{"id":16177,"date":"2026-09-23T18:05:14","date_gmt":"2026-09-23T21:05:14","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=16177"},"modified":"2026-09-23T18:05:14","modified_gmt":"2026-09-23T21:05:14","slug":"os-precos-estao-mais-altos-do-que-nunca-o-que-voce-precisa-entender","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=16177","title":{"rendered":"Os pre\u00e7os est\u00e3o mais altos do que nunca? O que voc\u00ea precisa entender"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Experimente comentar sobre o pre\u00e7o de algo em qualquer lugar. Por exemplo: do <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/cafe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">caf\u00e9<\/a>, na fila do supermercado. Provavelmente v\u00e3o te dizer que n\u00e3o s\u00f3 o item est\u00e1 caro. E a conversa deve desaguar em: o pre\u00e7o de tudo est\u00e1 mais alto do que nunca.<\/p>\n<p>At\u00e9 que ponto os dados confirmam essa impress\u00e3o? E at\u00e9 que ponto ela \u00e9 discurso cristalizado no imagin\u00e1rio popular? O <strong>Olhar Digital<\/strong> conversou sobre isso com Juliana Inhasz, professora de economia do Insper.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-que-voce-precisa-entender-sobre-os-precos-das-coisas\">O que voc\u00ea precisa entender sobre os pre\u00e7os das coisas<\/h2>\n<p>Afinal, essa hist\u00f3ria de que as coisas est\u00e3o mais caras do que nunca \u00e9 verdade? <\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, \u201cn\u00e3o necessariamente todos os pre\u00e7os se movem para o mesmo lado\u201d, diz a professora. Isso significa que n\u00e3o \u00e9 porque algo ficou mais barato (<a href=\"https:\/\/istoedinheiro.com.br\/ipca-deflacao-agosto-0-32-inpc\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a conta de luz<\/a>, por exemplo) que outra categoria (como <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/noticia\/2026\/09\/11\/preco-dos-alimentos-o-que-ficou-mais-caro-e-o-que-barateou-em-agosto.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">alimenta\u00e7\u00e3o<\/a>) n\u00e3o pode ficar mais cara. <\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Encher o carrinho no supermercado parece sair cada vez mais caro \u2013 Imagem: Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Al\u00e9m disso, \u201cn\u00e3o necessariamente as pessoas sentem os impactos da mesma forma.\u201d Por que? \u201cCada um compra aquilo que lhe \u00e9 mais conveniente, ent\u00e3o cada um vai ter ali o seu conjunto de bens, e a percep\u00e7\u00e3o de um pode ser diferente da percep\u00e7\u00e3o de outro\u201d, explica Inhasz.<\/p>\n<p>A professora tamb\u00e9m observa que \u201c\u00e9 muito normal as pessoas terem uma mem\u00f3ria de pre\u00e7os mais recente\u201d. \u201cE elas geralmente v\u00e3o se lembrar dos pre\u00e7os aos quais est\u00e3o expostas com maior frequ\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea vai todo dia tomar o mesmo caf\u00e9 e o caf\u00e9 subir de pre\u00e7o, voc\u00ea vai reparar e dizer: \u2018Opa, ficou mais caro!\u2019. Agora, tem produtos que voc\u00ea compra uma vez a cada 40 ou 50 dias. Quando o pre\u00e7o aumenta, \u00e0s vezes voc\u00ea nem percebe que aumentou\u201d, explica a professora.<\/p>\n<p>Para a especialista, o ponto principal \u00e9: \u201c\u00c0s vezes voc\u00ea nem percebe que aumentou, e, justamente porque o consumo acontece com pouca frequ\u00eancia, quando aumenta e voc\u00ea percebe, voc\u00ea superdimensiona esse aumento.\u201d<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Em termos nominais, os pre\u00e7os realmente est\u00e3o altos. Uma lata de Coca-Cola, uma garrafa de \u00e1gua, um quilo de arroz, eles realmente est\u00e3o em valores mais altos. E n\u00e3o \u00e9 para isso que a gente talvez deveria olhar.<\/p>\n<p><cite>Juliana Inhasz, professora de economia do Insper, em entrevista ao <strong>Olhar Digital<\/strong>.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>Isso porque, segundo a professora de economia, \u201cnominalmente os pre\u00e7os sobem\u201d. \u00c9 normal. \u201cO pre\u00e7o sobe e naturalmente a gente repassa isso para sal\u00e1rios, para contratos, o que vai levando a aumentos de pre\u00e7os nos per\u00edodos seguintes\u201d, acrescenta a professora.<\/p>\n<p>Segundo a professora de economia, devemos observar como pre\u00e7os mais altos impactam nosso poder de compra.<\/p>\n<p>\u201cSe o meu sal\u00e1rio cresce 10% e os pre\u00e7os daquilo que eu consumo crescem 5%, eu ainda estou ganhando. Meu sal\u00e1rio est\u00e1 permitindo que eu consuma mais do que eu consumia antes\u201d, explica Inhasz.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u201cse estou num cen\u00e1rio em que o meu sal\u00e1rio cresce 5% e todos os pre\u00e7os crescem 10%, a\u00ed esse \u00e9 um cen\u00e1rio problem\u00e1tico porque consigo comprar cada vez menos com o meu sal\u00e1rio\u201d, acrescenta.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-que-afeta-o-comportamento-dos-precos\">O que afeta o comportamento dos pre\u00e7os<\/h3>\n<p>Segundo a professora, existem algumas causas que explicam a subida de pre\u00e7os hoje em dia ou o comportamento mais vol\u00e1til em alguns casos.<\/p>\n<p>\u201cPrimeiro, s\u00e3o custos\u201d, diz a professora. \u201cA gente tem visto categorias importantes com pre\u00e7os mudando: combust\u00edvel, energia, mat\u00e9rias-primas, sal\u00e1rios, transportes.\u201d<\/p>\n<p>Inhasz continua: \u201cS\u00e3o v\u00e1rios custos que est\u00e3o, de alguma forma, direta ou indiretamente impactando a produ\u00e7\u00e3o e levando a pre\u00e7os maiores.\u201d<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Precos-altos-Supermercado-02-1024x576-1.jpg\" alt=\"Frutas em supermercado\" class=\"wp-image-1375592\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Precos-altos-Supermercado-02-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Precos-altos-Supermercado-02-300x169.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Precos-altos-Supermercado-02-768x432.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Precos-altos-Supermercado-02-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Precos-altos-Supermercado-02-2048x1152.jpg 2048w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Precos-altos-Supermercado-02-1920x1080.jpg 1920w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Precos-altos-Supermercado-02-1280x720.jpg 1280w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Precos-altos-Supermercado-02-150x84.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Produtos in natura costumam baratear por conta de quest\u00f5es sazonais \u2013 Imagem: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Outro ponto importante: fatores sazonais. \u201cA gente tem passado cada vez mais por choques clim\u00e1ticos. Safras que mudam, chuvas, seca, temperatura que muda bruscamente.\u201d <\/p>\n<p>\u201cTudo isso tem impactado bastante as produ\u00e7\u00f5es e, por sua vez, claro, se desdobra em mudan\u00e7as de pre\u00e7os\u201d, diz a professora.<\/p>\n<p>Terceira causa: press\u00f5es de demanda. \u201cElas t\u00eam acontecido muito porque o mercado de trabalho est\u00e1 bem aquecido. Ainda que a economia esteja desaquecendo, o mercado de trabalho continua resiliente. E isso tem feito com que a demanda continue aquecida.\u201d<\/p>\n<p>Para a professora de economia, um ponto importante no caso do Brasil \u00e9 a baixa produtividade. \u201cEla sozinha n\u00e3o consegue explicar pre\u00e7os subindo num ponto do tempo. Mas a baixa produtividade consegue explicar um efeito estrutural.\u201d<\/p>\n<p>Que efeito? \u201cO custo por unidade produzida tem limitado muito o ganho de renda real. Isso dificulta aumentar sal\u00e1rio\u201d, explica Inhasz.<\/p>\n<p>Segundo a especialista, o ponto \u00e9: \u201cA produtividade mais baixa faz com que produzir custe mais. E, para garantir ou manter a margem de lucro, os pre\u00e7os sobem. Isso faz com que estruturalmente os pre\u00e7os fiquem mais altos ao longo do tempo.\u201d<\/p>\n<p>Por fim, Inhasz abordou o desequil\u00edbrio fiscal. Segundo a especialista, ele \u201cn\u00e3o \u00e9 capaz de fazer o pre\u00e7o na g\u00f4ndola do supermercado aumentar no dia seguinte\u201d. \u201c\u00c9 um efeito de longo prazo.\u201d<\/p>\n<p>\u201cIsso faz com que os investidores diminuam o seu apetite ao risco. Ent\u00e3o, eles diminuem o investimento. Isso impede investimentos \u2014 em m\u00e1quinas, equipamentos, tecnologia. A gente perde produtividade\u201d, finaliza a especialista.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/09\/23\/pro\/o-que-voce-precisa-entender-sobre-por-que-as-coisas-estao-caras\/\">Os pre\u00e7os est\u00e3o mais altos do que nunca? O que voc\u00ea precisa entender<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Experimente comentar sobre o pre\u00e7o de algo em qualquer lugar. Por exemplo: do caf\u00e9, na fila do supermercado. Provavelmente v\u00e3o te dizer que n\u00e3o s\u00f3 o item est\u00e1 caro. E a conversa deve desaguar em: o pre\u00e7o de tudo est\u00e1 mais alto do que nunca. At\u00e9 que ponto os dados confirmam essa impress\u00e3o? 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