{"id":17033,"date":"2026-10-09T06:09:00","date_gmt":"2026-10-09T09:09:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=17033"},"modified":"2026-10-09T06:09:00","modified_gmt":"2026-10-09T09:09:00","slug":"particulas-de-chernobyl-revelam-combustivel-nuclear-mais-estavel-do-que-se-imaginava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=17033","title":{"rendered":"Part\u00edculas de Chernobyl revelam combust\u00edvel nuclear mais est\u00e1vel do que se imaginava"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Quatro d\u00e9cadas ap\u00f3s o desastre nuclear de <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/chernobyl\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Chernobyl<\/a>, pesquisadores analisaram seis min\u00fasculos fragmentos altamente radioativos liberados pelo <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/05\/01\/ciencia-e-espaco\/dentro-de-chernobyl-como-e-o-trabalho-de-um-cientista-no-reator-destruido\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">reator<\/a> destru\u00eddo durante o acidente de 1986. O estudo revelou que essas part\u00edculas, conhecidas como \u201cpart\u00edculas quentes\u201d, s\u00e3o muito mais est\u00e1veis do que se imaginava.<\/p>\n<p>Os fragmentos t\u00eam entre oito e 50 micr\u00f4metros e continuam altamente radioativos mesmo ap\u00f3s 40 anos. Segundo os pesquisadores, entender como esse material se comporta no ambiente pode ajudar a produzir avalia\u00e7\u00f5es mais precisas sobre os riscos \u00e0 sa\u00fade provocados pela presen\u00e7a das part\u00edculas radioativas na regi\u00e3o.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-para-quem-tem-pressa\">Para quem tem pressa:<\/h3>\n<ul>\n<li>Pesquisadores analisaram seis part\u00edculas altamente radioativas liberadas no acidente de Chernobyl em 1986;<\/li>\n<li>Os fragmentos t\u00eam entre oito e 50 micr\u00f4metros e continuam radioativos quatro d\u00e9cadas depois;<\/li>\n<li>Raios X revelaram que a estrutura cristalina do combust\u00edvel permaneceu praticamente intacta;<\/li>\n<li>A estabilidade pode ajudar a reter produtos de fiss\u00e3o e reduzir sua libera\u00e7\u00e3o no solo e na \u00e1gua;<\/li>\n<li>O estudo analisou apenas seis amostras e n\u00e3o permite determinar os riscos de todas as part\u00edculas da regi\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-as-particulas-se-formaram\">Como as part\u00edculas se formaram<\/h2>\n<p>As explos\u00f5es que destru\u00edram o reator lan\u00e7aram grandes quantidades de detritos para o ambiente. Entre os fragmentos estavam part\u00edculas de poeira radioativa que continuam presentes no solo da regi\u00e3o de Chernobyl.<\/p>\n<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pesquisadores analisaram seis fragmentos radioativos com at\u00e9 50 micr\u00f4metros de tamanho \u2013 Imagem: Serkant Hekimci\/Shutterstock<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Os pesquisadores identificaram tr\u00eas classes principais desses fragmentos. A primeira re\u00fane part\u00edculas que continuam qu\u00edmica e fisicamente semelhantes ao combust\u00edvel nuclear, formado por di\u00f3xido de ur\u00e2nio. A segunda inclui materiais parcialmente ou totalmente envolvidos pela camada de zirc\u00f4nio ou fundidos a ela.<\/p>\n<p>Esse segundo tipo surgiu quando as temperaturas dentro do reator aumentaram drasticamente. O combust\u00edvel derreteu e se fundiu \u00e0 camada protetora de zirc\u00f4nio, metal altamente resistente.<\/p>\n<p>A terceira classe se formou durante o inc\u00eandio do grafite usado como moderador do reator. Esse material tinha a fun\u00e7\u00e3o de desacelerar n\u00eautrons r\u00e1pidos e manter a rea\u00e7\u00e3o em cadeia, mas pegou fogo durante o acidente e permaneceu queimando por dez dias.<\/p>\n<p>Nesse processo, o combust\u00edvel sofreu oxida\u00e7\u00e3o e formou diferentes \u00f3xidos de ur\u00e2nio, incluindo o U\u2083O\u2088. Esse composto \u00e9 mecanicamente inst\u00e1vel e pode formar rapidamente part\u00edculas microsc\u00f3picas transportadas pelo vento. Quando inaladas, essas part\u00edculas representam riscos graves \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-raios-x-revelaram-a-estrutura-do-material-encontrado-em-chernobyl\">Raios X revelaram a estrutura do material encontrado em Chernobyl<\/h2>\n<p>At\u00e9 agora, os pesquisadores ainda n\u00e3o compreendiam completamente por que as part\u00edculas sofrem altera\u00e7\u00f5es em velocidades diferentes no ambiente. Para investigar o comportamento do material, uma equipe da Leibniz University Hannover (Alemanha) e do Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf analisou seis fragmentos coletados em dois locais diferentes.<\/p>\n<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"530\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image.png\" alt=\"Raios X revelaram diferentes fases de \u00f3xidos presentes na estrutura das part\u00edculas. (Imagem: Laura Stalmann)\" class=\"wp-image-1380101\" srcset=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image.png 800w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-300x199.png 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-768x509.png 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-150x99.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Raios X revelaram diferentes fases de \u00f3xidos presentes na estrutura das part\u00edculas \u2013 Imagem: Laura Stalmann<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Os pesquisadores utilizaram m\u00e9todos espec\u00edficos para separar as part\u00edculas do solo ucraniano e fix\u00e1-las em eletrodos de tungst\u00eanio. Depois, os materiais foram transportados em v\u00e1rias camadas de conten\u00e7\u00e3o at\u00e9 Grenoble (Fran\u00e7a).<\/p>\n<p>No local, os cientistas utilizaram experimentos de difra\u00e7\u00e3o de raios X na Rossendorf Beamline. A t\u00e9cnica permitiu analisar a estrutura interna dos fragmentos e identificar as diferentes fases de \u00f3xidos presentes nas amostras.<\/p>\n<p>Cada part\u00edcula foi girada completamente dentro de um feixe de raios X concentrado em apenas 100 micr\u00f4metros, aproximadamente a espessura de um fio de cabelo. Ao todo, foram realizadas medi\u00e7\u00f5es a partir de dois mil \u00e2ngulos diferentes para registrar as estruturas cristalinas do material.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-combustivel-continua-retendo-materiais-radioativos-em-chernobyl\">Combust\u00edvel continua retendo materiais radioativos em Chernobyl<\/h2>\n<p>O resultado surpreendeu os pesquisadores. A estrutura cristalina do combust\u00edvel nuclear permaneceu praticamente intacta nas part\u00edculas analisadas ap\u00f3s quatro d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Isso indica que os restos do acidente s\u00e3o quimicamente mais est\u00e1veis do que se imaginava. A estabilidade tamb\u00e9m significa que os fragmentos conseguem manter dentro de sua estrutura os produtos da fiss\u00e3o, o que pode reduzir a libera\u00e7\u00e3o desses materiais radioativos para o solo e a \u00e1gua ao redor de Chernobyl.<\/p>\n<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/chernobyl_construcao_sarcofago-1024x683-1.jpg\" alt=\"Constru\u00e7\u00e3o do sarc\u00f3fago do Reator 4 da usina nuclear de Chernobyl\" class=\"wp-image-1056737\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/chernobyl_construcao_sarcofago-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/chernobyl_construcao_sarcofago-300x200.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/chernobyl_construcao_sarcofago-768x512.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/chernobyl_construcao_sarcofago-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/chernobyl_construcao_sarcofago-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/chernobyl_construcao_sarcofago-150x100.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Estabilidade pode manter produtos de fiss\u00e3o presos no combust\u00edvel e reduzir sua libera\u00e7\u00e3o \u2013 Imagem: Kateryna Upit\/Shutterstock<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Apesar do resultado, os cientistas ressaltam que ainda \u00e9 cedo para determinar o comportamento de todas as part\u00edculas presentes em Chernobyl. Cada fragmento possui uma estrutura diferente, e o estudo analisou apenas seis amostras.<\/p>\n<p>Mesmo que futuras pesquisas encontrem um padr\u00e3o de estabilidade, ainda poder\u00e3o existir part\u00edculas mais persistentes, capazes de liberar radionucl\u00eddeos posteriormente. Por isso, os resultados n\u00e3o permitem estabelecer uma avalia\u00e7\u00e3o universal dos riscos \u00e0 sa\u00fade ou considerar a regi\u00e3o segura.<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/04\/26\/ciencia-e-espaco\/40-anos-de-chernobyl-como-falhas-humanas-levaram-ao-pior-desastre-nuclear-da-historia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">40 anos de Chernobyl: como falhas humanas levaram ao pior desastre nuclear da hist\u00f3ria<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/04\/27\/ciencia-e-espaco\/lobos-de-chernobyl-sao-mais-resistentes-a-radiacao-e-podem-ajudar-no-estudo-do-cancer\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lobos de Chernobyl s\u00e3o mais resistentes \u00e0 radia\u00e7\u00e3o e podem ajudar no estudo do c\u00e2ncer<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2025\/11\/28\/ciencia-e-espaco\/caes-azuis-de-chernobyl-misterio-e-desvendado-e-mostra-como-e-a-vida-na-regiao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">C\u00e3es azuis de Chernobyl: mist\u00e9rio \u00e9 desvendado e mostra como \u00e9 a vida na regi\u00e3o<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>As restri\u00e7\u00f5es da Zona de Exclus\u00e3o de Chernobyl, portanto, continuam necess\u00e1rias. Enquanto isso, os pesquisadores j\u00e1 realizam novos experimentos para estudar fases transur\u00e2nicas altamente radioativas presentes nos restos do acidente.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/10\/09\/ciencia-e-espaco\/particulas-de-chernobyl-revelam-combustivel-nuclear-mais-estavel-do-que-se-imaginava\/\">Part\u00edculas de Chernobyl revelam combust\u00edvel nuclear mais est\u00e1vel do que se imaginava<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quatro d\u00e9cadas ap\u00f3s o desastre nuclear de Chernobyl, pesquisadores analisaram seis min\u00fasculos fragmentos altamente radioativos liberados pelo reator destru\u00eddo durante o acidente de 1986. O estudo revelou que essas part\u00edculas, conhecidas como \u201cpart\u00edculas quentes\u201d, s\u00e3o muito mais est\u00e1veis do que se imaginava. 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