2025\/04\/28\/ciencia-e-espaco\/galaxias-anas-desafiam-cientistas-entenda-como\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">gal\u00e1xias an\u00e3s<\/a>. Chamados de \u201cerrantes\u201d, esses objetos podem ajudar a esclarecer como surgiram os gigantes c\u00f3smicos que dominam o <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/01\/21\/ciencia-e-espaco\/webb-descobre-supernova-que-explodiu-no-primeiro-bilhao-de-anos-do-universo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universo <\/a>atual.<\/p>\n<p>A equipe utilizou o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble e o Observat\u00f3rio de Raios X Chandra, ambos da <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/02\/17\/ciencia-e-espaco\/nasa-lanca-foguetes-de-sondagem-do-alasca-para-investigar-as-misteriosas-auroras-negras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a>, para examinar pequenas gal\u00e1xias pr\u00f3ximas em busca de sinais de buracos negros fora do n\u00facleo.<\/p>\n<p><strong>Em resumo:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Astr\u00f4nomos identificaram buracos negros errantes em gal\u00e1xias an\u00e3s;<\/li>\n<li>Esses objetos vagam fora do centro, em regi\u00f5es externas;<\/li>\n<li>Eles podem ser sementes de gigantes c\u00f3smicos;<\/li>\n<li>Observa\u00e7\u00f5es usaram dados do Hubble e Chandra;<\/li>\n<li>Em oito de 12 gal\u00e1xias, sinais estavam deslocados;<\/li>\n<li>Confirma\u00e7\u00e3o ajudar\u00e1 explicar crescimento r\u00e1pido no Universo jovem.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Atualmente, sabe-se que quase todas as grandes gal\u00e1xias abrigam um buraco negro supermassivo no centro, com massas de milh\u00f5es ou bilh\u00f5es de vezes a do Sol. O desafio \u00e9 entender como esses objetos cresceram tanto em um tempo relativamente curto da hist\u00f3ria do Universo.<\/p>\n<p>Observa\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (JWST), tamb\u00e9m da NASA, identificaram buracos negros gigantes quando o cosmos tinha menos de um bilh\u00e3o de anos. Isso \u00e9 intrigante, pois os modelos tradicionais indicam que o crescimento at\u00e9 essas dimens\u00f5es levaria mais tempo.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Um diagrama mostrando a anatomia de um n\u00facleo gal\u00e1ctico ativo (AGN) alimentado por um buraco negro supermassivo. Cr\u00e9dito: Laborat\u00f3rio de Imagens Conceituais do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA<\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sementes-de-buracos-negros-podem-ser-a-resposta\"><strong>\u201cSementes\u201d de buracos negros podem ser a resposta<\/strong><\/h2>\n<p>Uma hip\u00f3tese \u00e9 que esses colossos tenham se formado a partir de \u201c<a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2023\/08\/18\/ciencia-e-espaco\/sementes-de-buracos-negros-descoberta-revolucionaria-na-ciencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">sementes<\/a>\u201d de buracos negros. Essas sementes poderiam ser leves, originadas do colapso de estrelas massivas, ou pesadas, formadas pelo colapso direto de grandes nuvens de g\u00e1s.<\/p>\n<p>Se algumas dessas sementes j\u00e1 nasceram grandes, teriam vantagem no processo de crescimento, acumulando mat\u00e9ria mais rapidamente. No entanto, encontrar evid\u00eancias diretas dessas fases iniciais no Universo distante continua sendo dif\u00edcil.<\/p>\n<p>As gal\u00e1xias an\u00e3s oferecem uma pista importante. Por terem passado por menos fus\u00f5es e intera\u00e7\u00f5es ao longo do tempo, elas preservam melhor sinais do passado e funcionam como um tipo de registro f\u00f3ssil da forma\u00e7\u00e3o dos primeiros buracos negros.<\/p>\n<p>Modelos te\u00f3ricos indicam que vest\u00edgios dessas sementes podem sobreviver como buracos negros de massa intermedi\u00e1ria nessas gal\u00e1xias menores. E nem todos estariam no centro \u2013 alguns poderiam estar deslocados, vagando pelas regi\u00f5es externas.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"964\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/buracos-negros-errantes-964x1024-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1259501\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/buracos-negros-errantes-964x1024.jpg 964w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/buracos-negros-errantes-282x300.jpg 282w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/buracos-negros-errantes-768x816.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/buracos-negros-errantes-150x159.jpg 150w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/buracos-negros-errantes.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 964px) 100vw, 964px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagens coloridas do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble mostram diferentes gal\u00e1xias observadas em v\u00e1rios filtros de luz. As cores representam comprimentos de onda distintos, do ultravioleta ao infravermelho. C\u00edrculos brancos e pretos indicam fontes de r\u00e1dio compactas; amarelos marcam emiss\u00f5es de raios X; vermelhos mostram \u00e1reas analisadas pelo SDSS. Algumas gal\u00e1xias apresentam coincid\u00eancia entre sinais \u00f3pticos, de r\u00e1dio e de raios X. Cr\u00e9dito: NASA\/ESA\/Hubble; NASA\/Chandra; SDSS; Sturm et al. (2025).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em gal\u00e1xias grandes, como a Via L\u00e1ctea, o buraco negro central pode ser relativamente calmo, como o nosso Sagit\u00e1rio A*. Em outros casos, no entanto, ele pode estar devorando g\u00e1s intensamente e formando um N\u00facleo Gal\u00e1ctico Ativo (AGN).<\/p>\n<p>AGNs s\u00e3o bastante luminosos e emitem radia\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias faixas do espectro, incluindo ondas de r\u00e1dio e raios X. Por isso, s\u00e3o essenciais para identificar buracos negros em atividade.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-metade-das-galaxias-anas-podem-ter-buracos-negros-fora-dos-nucleos\"><strong>Metade das gal\u00e1xias an\u00e3s podem ter buracos negros fora dos n\u00facleos<\/strong><\/h2>\n<p>Liderada pela astrof\u00edsica Megan R. Sturm, da Universidade Estadual de Montana, nos EUA, a equipe analisou 12 gal\u00e1xias an\u00e3s onde sinais de AGNs j\u00e1 haviam sido detectados em r\u00e1dio. A pesquisadora explicou em entrevista ao site<a href=\"https:\/\/www.space.com\/astronomy\/black-holes\/hubble-and-chandra-space-telescopes-hunt-for-rogue-black-holes-wandering-through-dwarf-galaxies\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener sponsored nofollow\"> <em>Space.com<\/em> <\/a>que o\u00a0 objetivo era verificar de onde essas emiss\u00f5es realmente partiam.<\/p>\n<p>Em oito casos, a emiss\u00e3o estava deslocada do n\u00facleo \u00f3ptico. Em vez de surgir da regi\u00e3o central, aparecia a dist\u00e2ncias de at\u00e9 dois quiloparsecs, o equivalente a milhares de anos-luz.<\/p>\n<p>Esse deslocamento sugere a presen\u00e7a de buracos negros errantes. Em gal\u00e1xias an\u00e3s, a gravidade central \u00e9 mais fraca e o campo gravitacional pode ser irregular. Assim, um buraco negro formado longe do centro pode n\u00e3o migrar para l\u00e1.<\/p>\n<p>Alguns pesquisadores estimam que at\u00e9 metade dos buracos negros em gal\u00e1xias an\u00e3s pode estar fora do n\u00facleo. Se isso for confirmado, levantamentos focados apenas na regi\u00e3o central podem estar ignorando parte dessa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Identificar esses candidatos n\u00e3o \u00e9 simples. AGNs em gal\u00e1xias an\u00e3s tendem a ser menos luminosos, pois o brilho depende da massa do buraco negro. Al\u00e9m disso, seus sinais podem ser confundidos com regi\u00f5es de intensa forma\u00e7\u00e3o estelar ou explos\u00f5es de supernovas.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"970\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/buracos-negros-errantes3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1259515\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/buracos-negros-errantes3.jpg 1000w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/buracos-negros-errantes3-300x291.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/buracos-negros-errantes3-768x745.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/buracos-negros-errantes3-150x146.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagens do telesc\u00f3pio espacial de Raios X Chandra X mostram onde essas gal\u00e1xias emitem raios X. A cruz vermelha indica o ponto onde foi detectada uma fonte de r\u00e1dio compacta. Embora os pontos n\u00e3o coincidam exatamente, eles aparecem praticamente na mesma regi\u00e3o do c\u00e9u. Cr\u00e9dito: Nasa\/Chandra\/CXC; Sturm et al. (2025).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para diferenciar essas possibilidades, os cientistas combinaram observa\u00e7\u00f5es \u00f3pticas do Hubble com dados de raios X do Chandra. A an\u00e1lise em m\u00faltiplos comprimentos de onda ajuda a separar buracos negros ativos de outros fen\u00f4menos c\u00f3smicos.<\/p>\n<p>Em um dos casos estudados, chamado ID 64, foi poss\u00edvel detectar sinais na luz vis\u00edvel e em raios X. Por\u00e9m, verificou-se que se tratava de um AGN muito mais distante, alinhado por coincid\u00eancia com a gal\u00e1xia an\u00e3 observada.<\/p>\n<p>Nas outras sete gal\u00e1xias, n\u00e3o foram encontradas contrapartes \u00f3pticas ou em raios X detect\u00e1veis. Isso n\u00e3o exclui a presen\u00e7a de buracos negros errantes, que podem ser fracos demais para os limites atuais de observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/02\/05\/ciencia-e-espaco\/particula-extrema-que-atingiu-a-terra-pode-ter-sido-lancada-por-explosao-de-buraco-negro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Buraco negro pode ter enviado um \u201cvisitante\u201d \u00e0 Terra<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/01\/29\/ciencia-e-espaco\/buracos-negros-estao-por-tras-de-tecnologias-essenciais-do-mundo-moderno\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Buracos negros est\u00e3o por tr\u00e1s de tecnologias essenciais do mundo moderno<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2025\/12\/01\/ciencia-e-espaco\/onda-gravitacional-incomum-pode-indicar-a-existencia-de-buracos-negros-primordiais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Onda gravitacional incomum pode indicar a exist\u00eancia de buracos negros primordiais<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-webb-pode-ajudar-a-distinguir-cenarios\"><strong>Webb pode ajudar a distinguir cen\u00e1rios<\/strong><\/h2>\n<p>Tamb\u00e9m existe a possibilidade de que algumas fontes de r\u00e1dio sejam gal\u00e1xias distantes apenas projetadas na mesma linha de vis\u00e3o. Distinguir esses cen\u00e1rios \u00e9 essencial para confirmar a real natureza dos sinais detectados.<\/p>\n<p>Os pesquisadores acreditam que o Webb poder\u00e1 contribuir nessa etapa. Com maior sensibilidade e resolu\u00e7\u00e3o, o telesc\u00f3pio pode revelar se a emiss\u00e3o vem de um objeto dentro da gal\u00e1xia an\u00e3 ou de uma gal\u00e1xia distante ao fundo.<\/p>\n<p>Se confirmados, esses buracos negros errantes fornecer\u00e3o pistas valiosas sobre as primeiras fases da forma\u00e7\u00e3o de buracos negros. Eles podem ajudar a explicar como os gigantes c\u00f3smicos cresceram t\u00e3o rapidamente nos prim\u00f3rdios do Universo. Ao estudar gal\u00e1xias pequenas e discretas, os astr\u00f4nomos podem estar desvendando parte fundamental da evolu\u00e7\u00e3o c\u00f3smica. Esses objetos errantes podem representar pe\u00e7as-chave para entender a origem dos maiores buracos negros j\u00e1 observados.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/02\/19\/ciencia-e-espaco\/nasa-investiga-buracos-negros-perdidos-no-espaco\/\">NASA investiga buracos negros \u201cperdidos\u201d no espa\u00e7o<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um artigo publicado no peri\u00f3dico cient\u00edfico Astrophysical Journal relata a descoberta de buracos negros que n\u00e3o ocupam centros gal\u00e1cticos, mas sim vagam por regi\u00f5es externas de gal\u00e1xias an\u00e3s. Chamados de \u201cerrantes\u201d, esses objetos podem ajudar a esclarecer como surgiram os gigantes c\u00f3smicos que dominam o Universo atual. 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