{"id":15364,"date":"2026-09-08T00:01:50","date_gmt":"2026-09-08T03:01:50","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=15364"},"modified":"2026-09-08T00:01:50","modified_gmt":"2026-09-08T03:01:50","slug":"terremoto-de-2025-pode-ter-despertado-vulcao-apos-quase-500-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=15364","title":{"rendered":"Terremoto de 2025 pode ter despertado vulc\u00e3o ap\u00f3s quase 500 anos"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Um <strong><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/terremoto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">terremoto<\/a> de magnitude 8,8<\/strong> ocorrido em 30 de julho de 2025 na costa da pen\u00ednsula de Kamchatka, na R\u00fassia, pode ter contribu\u00eddo para despertar o <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/vulcao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">vulc\u00e3o<\/a> Krasheninnikov, que estava sem entrar em erup\u00e7\u00e3o havia 475 anos. A poss\u00edvel rela\u00e7\u00e3o foi investigada por uma equipe liderada pelo vulcanologista James Hickey, da Universidade de Exeter, no Reino Unido.<\/p>\n<p>O vulc\u00e3o come\u00e7ou a liberar uma grande coluna de material alguns dias ap\u00f3s o megaterremoto. Em um preprint publicado no <strong><a href=\"https:\/\/eartharxiv.org\/repository\/view\/14750\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EarthArXiv<\/a><\/strong> antes da revis\u00e3o por pares, os pesquisadores prop\u00f5em que a atividade s\u00edsmica prolongada n\u00e3o teria simplesmente rompido o reservat\u00f3rio de magma, mas desencadeado uma sequ\u00eancia de processos que aumentou a press\u00e3o no sistema subterr\u00e2neo.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-vulcao-nao-apresentava-sinais-de-atividade\">Vulc\u00e3o n\u00e3o apresentava sinais de atividade<\/h2>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre terremotos e erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas n\u00e3o \u00e9 direta. Kamchatka fica sobre uma zona de subduc\u00e7\u00e3o, onde a <strong>Placa do Pac\u00edfico<\/strong> mergulha sob a microplaca de Okhotsk. A regi\u00e3o abriga cerca de 160 vulc\u00f5es, dos quais 29 s\u00e3o classificados como ativos.<\/p>\n<p>Antes do terremoto, por\u00e9m, o Krasheninnikov n\u00e3o apresentava sinais evidentes de que uma erup\u00e7\u00e3o estivesse pr\u00f3xima. Observa\u00e7\u00f5es feitas por radar de sat\u00e9lite durante nove anos n\u00e3o identificaram incha\u00e7o do solo que pudesse indicar ac\u00famulo de magma. Pelo contr\u00e1rio, a superf\u00edcie estava afundando cerca de <strong>4 mil\u00edmetros por ano<\/strong>.<\/p>\n<p>Os sat\u00e9lites tamb\u00e9m n\u00e3o haviam detectado emiss\u00f5es de di\u00f3xido de enxofre provenientes do vulc\u00e3o antes do terremoto, embora o g\u00e1s estivesse sendo observado em outros vulc\u00f5es de Kamchatka.<\/p>\n<p>Cerca de dois dias depois do megaterremoto, a regi\u00e3o pr\u00f3xima ao Krasheninnikov registrou <strong>12 terremotos de aproximadamente magnitude 4 em cinco horas<\/strong>. As observa\u00e7\u00f5es por sat\u00e9lite indicaram que magma estava abrindo uma fratura quase vertical na crosta.<\/p>\n<blockquote class=\"twitter-tweet\" data-media-max-width=\"560\">\n<p lang=\"en\" dir=\"ltr\">WATCH: Krasheninnikov Volcano in Kamchatka, Russia erupts for the first time in 600 years <a href=\"https:\/\/t.co\/qHLy7sknsW\">pic.twitter.com\/qHLy7sknsW<\/a><\/p>\n<p>\u2014 Insider Paper (@TheInsiderPaper) <a href=\"https:\/\/x.com\/TheInsiderPaper\/status\/1951923282787336293?ref_src=twsrc%5Etfw\">August 3, 2025<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p> <script async src=\"https:\/\/platform.x.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-magma-pode-ter-acumulado-pressao-durante-seculos\">Magma pode ter acumulado press\u00e3o durante s\u00e9culos<\/h2>\n<p>Os pesquisadores estimaram que a intrus\u00e3o de um dique envolveu cerca de <strong>32 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de magma<\/strong>, alimentados por um reservat\u00f3rio localizado aproximadamente 6 quil\u00f4metros abaixo da superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Os c\u00e1lculos, no entanto, indicam que as mudan\u00e7as permanentes de tens\u00e3o provocadas pelo terremoto foram pequenas, entre <strong>0,01 e 0,05 megapascals de tens\u00e3o de Coulomb<\/strong>. Em geral, os reservat\u00f3rios de magma s\u00e3o considerados capazes de sofrer ruptura quando submetidos a sobrepress\u00f5es de aproximadamente 1 a 10 megapascals.<\/p>\n<p>A tens\u00e3o transit\u00f3ria durante o tremor foi maior, de cerca de <strong>1,0 \u00b1 0,6 megapascals<\/strong>, valor que, teoricamente, poderia ter sido suficiente para influenciar o vulc\u00e3o. Ainda assim, essa n\u00e3o \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o considerada mais prov\u00e1vel pela equipe, principalmente porque o Krasheninnikov n\u00e3o reagiu imediatamente.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem registrada em 14 de novembro de 2025 pelo instrumento OLI-2, do sat\u00e9lite Landsat 9, mostra o vulc\u00e3o Krasheninnikov e a \u00e1rea ao redor, na pen\u00ednsula de Kamchatka, na R\u00fassia \u2013 Imagem: NASA Earth Observatory<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Segundo a modelagem dos pesquisadores, o magma no reservat\u00f3rio apresentava caracter\u00edsticas compat\u00edveis com <strong>alto conte\u00fado de gases<\/strong>. Ao longo dos s\u00e9culos de cristaliza\u00e7\u00e3o, o material rico em vol\u00e1teis pode ter acumulado bolhas no reservat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O tremor prolongado provocado pelo terremoto pode ent\u00e3o ter favorecido a difus\u00e3o de mais g\u00e1s para essas bolhas, fazendo com que elas crescessem e contribuindo para a forma\u00e7\u00e3o de novas bolhas. O aumento do volume dos gases teria elevado a press\u00e3o no reservat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, o sistema teria se tornado inst\u00e1vel, permitindo que o magma avan\u00e7asse para o dique e, posteriormente, provocasse a <strong>erup\u00e7\u00e3o do Krasheninnikov<\/strong>.<\/p>\n<p>Os pesquisadores classificam a situa\u00e7\u00e3o como um poss\u00edvel <strong>\u201cestado cr\u00edtico oculto\u201d<\/strong>: embora o vulc\u00e3o parecesse inativo na superf\u00edcie, caracter\u00edsticas do magma e das condi\u00e7\u00f5es tect\u00f4nicas poderiam ter deixado o reservat\u00f3rio suscet\u00edvel a uma perturba\u00e7\u00e3o s\u00edsmica.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese apresentada no estudo \u00e9 que o terremoto n\u00e3o teria provocado diretamente uma ruptura imediata. Em vez disso, o tremor prolongado teria favorecido a exsolu\u00e7\u00e3o de vol\u00e1teis, o crescimento das bolhas, a desestabiliza\u00e7\u00e3o do reservat\u00f3rio, a intrus\u00e3o do dique e, por fim, a erup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/09\/07\/ciencia-e-espaco\/terremoto-de-2025-pode-ter-despertado-vulcao-apos-quase-500-anos\/\">Terremoto de 2025 pode ter despertado vulc\u00e3o ap\u00f3s quase 500 anos<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um terremoto de magnitude 8,8 ocorrido em 30 de julho de 2025 na costa da pen\u00ednsula de Kamchatka, na R\u00fassia, pode ter contribu\u00eddo para despertar o vulc\u00e3o Krasheninnikov, que estava sem entrar em erup\u00e7\u00e3o havia 475 anos. 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