{"id":15823,"date":"2026-09-16T18:06:44","date_gmt":"2026-09-16T21:06:44","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=15823"},"modified":"2026-09-16T18:06:44","modified_gmt":"2026-09-16T21:06:44","slug":"t-rex-era-de-sangue-quente-dentes-fossilizados-ajudam-a-responder-um-dos-misterios-dos-dinossauros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=15823","title":{"rendered":"T. rex era de sangue quente? Dentes fossilizados ajudam a responder um dos mist\u00e9rios dos dinossauros"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Durante d\u00e9cadas, uma quest\u00e3o dividiu pesquisadores: o <strong><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/tiranossauro-rex\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tiranossauro rex<\/a><\/strong> era um dinossauro de sangue frio, dependente do ambiente para regular a pr\u00f3pria <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/temperatura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">temperatura<\/a>, ou conseguia manter o corpo aquecido por conta pr\u00f3pria?<\/p>\n<p>Uma nova an\u00e1lise de <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/dentes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dentes<\/a> fossilizados fornece a evid\u00eancia mais direta at\u00e9 agora de que o famoso predador tinha sangue quente. Segundo o estudo publicado na revista <em><a href=\"http:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.aeb7653\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Science Advances<\/a><\/em>, o T. rex apresentava temperatura corporal de aproximadamente <strong>36,3 \u00b0C<\/strong>, muito pr\u00f3xima \u00e0 dos seres <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/humanos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">humanos<\/a>.<\/p>\n<p>O resultado foi obtido a partir da an\u00e1lise de tr\u00eas dentes de T. rex encontrados na Forma\u00e7\u00e3o Hell Creek, em Montana (EUA). Os pesquisadores examinaram os esmaltes fossilizados em busca de liga\u00e7\u00f5es entre is\u00f3topos raros de carbono e oxig\u00eanio, cuja forma\u00e7\u00e3o varia de acordo com a temperatura.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-dentes-funcionam-como-um-termometro-de-milhoes-de-anos\">Dentes funcionam como um \u201cterm\u00f4metro\u201d de milh\u00f5es de anos<\/h2>\n<ul>\n<li>A t\u00e9cnica utilizada pelos pesquisadores se baseia no comportamento de is\u00f3topos pesados de carbono e oxig\u00eanio;<\/li>\n<li>Em temperaturas mais baixas, esses is\u00f3topos formam determinadas liga\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas com maior frequ\u00eancia;<\/li>\n<li>A quantidade dessas liga\u00e7\u00f5es preservada no esmalte permite, portanto, estimar a temperatura em que o tecido se formou;<\/li>\n<li>O esmalte dos dentes \u00e9 particularmente \u00fatil para esse tipo de an\u00e1lise porque sua estrutura cristalina \u00e9 extremamente resistente \u00e0 altera\u00e7\u00e3o qu\u00edmica ao longo de milh\u00f5es de anos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O m\u00e9todo j\u00e1 havia sido desenvolvido para estudar a temperatura corporal de animais extintos, mas exigia uma quantidade maior de material fossilizado. O aprimoramento da t\u00e9cnica reduziu em cerca de <strong>90%<\/strong> a quantidade necess\u00e1ria, permitindo que os pesquisadores trabalhassem com apenas alguns miligramas de esmalte de dentes de T. rex.<\/p>\n<p>Isso foi importante porque dentes de T. rex s\u00e3o pe\u00e7as extremamente raras em cole\u00e7\u00f5es de museus. Para realizar o estudo, os pesquisadores receberam autoriza\u00e7\u00e3o para retirar pequenas amostras de dois dentes pertencentes a <strong>Thomas<\/strong>, um exemplar de T. rex preservado no Museu de Hist\u00f3ria Natural do Condado de Los Angeles.<\/p>\n<p>Os fragmentos de esmalte foram retirados com uma broca odontol\u00f3gica e dissolvidos em \u00e1cido fosf\u00f3rico. O processo liberou di\u00f3xido de carbono contendo os is\u00f3topos necess\u00e1rios para a an\u00e1lise. Em seguida, os pesquisadores utilizaram um espectr\u00f4metro de massa para determinar as propor\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas e calcular a temperatura corporal do animal.<\/p>\n<p>O resultado foi de <strong>36,3 \u00b0C<\/strong>. Para compara\u00e7\u00e3o, r\u00e9pteis modernos de sangue frio costumam apresentar temperaturas corporais na faixa de <strong>28 \u00b0C a 30 \u00b0C<\/strong>, enquanto aves \u2014 descendentes de uma linhagem de dinossauros \u2014 normalmente ficam entre <strong>40 \u00b0C e 43 \u00b0C<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201c<strong>A temperatura \u00e9 aproximadamente o que eu teria imaginado<\/strong>\u201d, <a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/1143651\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">afirmou<\/a> Robert Eagle, geobi\u00f3logo da Universidade da Calif\u00f3rnia em Los Angeles (UCLA) e coautor do estudo. Segundo ele, o valor \u00e9 superior ao de um r\u00e9ptil ou de um mam\u00edfero de metabolismo mais lento, como uma pregui\u00e7a, mas inferior ao observado em aves.<\/p>\n<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Dentes fossilizados do dinossauro foram determinantes \u2013 Imagem: UCLA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/09\/04\/ciencia-e-espaco\/autopsia-de-66-milhoes-de-anos-mostra-como-maior-t-rex-do-mundo-morreu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Aut\u00f3psia de 66 milh\u00f5es de anos mostra como maior T. rex do mundo morreu<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/07\/21\/ciencia-e-espaco\/cientistas-encontram-sinais-raros-do-tiranossauro-rex-em-ossos-de-66-milhoes-de-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cientistas encontram sinais raros do Tiranossauro Rex em ossos de 66 milh\u00f5es de anos<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/01\/08\/ciencia-e-espaco\/o-tiranossauro-rex-conseguia-nadar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O Tiranossauro Rex conseguia nadar?<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-t-rex-nao-dependia-apenas-do-calor-do-ambiente\">T. rex n\u00e3o dependia apenas do calor do ambiente<\/h2>\n<p>A descoberta tamb\u00e9m ajuda a diferenciar o T. rex de animais ectot\u00e9rmicos, que dependem de fontes externas de calor para elevar a temperatura corporal.<\/p>\n<p>Os pesquisadores compararam os resultados com dentes de crocodilianos encontrados na mesma regi\u00e3o. Esses animais apresentaram temperaturas corporais de aproximadamente <strong>30 \u00b0C<\/strong>, abaixo dos 36,3 \u00b0C registrados no T. rex. Isso indica que a temperatura do dinossauro n\u00e3o era simplesmente resultado das condi\u00e7\u00f5es ambientais de Hell Creek.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, a diferen\u00e7a \u00e9 consistente com a ideia de que o T. rex produzia internamente grande parte do calor necess\u00e1rio para manter sua temperatura corporal.<\/p>\n<p>A descoberta tamb\u00e9m combina com outras evid\u00eancias acumuladas ao longo dos anos de que tiranossauros e outros grupos de dinossauros apresentavam caracter\u00edsticas associadas \u00e0 endotermia. Ainda assim, isso n\u00e3o significa que todos os dinossauros fossem de sangue quente: as evid\u00eancias indicam que diferentes grupos poderiam apresentar estrat\u00e9gias fisiol\u00f3gicas distintas.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-predador-ativo-e-adaptado-ao-frio\">Predador ativo e adaptado ao frio<\/h2>\n<p>Uma temperatura corporal pr\u00f3xima \u00e0 humana ajuda a explicar algumas caracter\u00edsticas atribu\u00eddas ao T. rex. Um animal endot\u00e9rmico precisa de mais energia para manter o metabolismo e a temperatura corporal, mas tamb\u00e9m consegue sustentar n\u00edveis elevados de atividade sem depender do aquecimento proporcionado pelo ambiente.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, um T. rex de sangue quente seria um animal energ\u00e9tico e ativo, capaz de perseguir ou procurar alimento para abastecer seu metabolismo acelerado.<\/p>\n<p>A descoberta tamb\u00e9m pode ajudar a explicar como o T. rex conseguiu ocupar regi\u00f5es com grandes varia\u00e7\u00f5es de temperatura. F\u00f3sseis de tiranossauros j\u00e1 foram encontrados em locais de clima frio, incluindo o atual Alasca.<\/p>\n<p>De acordo com Aradhna Tripati, geoqu\u00edmica da UCLA e coautora do estudo, os dentes mostram que o T. rex era mais quente do que o ambiente ao seu redor. A capacidade de manter o pr\u00f3prio calor teria permitido que o animal ocupasse uma \u00e1rea muito ampla, potencialmente incluindo regi\u00f5es \u00e1rticas.<\/p>\n<p>O resultado representa a primeira estimativa direta da temperatura corporal do T. rex e fornece uma evid\u00eancia qu\u00edmica para uma caracter\u00edstica que pesquisadores j\u00e1 suspeitavam h\u00e1 anos. Agora, a mesma t\u00e9cnica poder\u00e1 ser aplicada a outros animais extintos para investigar quando e como a capacidade de manter o corpo aquecido evoluiu entre os dinossauros.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/09\/16\/ciencia-e-espaco\/t-rex-era-de-sangue-quente-dentes-fossilizados-ajudam-a-responder-um-dos-misterios-dos-dinossauros\/\">T. rex era de sangue quente? Dentes fossilizados ajudam a responder um dos mist\u00e9rios dos dinossauros<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante d\u00e9cadas, uma quest\u00e3o dividiu pesquisadores: o Tiranossauro rex era um dinossauro de sangue frio, dependente do ambiente para regular a pr\u00f3pria temperatura, ou conseguia manter o corpo aquecido por conta pr\u00f3pria? Uma nova an\u00e1lise de dentes fossilizados fornece a evid\u00eancia mais direta at\u00e9 agora de que o famoso predador tinha sangue quente. Segundo o<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":15824,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"https:\/\/olhardigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/dente_t_rex-1024x768.jpg","fifu_image_alt":"T. rex era de sangue quente? 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