{"id":16471,"date":"2026-09-30T00:02:18","date_gmt":"2026-09-30T03:02:18","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=16471"},"modified":"2026-09-30T00:02:18","modified_gmt":"2026-09-30T03:02:18","slug":"estudo-aponta-que-duas-aves-brasileiras-estao-entre-as-mais-barulhentas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=16471","title":{"rendered":"Estudo aponta que duas aves brasileiras est\u00e3o entre as mais barulhentas"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Duas <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/aves\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aves<\/a> encontradas no <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Brasil<\/a> est\u00e3o entre as mais barulhentas j\u00e1 medidas pela ci\u00eancia: a <strong>araponga-de-garganta-nua<\/strong> (<em>Procnias nudicollis<\/em>) e a <strong>seriema<\/strong> (<em>Cariama cristata<\/em>). Os cantos das duas ultrapassaram <strong>120 decib\u00e9is (dB) de pico<\/strong>, volume compar\u00e1vel ou superior ao de equipamentos extremamente ruidosos, como motosserras e britadeiras.<\/p>\n<p>A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade de Massachusetts Amherst (EUA), entre eles o brasileiro <strong>Jo\u00e3o C.T. Menezes<\/strong>, durante seu trabalho de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. O estudo foi publicado na revista cient\u00edfica <em><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/42808975\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Evolution<\/a><\/em>.<\/p>\n<p>O objetivo dos cientistas, por\u00e9m, n\u00e3o era simplesmente descobrir qual ave faz mais barulho. A pesquisa buscou entender quais caracter\u00edsticas f\u00edsicas podem determinar a intensidade dos cantos e investigar se o volume est\u00e1 relacionado ao ambiente em que as esp\u00e9cies vivem ou \u00e0 sua organiza\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Para isso, os pesquisadores mediram a amplitude dos cantos de <strong>123 esp\u00e9cies de aves<\/strong> em \u00e1reas pr\u00f3ximas a Amherst, em Massachusetts (EUA), e em diferentes regi\u00f5es do Brasil. Das esp\u00e9cies analisadas, <strong>113 nunca haviam tido o volume de seus cantos catalogado<\/strong>.<\/p>\n<p>Menezes explica que ainda h\u00e1 poucos dados sobre a amplitude vocal das aves. Os resultados indicam que algumas esp\u00e9cies brasileiras est\u00e3o pr\u00f3ximas do limite de produ\u00e7\u00e3o de som observado nesses animais. \u201cPodemos dizer com seguran\u00e7a que as arapongas da Amaz\u00f4nia e da Mata Atl\u00e2ntica e a seriema emitem os cantos mais altos j\u00e1 medidos\u201d, disse ao <em><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/meio-ambiente\/noticia\/2026\/09\/29\/duas-aves-brasileiras-estao-entre-as-mais-barulhentas-do-mundo-mostra-estudo.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">g1<\/a><\/em>.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-aves-ultrapassam-120-decibeis\">Aves ultrapassam 120 decib\u00e9is<\/h2>\n<ul>\n<li>A pesquisa identificou uma diferen\u00e7a de <strong>58 decib\u00e9is<\/strong> entre os cantos analisados;<\/li>\n<li>Na parte mais baixa da escala estava o <strong>beija-flor<\/strong>, com cerca de <strong>64 dB<\/strong>, aproximadamente o volume de uma conversa normal. No extremo oposto estavam a araponga-de-garganta-nua e a seriema, ambas com registros superiores a <strong>120 dB de pico<\/strong>;<\/li>\n<li>No caso da araponga-de-garganta-nua, uma das medi\u00e7\u00f5es chegou a <strong>122,4 dB<\/strong> quando o som foi padronizado a uma dist\u00e2ncia de 1 metro. O estudo tamb\u00e9m registrou um pico individual pr\u00f3ximo de <strong>131 dB<\/strong> para um exemplar da esp\u00e9cie, dependendo do crit\u00e9rio utilizado para calcular a amplitude;<\/li>\n<li>Isso coloca as duas esp\u00e9cies em uma faixa sonora compar\u00e1vel \u00e0 de motosserras e britadeiras.<\/li>\n<\/ul>\n<p>As descobertas tamb\u00e9m ajudam a contextualizar um recorde anterior. Em 2019, pesquisadores da mesma universidade identificaram a <strong>araponga-branca<\/strong>, encontrada na Amaz\u00f4nia, como respons\u00e1vel pelo canto de ave mais alto j\u00e1 documentado, com registros de at\u00e9 <strong>125,4 dB<\/strong>. O feito foi posteriormente reconhecido pelo Guinness World Records.<\/p>\n<p>Assim, a nova pesquisa n\u00e3o necessariamente estabelece uma \u00fanica campe\u00e3. Dependendo da forma como os pesquisadores calculam o volume, diferentes esp\u00e9cies podem ocupar o topo da classifica\u00e7\u00e3o. Para os cientistas, no entanto, essa disputa \u00e9 menos importante do que entender por que algumas aves evolu\u00edram para produzir sons t\u00e3o intensos.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-que-faz-uma-ave-ser-tao-barulhenta\">O que faz uma ave ser t\u00e3o barulhenta?<\/h2>\n<p>Os pesquisadores encontraram duas caracter\u00edsticas f\u00edsicas que ajudam a explicar as diferen\u00e7as de volume: <strong>tamanho corporal e largura da abertura do bico<\/strong>.<\/p>\n<p>Em geral, aves maiores tendem a produzir sons mais altos. Elas tamb\u00e9m apresentam m\u00fasculos mais robustos, que podem permitir uma maior compress\u00e3o do ar e, consequentemente, uma emiss\u00e3o sonora mais intensa.<\/p>\n<p>As aves com cantos mais fortes tamb\u00e9m possuem aberturas de bico particularmente largas. A compara\u00e7\u00e3o feita pelos pesquisadores \u00e9 com instrumentos musicais: estruturas mais largas, como as camp\u00e2nulas de instrumentos de sopro, podem ajudar a amplificar o som.<\/p>\n<p>A seriema \u00e9 a maior esp\u00e9cie entre as aves analisadas, enquanto as arapongas apresentam aberturas de bico especialmente largas para o tamanho do corpo.<\/p>\n<p>Apesar dessas descobertas, os pesquisadores ainda n\u00e3o conseguiram explicar completamente por que algumas esp\u00e9cies produzem sons t\u00e3o extremos.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-por-que-cantar-tao-alto\">Por que cantar t\u00e3o alto?<\/h2>\n<p>Antes da pesquisa, os cientistas levantaram algumas hip\u00f3teses sobre poss\u00edveis fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas e evolutivas dos cantos muito intensos.<\/p>\n<p>Uma delas era que aves mais barulhentas poderiam ser <strong>voadoras mais fracas<\/strong>, usando o som para compensar uma mobilidade limitada. Outra possibilidade era que esp\u00e9cies que vivem em <strong>florestas densas<\/strong> precisassem de cantos mais intensos para facilitar a comunica\u00e7\u00e3o quando os indiv\u00edduos n\u00e3o conseguem se enxergar.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m imaginaram que aves mais barulhentas poderiam apresentar maior frequ\u00eancia de <strong>poligamia<\/strong>, j\u00e1 que chamados capazes de viajar por dist\u00e2ncias maiores poderiam ajudar a alcan\u00e7ar potenciais parceiros.<\/p>\n<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Aaraponga-de-garganta-nua tamb\u00e9m est\u00e1 na lista \u2013 Imagem: Diego Grandi\/Shutterstock<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Os dados, por\u00e9m, n\u00e3o sustentaram essas hip\u00f3teses de forma ampla.<\/p>\n<p>\u201cEntre os fatores ecol\u00f3gicos que estudamos, nenhum explicou com clareza por que algumas esp\u00e9cies evolu\u00edram cantos mais altos do que outras. Isso n\u00e3o quer dizer que habitat, capacidade de voo ou sistema de acasalamento nunca sejam importantes, mas sim que n\u00e3o parecem ser regras gerais para as aves como um todo\u201d, pontua Menezes.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, tamanho corporal e abertura do bico ajudam a explicar <strong>como<\/strong> determinadas aves conseguem produzir sons t\u00e3o fortes, mas ainda n\u00e3o explicam completamente <strong>por que<\/strong> elas desenvolveram essa capacidade.<\/p>\n<p>\u201cDeve haver algo particularmente eficiente na maneira como elas produzem ou irradiam o som que tamanho corporal e largura do bico sozinhos n\u00e3o explicam. Descobrir esse \u2018algo a mais\u2019 \u00e9 justamente uma das perguntas que surgem do estudo\u201d, prossegue.<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/07\/23\/ciencia-e-espaco\/por-que-passaros-voam-numa-formacao-em-v\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Por que p\u00e1ssaros voam numa forma\u00e7\u00e3o em \u201cV\u201d?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/08\/31\/ciencia-e-espaco\/flamingos-nascem-com-penas-claras-entenda-como-ficam-rosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Flamingos nascem com penas claras; entenda como ficam rosa<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/09\/29\/ciencia-e-espaco\/novo-dinossauro-com-penas-pode-mudar-o-que-sabemos-sobre-a-origem-do-voo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Novo dinossauro com penas pode mudar o que sabemos sobre a origem do voo<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-medir-o-canto-de-uma-ave-nao-e-simples\">Medir o canto de uma ave n\u00e3o \u00e9 simples<\/h2>\n<p>Determinar o volume de um canto na natureza \u00e9 uma tarefa complicada porque a amplitude do som depende diretamente da dist\u00e2ncia entre a ave e o equipamento de medi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um canto que parece ensurdecedor quando ouvido de perto pode quase n\u00e3o ser registrado a algumas centenas de metros. Por isso, uma possibilidade seria capturar o animal e lev\u00e1-lo a um laborat\u00f3rio para realizar experimentos controlados.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que esse m\u00e9todo se torna pouco pr\u00e1tico quando a pesquisa envolve muitas esp\u00e9cies e diferentes regi\u00f5es do mundo.<\/p>\n<p>Para fazer as medi\u00e7\u00f5es em campo, os cientistas utilizaram <strong>tel\u00eametros a laser<\/strong>, capazes de determinar a dist\u00e2ncia at\u00e9 a ave, e <strong>medidores de som port\u00e1teis de alta resolu\u00e7\u00e3o<\/strong>. A combina\u00e7\u00e3o dos equipamentos permitiu relacionar a intensidade registrada com a dist\u00e2ncia do animal e obter medidas compar\u00e1veis entre as esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Com essa abordagem, os pesquisadores conseguiram ampliar consideravelmente a quantidade de esp\u00e9cies para as quais existem dados confi\u00e1veis sobre a amplitude dos cantos.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-misterio-continua\">O mist\u00e9rio continua<\/h2>\n<p>O estudo respondeu parte da pergunta, mas deixou outras em aberto.<\/p>\n<p>Os cientistas sabem agora que aves maiores e com aberturas de bico mais largas tendem a produzir sons mais intensos. Ainda assim, essas caracter\u00edsticas n\u00e3o explicam completamente como algumas esp\u00e9cies relativamente pequenas conseguem chegar a volumes compar\u00e1veis aos de animais muito maiores.<\/p>\n<p>Para Menezes, duas quest\u00f5es devem orientar os pr\u00f3ximos estudos: <strong>qual \u00e9 o mecanismo que permite a essas aves produzir e irradiar sons t\u00e3o fortes e qual \u00e9 a vantagem evolutiva dessa capacidade?<\/strong> \u201cAgora queremos entender melhor o que h\u00e1 de especial nessas esp\u00e9cies que as permite produzir e irradiar sons t\u00e3o intensos.\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m permanece a d\u00favida sobre os custos desse comportamento. Um canto extremamente alto pode ajudar na comunica\u00e7\u00e3o ou na disputa por parceiros, mas tamb\u00e9m pode tornar a ave mais f\u00e1cil de ser localizada por predadores.<\/p>\n<p>\u201cO interessante agora \u00e9 testar diretamente quais vantagens esses cantos extremamente altos oferecem e quais custos v\u00eam junto com eles. \u00c9 bem poss\u00edvel que esp\u00e9cies diferentes tenham chegado a amplitudes extremas por caminhos evolutivos completamente diferentes\u201d, encerra o pesquisador brasileiro.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, portanto, descobrir quais aves fazem mais barulho \u00e9 apenas o come\u00e7o. A quest\u00e3o central agora \u00e9 entender <strong>por que a evolu\u00e7\u00e3o levou esp\u00e9cies diferentes a desenvolver uma capacidade vocal t\u00e3o extrema<\/strong>.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/09\/29\/ciencia-e-espaco\/estudo-aponta-que-duas-aves-brasileiras-estao-entre-as-mais-barulhentas\/\">Estudo aponta que duas aves brasileiras est\u00e3o entre as mais barulhentas<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas aves encontradas no Brasil est\u00e3o entre as mais barulhentas j\u00e1 medidas pela ci\u00eancia: a araponga-de-garganta-nua (Procnias nudicollis) e a seriema (Cariama cristata). Os cantos das duas ultrapassaram 120 decib\u00e9is (dB) de pico, volume compar\u00e1vel ou superior ao de equipamentos extremamente ruidosos, como motosserras e britadeiras. 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