{"id":15125,"date":"2026-09-02T18:02:55","date_gmt":"2026-09-02T21:02:55","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=15125"},"modified":"2026-09-02T18:02:55","modified_gmt":"2026-09-02T21:02:55","slug":"buracos-negros-que-pareciam-grandes-demais-para-o-universo-jovem-podem-ter-enganado-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=15125","title":{"rendered":"Buracos negros que pareciam grandes demais para o Universo jovem podem ter enganado cientistas"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>O Telesc\u00f3pio Espacial <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/james-webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">James Webb<\/a> (JWST) vem revolucionando o estudo do Universo primordial desde o in\u00edcio de suas observa\u00e7\u00f5es. Mas, ao mesmo tempo em que encontrou uma s\u00e9rie de descobertas importantes, o observat\u00f3rio tamb\u00e9m trouxe um problema para os astr\u00f4nomos: <strong><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/buraco-negro-supermassivo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">buracos negros supermassivos<\/a> que pareciam grandes demais para existir t\u00e3o cedo na hist\u00f3ria do cosmos<\/strong>.<\/p>\n<p>O JWST vem identificando repetidamente buracos negros supermassivos no Universo primordial com centenas de milh\u00f5es de vezes a massa do <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/sol\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sol<\/a>. O problema \u00e9 que esses objetos parecem grandes demais para terem crescido at\u00e9 tamanhos t\u00e3o extremos quando o <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/universo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universo<\/a> ainda n\u00e3o havia completado um bilh\u00e3o de anos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os buracos negros pareciam ter massas desproporcionalmente grandes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pequenas gal\u00e1xias que os abrigavam. Isso desafia a compreens\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre buracos negros supermassivos e suas gal\u00e1xias hospedeiras, observada no Universo atual.<\/p>\n<p>Agora, uma nova pesquisa sugere que o problema pode n\u00e3o ser t\u00e3o grande quanto parecia. Segundo a equipe respons\u00e1vel pelo estudo, a explica\u00e7\u00e3o pode estar na forma como essas massas foram estimadas.<\/p>\n<p>\u201cEstimamos massas de aproximadamente um milh\u00e3o a dez milh\u00f5es de massas solares, em compara\u00e7\u00e3o com as dezenas ou centenas de milh\u00f5es inferidas anteriormente\u201d, afirmou Alessandro Trinca, l\u00edder do estudo e pesquisador do Observat\u00f3rio Astron\u00f4mico de Roma, ligado ao Instituto Nacional de Astrof\u00edsica da It\u00e1lia (INAF, na sigla em ingl\u00eas), ao <em><a href=\"https:\/\/www.space.com\/astronomy\/black-holes\/supermassive-black-holes-too-big-for-the-early-universe-may-not-be-so-massive-after-all\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Space.com<\/a><\/em>.<\/p>\n<p>Ainda se trata de objetos enormes. As massas estimadas s\u00e3o compar\u00e1veis \u00e0 do buraco negro no centro da Via L\u00e1ctea, que possui cerca de quatro milh\u00f5es de massas solares, ou algumas vezes maiores.<\/p>\n<p>\u201cEsses ainda s\u00e3o objetos enormes, compar\u00e1veis ao buraco negro de quatro milh\u00f5es de massas solares no centro da Via L\u00e1ctea, ou algumas vezes maiores, mas est\u00e3o na extremidade inferior da popula\u00e7\u00e3o de buracos negros supermassivos, em vez de entre os exemplos mais extremos\u201d, explicou Trinca.<\/p>\n<p>Mais importante, segundo o pesquisador, \u00e9 que essas novas estimativas s\u00e3o muito mais compat\u00edveis com as caracter\u00edsticas das pequenas gal\u00e1xias que hospedam os buracos negros.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-a-pista-pode-estar-nos-raios-x-que-nao-foram-detectados\">A pista pode estar nos raios X que n\u00e3o foram detectados<\/h2>\n<ul>\n<li>Ao investigar o mist\u00e9rio dos chamados buracos negros \u201csupermassivos demais\u201d do Universo primordial, Trinca e seus colegas perceberam outro aspecto intrigante;<\/li>\n<li>Para atingir massas t\u00e3o grandes, esses buracos negros precisariam consumir enormes quantidades de g\u00e1s e poeira ao redor deles. Objetos desse tipo, em processo intenso de alimenta\u00e7\u00e3o, normalmente s\u00e3o emissores extremamente brilhantes de raios X;<\/li>\n<li>Mas n\u00e3o foi isso que o JWST encontrou;<\/li>\n<li>A equipe analisou <strong>14 buracos negros supermassivos que n\u00e3o apresentavam emiss\u00e3o de raios X<\/strong> e considerou que justamente essa aus\u00eancia poderia fornecer uma pista importante para determinar suas verdadeiras caracter\u00edsticas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cQuase nenhum deles \u00e9 detectado em raios X, mesmo em observa\u00e7\u00f5es muito profundas feitas pelo Observat\u00f3rio de Raios X Chandra da NASA\u201d, disse Trinca.<\/p>\n<p>Em vez de tratar a aus\u00eancia de raios X como um problema, os pesquisadores a interpretaram como uma pista. Ao incorporar essa caracter\u00edstica \u00e0 an\u00e1lise, chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que os objetos provavelmente s\u00e3o muito menos massivos do que as estimativas anteriores indicavam. Isso tamb\u00e9m aproxima suas massas das propriedades observadas nas gal\u00e1xias que os hospedam.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-menores-mas-ainda-mais-famintos\">Menores, mas ainda mais famintos<\/h2>\n<p>A nova interpreta\u00e7\u00e3o traz aparente contradi\u00e7\u00e3o. Se os buracos negros n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o grandes quanto se imaginava, por que eles parecem estar crescendo t\u00e3o rapidamente? Segundo a equipe, a resposta pode estar justamente na velocidade com que esses objetos consomem mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Quando um buraco negro supermassivo acumula mat\u00e9ria em taxas extremamente elevadas, o disco de g\u00e1s ao seu redor pode assumir uma estrutura geometricamente espessa, semelhante a uma rosquinha, com um funil estreito ao longo do eixo de rota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o interna e quente do disco, que normalmente produziria fortes emiss\u00f5es de raios X, fica envolvida por essa estrutura espessa.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0 medida que os raios X escapam, eles s\u00e3o repetidamente espalhados pelo g\u00e1s ao redor, perdendo energia antes de conseguir emergir. Como resultado, o buraco negro parece muito mais fraco em raios X do que normalmente esperar\u00edamos\u201d, explicou Trinca.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, portanto, a aus\u00eancia de raios X n\u00e3o seria inesperada. Pelo contr\u00e1rio: ela seria uma previs\u00e3o do modelo.<\/p>\n<p>A alimenta\u00e7\u00e3o extremamente intensa tamb\u00e9m poderia explicar como esses buracos negros conseguiram atingir milh\u00f5es de vezes a massa do Sol quando o Universo tinha apenas algumas centenas de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o art\u00edstica do telesc\u00f3pio James Webb \u2013 Imagem: Dima Zel\/Shutterstock<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2022\/07\/11\/ciencia-e-espaco\/o-que-e-um-buraco-negro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O que \u00e9 um buraco negro?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2019\/04\/11\/ciencia-e-espaco\/o-que-e-buraco-negro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O que \u00e9 um buraco negro, e porque a 1\u00aa imagem comprova teoria de Einstein<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/07\/17\/ciencia-e-espaco\/buracos-negros-supermassivos-como-se-formam-os-maiores-monstros-do-universo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Buracos negros supermassivos: como se formam os maiores monstros do Universo?<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-buracos-negros-podem-ter-ultrapassado-o-limite-de-eddington\">Buracos negros podem ter ultrapassado o limite de Eddington<\/h2>\n<p>Um dos motivos pelos quais os buracos negros supermassivos do Universo primordial intrigam os cientistas \u00e9 a dificuldade de explicar como eles cresceram t\u00e3o rapidamente. Esses objetos aumentam de tamanho ao consumir mat\u00e9ria e tamb\u00e9m podem crescer por meio da fus\u00e3o com outros buracos negros.<\/p>\n<p>Existe, por\u00e9m, um limite para a velocidade com que um buraco negro \u2014 ou qualquer corpo astron\u00f4mico \u2014 consegue acumular mat\u00e9ria. \u00c9 o chamado <strong>limite de Eddington<\/strong>.<\/p>\n<p>Quanto mais mat\u00e9ria \u00e9 acumulada, maior \u00e9 a quantidade de radia\u00e7\u00e3o produzida. Em determinado ponto, a radia\u00e7\u00e3o pode empurrar o material para longe do buraco negro, dificultando a reposi\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel necess\u00e1rio para continuar o crescimento.<\/p>\n<p>O novo estudo, por\u00e9m, sugere que os buracos negros supermassivos podem passar por per\u00edodos curtos de alimenta\u00e7\u00e3o <strong>super-Eddington<\/strong>, ultrapassando temporariamente esse limite.<\/p>\n<p>Se esses objetos forem at\u00e9 30 vezes menos massivos do que se estimava anteriormente, haver\u00e1 muito menos mat\u00e9ria para acumular dentro do per\u00edodo dispon\u00edvel no Universo primordial.<\/p>\n<p>\u201cEm vez de exigir um crescimento cont\u00ednuo e ininterrupto durante centenas de milh\u00f5es de anos, o cen\u00e1rio passa a ser de epis\u00f3dios mais curtos de acre\u00e7\u00e3o muito r\u00e1pida, exatamente o tipo de comportamento que poder\u00edamos esperar em gal\u00e1xias ricas em g\u00e1s e dinamicamente ativas do Universo primordial\u201d, afirmou Trinca.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-testar-a-nova-hipotese\">Como testar a nova hip\u00f3tese<\/h2>\n<p>Confirmar a teoria de que esses buracos negros passaram por per\u00edodos de alimenta\u00e7\u00e3o extrema ainda exigir\u00e1 novas evid\u00eancias, e isso pode ser dif\u00edcil no curto prazo.<\/p>\n<p>Uma das formas mais diretas seria estudar objetos semelhantes que estejam acumulando mat\u00e9ria muito rapidamente, mas localizados em regi\u00f5es mais pr\u00f3ximas do Universo. Isso permitiria observar e caracterizar seus ambientes com muito mais detalhes.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que esses objetos s\u00e3o raros.<\/p>\n<p>Para a popula\u00e7\u00e3o mais distante observada pelo JWST, futuras miss\u00f5es capazes de realizar observa\u00e7\u00f5es de raios X mais profundas e obter espectros mais detalhados ser\u00e3o importantes. Elas poder\u00e3o, potencialmente, detectar a fraca emiss\u00e3o de raios X prevista pelo novo cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Segundo Trinca, no longo prazo, a obten\u00e7\u00e3o de medi\u00e7\u00f5es diretas e independentes das massas dos buracos negros em \u00e9pocas cada vez mais antigas do Universo ser\u00e1 a forma mais forte de testar a teoria.<\/p>\n<p>Por enquanto, a pesquisa mostra como a aus\u00eancia de uma detec\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode revelar informa\u00e7\u00f5es importantes. Nesse caso, foi justamente a falta de raios X que ajudou os cientistas a restringir as possibilidades e construir uma explica\u00e7\u00e3o mais clara para o comportamento desses objetos.<\/p>\n<p>\u201cFoi interessante ver quanta informa\u00e7\u00e3o poderia ser extra\u00edda de algo que n\u00e3o observamos\u201d, concluiu Trinca. \u201cUma n\u00e3o detec\u00e7\u00e3o pode parecer o tipo de observa\u00e7\u00e3o menos informativa, mas, neste caso, a aus\u00eancia de raios X forneceu uma forte restri\u00e7\u00e3o e ajudou a definir o cen\u00e1rio f\u00edsico com mais clareza do que apenas as detec\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>O estudo foi publicado na edi\u00e7\u00e3o de junho da revista <em><a href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2026\/06\/aa59544-26\/aa59544-26.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Astronomy &amp; Astrophysics<\/a><\/em>.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/09\/02\/ciencia-e-espaco\/buracos-negros-que-pareciam-grandes-demais-para-o-universo-jovem-podem-ter-enganado-cientistas\/\">Buracos negros que pareciam grandes demais para o Universo jovem podem ter enganado cientistas<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (JWST) vem revolucionando o estudo do Universo primordial desde o in\u00edcio de suas observa\u00e7\u00f5es. 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