{"id":14039,"date":"2026-08-15T18:02:15","date_gmt":"2026-08-15T21:02:15","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=14039"},"modified":"2026-08-15T18:02:15","modified_gmt":"2026-08-15T21:02:15","slug":"conheca-o-telescopio-da-nasa-feito-para-cacar-vida-alienigena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=14039","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a o telesc\u00f3pio da NASA feito para ca\u00e7ar vida alien\u00edgena"},"content":{"rendered":"<div>\n<p id=\"p-rc_b5434898acc7022f-21\">Ca\u00e7ar sinais de vida fora da Terra parece algo sa\u00eddo de uma hist\u00f3ria de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Mas \u00e9 o cotidiano de quem trabalha na vanguarda da explora\u00e7\u00e3o espacial. O <strong>Olhar Digital<\/strong> conversou com a astrobi\u00f3loga brasileira Ra\u00edssa Estrela, pesquisadora do Laborat\u00f3rio de Propuls\u00e3o a Jato (JPL) da <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/nasa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a>. Na entrevista, ela detalha como trabalha na prepara\u00e7\u00e3o do <em>Habitable Worlds Observatory<\/em> (telesc\u00f3pio planejado para rastrear \u201cTerras 2.0\u201d), explica as limita\u00e7\u00f5es de observat\u00f3rios atuais e analisa o que falta para descobrirmos se existe vida <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/extraterrestre\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">extraterrestre<\/a>.<\/p>\n<p>A conversa n\u00e3o para a\u00ed. Do espa\u00e7o, a NASA mant\u00e9m instrumentos apontados para o nosso planeta. E Ra\u00edssa revela como dados obtidos na Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS, na sigla em ingl\u00eas) ajudam a mapear a polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1stico e a perda de biodiversidade no planeta, incluindo no Brasil.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-a-brasileira-na-nasa-que-busca-vida-alienigena\">A brasileira na NASA que busca vida alien\u00edgena<\/h2>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">A astrobi\u00f3loga brasileira Ra\u00edssa Estrela trabalha no desenvolvimento do Habitable Worlds Observatory \u2013 Imagem: Arquivo pessoal e NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Confira a entrevista com Ra\u00edssa Estrela na \u00edntegra a seguir:<\/p>\n<p><strong>Olhar Digital: <\/strong>Antes de mais nada, deixo um espa\u00e7o para voc\u00ea se apresentar aos nossos leitores.<\/p>\n<p><strong>Ra\u00edssa:<\/strong> Eu sou pesquisadora no Laborat\u00f3rio de Propuls\u00e3o a Jato da NASA. Eu trabalho com astrobiologia, na detec\u00e7\u00e3o de bioassinaturas em atmosferas de exoplanetas. E trabalho tamb\u00e9m com o nosso planeta Terra na detec\u00e7\u00e3o de poluidores, como o pl\u00e1stico e gases de efeito estufa, como tamb\u00e9m na caracteriza\u00e7\u00e3o de biodiversidade.<\/p>\n<p><strong>Olhar Digital:<\/strong> Ra\u00edssa, quando a gente fala em \u201ccientistas da NASA\u201d, parece um grupo superexclusivo de pessoas, superinteligentes, que estudam outros planetas. Ent\u00e3o, eu queria que voc\u00ea aterrissasse um pouco para a gente e falasse um pouco da sua rotina. Como \u00e9 trabalhar na NASA e ca\u00e7ar vida por a\u00ed?<\/p>\n<p><strong>Ra\u00edssa: <\/strong>A rotina de um cientista depende muito do que voc\u00ea trabalha. No meu caso, eu trabalho com dados de telesc\u00f3pios espaciais. O meu doutorado foi sobre isso, trabalhando com os dados do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble.<\/p>\n<p>Eu estou aqui, no momento, no Laborat\u00f3rio de Propuls\u00e3o a Jato, onde a gente extrai esses dados, trata esses dados e trabalha com eles para fazer a ci\u00eancia que a gente est\u00e1 buscando fazer.<\/p>\n<p>No meu caso, eu trabalho com a atmosfera de planetas fora do Sistema Solar. Os dados do Hubble fornecem, na verdade, uma s\u00e9rie temporal que cont\u00e9m informa\u00e7\u00f5es sobre a luz da estrela que o planeta est\u00e1 orbitando. E, com essa informa\u00e7\u00e3o da luz da estrela, a gente consegue ver sinais de mol\u00e9culas que est\u00e3o na atmosfera do planeta. Parece m\u00e1gica, mas n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>\u00c9 uma forma indireta de obter informa\u00e7\u00f5es sobre o planeta. A gente est\u00e1, na verdade, medindo a luz que vem da estrela, mas, a partir dessa informa\u00e7\u00e3o que a gente obt\u00e9m com o telesc\u00f3pio espacial, consegue extrair dados tamb\u00e9m do planeta.<\/p>\n<p>Foi isso que eu fiz durante boa parte do meu doutorado e \u00e9 isso que eu fa\u00e7o hoje. Mas, hoje, na verdade, eu n\u00e3o trabalho mais com o Hubble. Eu trabalho com a prepara\u00e7\u00e3o de outro telesc\u00f3pio espacial, que \u00e9 o Habitable Worlds Observatory (HWO), que, em portugu\u00eas, seria o Observat\u00f3rio de Mundos Habit\u00e1veis. Vou falar um pouco mais sobre ele em detalhes.<\/p>\n<p>Basicamente, o meu trabalho agora n\u00e3o consiste mais em analisar dados de telesc\u00f3pios espaciais, mas em preparar essa miss\u00e3o que vai para o espa\u00e7o. A gente quer saber quais s\u00e3o as ci\u00eancias que precisa definir para criar uma instrumenta\u00e7\u00e3o capaz de nos retornar a ci\u00eancia que queremos fazer.<\/p>\n<p>Uma dessas ci\u00eancias \u00e9 detectar assinaturas de biomol\u00e9culas, como oxig\u00eanio, oz\u00f4nio e metano. Ent\u00e3o, a gente precisa saber quais s\u00e3o esses requisitos, em que n\u00edvel queremos encontrar essas biomol\u00e9culas e qual instrumenta\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria para detect\u00e1-las.<\/p>\n<p>No momento, temos outros telesc\u00f3pios espaciais. Eu falei para voc\u00eas do Hubble, existe tamb\u00e9m o James Webb, mas ainda n\u00e3o temos a tecnologia para detectar mol\u00e9culas numa atmosfera como a da Terra, uma Terra 2.0.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, estamos preparando o cen\u00e1rio para que, daqui a alguns anos, tenhamos um telesc\u00f3pio espacial capaz de fazer essa ci\u00eancia. O meu trabalho hoje em dia consiste na prepara\u00e7\u00e3o para essa miss\u00e3o espacial.<\/p>\n<p><strong>Olhar Digital: <\/strong>Voc\u00eas t\u00eam um prazo para esse telesc\u00f3pio ser lan\u00e7ado? Como tem sido o trabalho para um observat\u00f3rio que ter\u00e1 justamente como principal miss\u00e3o encontrar esses mundos habit\u00e1veis?<\/p>\n<p><strong>Ra\u00edssa:<\/strong> Existe um prazo, mas ele \u00e9 por volta de 2040, para que esse telesc\u00f3pio seja lan\u00e7ado. Isso depende de muitos fatores. Depende de a instrumenta\u00e7\u00e3o conseguir ser feita a tempo e do financiamento necess\u00e1rio para permitir que tanto a equipe de ci\u00eancia atinja seus objetivos quanto a equipe respons\u00e1vel pelo desenvolvimento da tecnologia dos instrumentos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, tudo isso flutua um pouco, mas o objetivo \u00e9 que, em 2040, a gente tenha esse telesc\u00f3pio espacial pronto.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica de caracteriza\u00e7\u00e3o desses planetas vai ser bem diferente do que o James Webb faz atualmente. O que o James Webb faz hoje \u00e9 semelhante ao que o Hubble tamb\u00e9m \u00e9 capaz de fazer, embora o James Webb seja um telesc\u00f3pio maior, com precis\u00e3o e resolu\u00e7\u00e3o muito melhores.<\/p>\n<p>Eles trabalham com uma t\u00e9cnica chamada tr\u00e2nsito planet\u00e1rio. O telesc\u00f3pio espacial mede a luz da estrela-m\u00e3e, a estrela que hospeda o planeta. Quando o planeta passa na frente da estrela, no que chamamos de tr\u00e2nsito, parte da luz da estrela atravessa a atmosfera do planeta.<\/p>\n<p>Essa luz deixa impress\u00f5es digitais porque as mol\u00e9culas presentes na atmosfera absorvem parte da luz da estrela em comprimentos de onda bem espec\u00edficos. Essas impress\u00f5es digitais ficam registradas no espectro e revelam o que est\u00e1 na atmosfera do planeta.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que o James Webb e o Hubble conseguem detectar compostos nas atmosferas de planetas que est\u00e3o fora do Sistema Solar.<\/p>\n<p>O Habitable Worlds Observatory ser\u00e1 diferente. Ele usar\u00e1 um instrumento chamado coron\u00f3grafo. Esse instrumento bloqueia a luz da estrela-m\u00e3e.<\/p>\n<p>Veja a diferen\u00e7a: com o James Webb e o Hubble, estamos medindo a luz da estrela-m\u00e3e para obter informa\u00e7\u00f5es sobre o planeta. J\u00e1 o Habitable Worlds Observatory vai bloquear a luz da estrela-m\u00e3e porque quer observar justamente a luz refletida pelo planeta que orbita aquela estrela.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/telescpio-nancy-grace-roman-1024x576-1.jpeg\" alt=\"telesc\u00f3pio grace roman\" class=\"wp-image-1310299\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/telescpio-nancy-grace-roman-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/telescpio-nancy-grace-roman-300x169.jpeg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/telescpio-nancy-grace-roman-768x432.jpeg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/telescpio-nancy-grace-roman-1536x864.jpeg 1536w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/telescpio-nancy-grace-roman-2048x1152.jpeg 2048w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/telescpio-nancy-grace-roman-1920x1080.jpeg 1920w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/telescpio-nancy-grace-roman-1280x720.jpeg 1280w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/telescpio-nancy-grace-roman-150x84.jpeg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o do Telesc\u00f3pio Espacial Nancy Grace Roman da NASA escaneando o Universo \u2013 Cr\u00e9dito: NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>A miss\u00e3o Nancy Grace Roman, que ser\u00e1 lan\u00e7ada no final de agosto, tem um coron\u00f3grafo. Nesta miss\u00e3o, vai dar para testar se essa instrumenta\u00e7\u00e3o consegue detectar a luz refletida por outros planetas.<\/p>\n<p>S\u00f3 que a precis\u00e3o do Roman n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para detectar a luz refletida por um planeta pequeno como uma Terra 2.0. Ele ficar\u00e1 limitado a planetas gigantes gasosos, que s\u00e3o muito maiores, refletem mais luz e, portanto, s\u00e3o mais f\u00e1ceis de detectar.<\/p>\n<p>\u00c9 muito mais dif\u00edcil separar o sinal de um planeta pequenininho localizado perto de uma estrela. Essa precis\u00e3o para separar a luz refletida de um planeta pequeno s\u00f3 ser\u00e1 atingida pelo Habitable Worlds Observatory.<\/p>\n<p>\u00c9 essa tecnologia que est\u00e1 sendo testada e desenvolvida atualmente pelos engenheiros, em conjunto com os cientistas que fazem parte do projeto. O Roman vir\u00e1 como uma miss\u00e3o de teste, justamente para ajudar a gente a entender mais sobre o coron\u00f3grafo.<\/p>\n<p>No momento, estamos em fase de testes do Roman, mas tamb\u00e9m tentando entender o que ser\u00e1 necess\u00e1rio para o coron\u00f3grafo do Habitable Worlds Observatory, o instrumento que vai bloquear a luz da estrela-m\u00e3e.<\/p>\n<p>Existem v\u00e1rias arquiteturas poss\u00edveis para essa instrumenta\u00e7\u00e3o. Por isso, h\u00e1 muitos debates. Grupos de engenheiros apresentam diferentes arquiteturas poss\u00edveis para o coron\u00f3grafo e tamb\u00e9m diferentes dimens\u00f5es para o telesc\u00f3pio.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o sabemos, por exemplo, se o Habitable Worlds ser\u00e1 um telesc\u00f3pio de seis ou de oito metros. Tudo isso est\u00e1 em debate. S\u00e3o cenas para os pr\u00f3ximos cap\u00edtulos. Eu n\u00e3o sei dizer qual arquitetura ser\u00e1 escolhida, mas isso est\u00e1 sendo discutido no momento.<\/p>\n<p><strong>Olhar Digital: <\/strong>A tecnologia usada pelo Nancy Grace Roman ser\u00e1 parecida com a do Habitable Worlds Observatory e vai servir como uma esp\u00e9cie de teste, principalmente na quest\u00e3o do coron\u00f3grafo?<\/p>\n<p><strong>Ra\u00edssa: <\/strong>Isso, exatamente. O Nancy Grace Roman tamb\u00e9m vai usar um coron\u00f3grafo. A diferen\u00e7a \u00e9 que ele ficar\u00e1 limitado a observar a luz refletida por planetas gigantes gasosos, planetas do tamanho de J\u00fapiter, e n\u00e3o planetas pequenos.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Habitable Worlds Observatory ser\u00e1 constru\u00eddo com um coron\u00f3grafo capaz de atingir a precis\u00e3o necess\u00e1ria para medir a luz refletida por planetas pequenos, como a Terra ou V\u00eanus.<\/p>\n<p>S\u00e3o planetas muito menores. Mesmo bloqueando a luz da estrela-m\u00e3e, \u00e9 muito mais dif\u00edcil enxergar a luz refletida por esses mundos pequenos do que por um planeta gigante gasoso.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o Roman vem como uma fase inicial. Ele usar\u00e1 o coron\u00f3grafo para caracterizar planetas gigantes gasosos. Depois, o Habitable Worlds vir\u00e1 para que consigamos observar sinais de vida em planetas pequenos.<\/p>\n<p><strong>Olhar Digital: <\/strong>J\u00e1 d\u00e1 para saber mais ou menos o alcance? Quando falamos em encontrar um planeta do tamanho da Terra, sabemos de quantos anos-luz estaremos falando ou ainda \u00e9 muito cedo para pensar nisso?<\/p>\n<p><strong>Ra\u00edssa:<\/strong> Existem estudos para determinar o alcance. Eu n\u00e3o sei dizer exatamente qual ser\u00e1 porque isso tamb\u00e9m depende da arquitetura escolhida para o telesc\u00f3pio. Ent\u00e3o, n\u00e3o tenho uma resposta agora.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 outro ponto importante que voc\u00ea falou: o planeta do tamanho da Terra. Eu disse que queremos detectar uma Terra 2.0 com o Habitable Worlds Observatory, mas uma das grandes limita\u00e7\u00f5es do observat\u00f3rio \u00e9 que, quando observarmos esses planetas, n\u00e3o saberemos exatamente o tamanho deles.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Terra-20-1024x576-1.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o digital da Terra 2.0 num sistema solar\" class=\"wp-image-1358885\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Terra-2.0-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Terra-2.0-300x169.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Terra-2.0-768x432.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Terra-2.0-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Terra-2.0-1280x720.jpg 1280w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Terra-2.0-150x84.jpg 150w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Terra-2.0.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cientistas sup\u00f5em que a Terra 2.0 tenha oxig\u00eanio e metano, gases presentes na atmosfera da Terra \u2013 Imagem: NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Teremos que inferir o que \u00e9 esse planeta com base no que veremos em sua atmosfera. Uma das suposi\u00e7\u00f5es com as quais trabalhamos \u00e9 encontrar uma Terra 2.0 que tenha oxig\u00eanio e metano, gases presentes na nossa atmosfera e que s\u00e3o gerados pela vida.<\/p>\n<p>Estamos procurando esses biogases e bioassinaturas com base no que conhecemos como vida aqui na Terra. Se visualizarmos esses mesmos gases nos dados do HWO, tentaremos entender se tamb\u00e9m s\u00e3o gerados por vida.<\/p>\n<p>As nossas suposi\u00e7\u00f5es s\u00e3o baseadas no que conhecemos como vida aqui na Terra. Mas teremos a limita\u00e7\u00e3o de n\u00e3o saber se o planeta observado realmente tem o tamanho da Terra.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m precisaremos entender se esses gases s\u00e3o realmente gerados por vida ou por algum processo abi\u00f3tico. Processos abi\u00f3ticos podem ser derivados da pr\u00f3pria geologia do planeta. O vulcanismo, por exemplo, gera metano.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pode haver processos relacionados \u00e0 fotoqu\u00edmica da estrela. A radia\u00e7\u00e3o ultravioleta interage com a atmosfera do planeta e pode gerar esses gases de forma abi\u00f3tica.<\/p>\n<p>Tudo isso est\u00e1 sendo estudado agora em prepara\u00e7\u00e3o para a miss\u00e3o: como esses gases tamb\u00e9m podem surgir de processos abi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>Essa, na verdade, \u00e9 uma das minhas linhas de pesquisa. Eu trabalho, inclusive, com estudantes brasileiros para entender essa distin\u00e7\u00e3o: se realmente veremos algo gerado por vida ou se veremos outros gases que podem ser confundidos com a presen\u00e7a de vida.<\/p>\n<p><strong>Olhar Digital:<\/strong> Isso me lembrou do <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/07\/23\/ciencia-e-espaco\/entenda-como-a-ciencia-busca-vida-fora-da-terra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">caso do exoplaneta K2-18b<\/a>. Os cientistas divulgaram que poderia haver sulfeto de dimetila, um composto que, aqui na Terra, est\u00e1 associado \u00e0 vida. Depois, outros estudos contestaram. Com a tecnologia que temos hoje, seria poss\u00edvel comprovar algo de fato ou sempre ficaremos nesse embate acad\u00eamico, com ind\u00edcios que depois acabam questionados?<\/p>\n<p><strong>Ra\u00edssa: <\/strong>Sim, esse \u00e9 um \u00f3timo ponto. Essa observa\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos melhores resultados cient\u00edficos que chegaram mais perto de indicar um planeta potencialmente habit\u00e1vel.<\/p>\n<p>O K2-18b \u00e9 um planeta com tamanho intermedi\u00e1rio entre a Terra e Netuno, uma faixa de tamanho que n\u00e3o existe no nosso Sistema Solar. Isso \u00e9 muito interessante.<\/p>\n<p>Ele est\u00e1 na chamada zona habit\u00e1vel de sua estrela-m\u00e3e. Portanto, tem uma temperatura que pode permitir a exist\u00eancia de \u00e1gua em estado l\u00edquido.<\/p>\n<p>O James Webb detectou di\u00f3xido de carbono, metano e vapor de \u00e1gua. Metano e vapor de \u00e1gua s\u00e3o compostos que podem estar relacionados a bioassinaturas, mas o metano pode ser gerado tanto pela vida quanto por processos abi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>O metano \u00e9 uma mol\u00e9cula que reage bastante quimicamente. Para permanecer na atmosfera, precisa ser continuamente reposto. Ent\u00e3o, n\u00e3o sabemos se esse metano est\u00e1 sendo produzido por um processo bi\u00f3tico ou abi\u00f3tico.<\/p>\n<p>Provavelmente, no caso do K2-18b, trata-se de um metano de origem abi\u00f3tica.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"597\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ilustrao-dois-do-K2-18b-1024x597-1.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o dois do K2-18b\" class=\"wp-image-1114042\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ilustrao-dois-do-K2-18b-1024x597.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ilustrao-dois-do-K2-18b-300x175.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ilustrao-dois-do-K2-18b-768x448.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ilustrao-dois-do-K2-18b-1536x895.jpg 1536w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ilustrao-dois-do-K2-18b-150x87.jpg 150w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ilustrao-dois-do-K2-18b.jpg 2000w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">O Telesc\u00f3pio James Webb detectou di\u00f3xido de carbono, metano e vapor de \u00e1gua no K2-18b \u2013 Imagem: ESA\/Hubble, M. Kornmesser<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Tamb\u00e9m existe o dimetil sulfeto, como voc\u00ea falou. Esse composto \u00e9 produzido por formas de vida aqui na Terra, mas \u00e9 um resultado que precisa de verifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio repetir as observa\u00e7\u00f5es desse sistema. Essa \u00e9 uma das formas de verificar se realmente estamos vendo o que foi identificado no primeiro resultado.<\/p>\n<p>O grande problema \u00e9 que repetir observa\u00e7\u00f5es com telesc\u00f3pios espaciais \u00e9 caro. Isso atrasa um pouco todo esse processo de verifica\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples. \u00c9 preciso apresentar pedidos para observar com o telesc\u00f3pio e cada observa\u00e7\u00e3o tem um custo bastante elevado.<\/p>\n<p>\u00c9 diferente de um telesc\u00f3pio terrestre, que \u00e9 muito mais acess\u00edvel e barato. S\u00f3 que os telesc\u00f3pios terrestres, at\u00e9 o momento, n\u00e3o t\u00eam o mesmo potencial do James Webb.<\/p>\n<p>No entanto, est\u00e3o sendo constru\u00eddos novos telesc\u00f3pios terrestres. \u00c9 o caso do Extremely Large Telescope, o ELT, um telesc\u00f3pio do Observat\u00f3rio Europeu do Sul que ter\u00e1 em torno de 40 metros de di\u00e2metro.<\/p>\n<p>Esse telesc\u00f3pio ser\u00e1 revolucion\u00e1rio, principalmente para fazer esse tipo de observa\u00e7\u00e3o e verifica\u00e7\u00e3o, permitindo observar v\u00e1rias vezes um mesmo sistema, especialmente aqueles com planetas potencialmente habit\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso do K2-18b e tamb\u00e9m do sistema TRAPPIST-1, composto por planetas que orbitam uma estrela do tipo M, uma estrela an\u00e3 muito menor do que o Sol.<\/p>\n<p>O sistema foi observado com o James Webb, mas ainda n\u00e3o existe uma conclus\u00e3o sobre o que h\u00e1 na atmosfera desses planetas. Alguns resultados indicaram que pelo menos o TRAPPIST-1 b <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2023\/09\/27\/ciencia-e-espaco\/planeta-parecido-com-a-terra-em-trappist-1-pode-nao-ter-atmosfera\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">talvez n\u00e3o tenha uma atmosfera<\/a>.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, por\u00e9m, <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2024\/12\/16\/ciencia-e-espaco\/james-webb-faz-descoberta-surpreendente-no-sistema-solar-trappist-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">os resultados<\/a> s\u00e3o inconclusivos e precisam de mais observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/STScI-01K1V61D55HJV2956SNSEN15GN-1024x576-1.jpg\" alt=\"TRAPPIST-1\" class=\"wp-image-1179768\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/STScI-01K1V61D55HJV2956SNSEN15GN-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/STScI-01K1V61D55HJV2956SNSEN15GN-300x169.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/STScI-01K1V61D55HJV2956SNSEN15GN-768x432.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/STScI-01K1V61D55HJV2956SNSEN15GN-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/STScI-01K1V61D55HJV2956SNSEN15GN-1920x1080.jpg 1920w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/STScI-01K1V61D55HJV2956SNSEN15GN-1280x720.jpg 1280w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/STScI-01K1V61D55HJV2956SNSEN15GN-150x84.jpg 150w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/STScI-01K1V61D55HJV2956SNSEN15GN.jpg 2000w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Estrela an\u00e3 vermelha TRAPPIST-1 e seus quatro planetas em \u00f3rbita mais pr\u00f3xima \u2013 Imagem: NASA, ESA, CSA, STScI, Joseph Olmsted (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Como os planetas do sistema TRAPPIST s\u00e3o menores do que o K2-18b e se assemelham mais ao tamanho da Terra, torna-se ainda mais desafiador medir suas atmosferas.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio um telesc\u00f3pio como o ELT. Por ser muito maior, provavelmente conseguir\u00e1 caracterizar melhor esses sistemas.<\/p>\n<p>O James Webb fica limitado a planetas maiores do que a Terra, com dimens\u00f5es entre a Terra e Netuno, como \u00e9 o caso do K2-18b. Esses mundos s\u00e3o chamados de superterras, mas n\u00e3o porque sejam iguais \u00e0 Terra. \u00c9 apenas uma classifica\u00e7\u00e3o relacionada ao tamanho.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, vamos ver o que ainda vir\u00e1 do James Webb, mas tamb\u00e9m precisamos esperar essa pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o muito promissora de telesc\u00f3pios, voltada \u00e0 caracteriza\u00e7\u00e3o de planetas pequenos, com tamanhos mais parecidos com o da Terra.<\/p>\n<p>Isso inclui tanto telesc\u00f3pios terrestres, como o ELT, quanto telesc\u00f3pios espaciais, como o Habitable Worlds Observatory.<\/p>\n<p><strong>Olhar Digital:<\/strong> Agora, deixando os exoplanetas de lado para falar dos planetas do nosso Sistema Solar, especialmente Marte. Tivemos resultados recentes que impactaram bastante o notici\u00e1rio cient\u00edfico, como <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/06\/24\/ciencia-e-espaco\/evidencia-de-vida-antiga-em-marte-veiculo-da-nasa-encontra-carbono-organico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a descoberta de mol\u00e9culas e compostos org\u00e2nicos<\/a> que poderiam estar associados \u00e0 vida passada. Tamb\u00e9m existe a explora\u00e7\u00e3o das luas de Saturno e J\u00fapiter, que podem ter <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2025\/02\/10\/ciencia-e-espaco\/sinais-de-vida-podem-ser-escondidos-por-movimentacao-oceanica-em-lua-de-saturno\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">oceanos l\u00edquidos escondidos<\/a>, e miss\u00f5es como a Europa Clipper. Dentro do Sistema Solar, temos algumas esperan\u00e7as. Eu queria que voc\u00ea comentasse essas descobertas recentes em Marte, como um mundo que talvez n\u00e3o tenha potencial para vida agora, mas que pode ter abrigado vida no passado e deixado rastros para os rob\u00f4s identificarem. Tamb\u00e9m queria que falasse sobre as luas vizinhas que oferecem a possibilidade de encontrarmos vida aqui mesmo no Sistema Solar.<\/p>\n<p><strong>Ra\u00edssa: <\/strong>Marte \u00e9 um planeta muito interessante. Atualmente, possui uma atmosfera muito fina e rarefeita. Isso torna muito dif\u00edcil a exist\u00eancia de vida em Marte no momento.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m seria muito desafiador para n\u00f3s vivermos l\u00e1, apesar de ouvirmos muito na m\u00eddia sobre viagens espaciais para Marte.<\/p>\n<p>Por causa dessa atmosfera muito fina, uma grande quantidade de radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica nociva chega \u00e0 superf\u00edcie. A exposi\u00e7\u00e3o a essa radia\u00e7\u00e3o \u00e9 muito perigosa.<\/p>\n<p>Mas Marte era um planeta radicalmente diferente h\u00e1 tr\u00eas ou quatro bilh\u00f5es de anos. Provavelmente havia muita \u00e1gua, rios, lagos e talvez at\u00e9 um oceano.<\/p>\n<p>A atmosfera de Marte era muito mais densa do que \u00e9 hoje. Era um planeta mais quente, com condi\u00e7\u00f5es muito mais pr\u00f3ximas daquelas que associamos ao desenvolvimento da vida, como \u00e1gua l\u00edquida, qu\u00edmica org\u00e2nica e fontes de energia.<\/p>\n<p>O JPL, onde eu trabalho, construiu o rover Perseverance, que atualmente est\u00e1 em Marte explorando a Cratera de Jezero. Essa cratera foi justamente um desses lagos antigos e provavelmente tem f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>O Perseverance foi enviado especialmente para essa cratera com o objetivo de procurar sinais de vida passada em Marte.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"696\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/selfie-perseverance-1024x696-1.jpg\" alt=\"perseverance\" class=\"wp-image-1325498\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/selfie-perseverance-1024x696.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/selfie-perseverance-300x204.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/selfie-perseverance-768x522.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/selfie-perseverance-1536x1044.jpg 1536w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/selfie-perseverance-2048x1392.jpg 2048w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/selfie-perseverance-150x102.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Selfie capturada em 2026 durante expedi\u00e7\u00e3o do rover Perseverance em Marte \u2013 Imagem: NASA\/JPL-Caltech\/MSSS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Ele tamb\u00e9m est\u00e1 coletando amostras de rochas. Um dos objetivos \u00e9 que essas amostras sejam trazidas para a Terra em algum momento, para que cientistas possam analisar esses sedimentos.<\/p>\n<p>Mas Marte n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico local com potencial para a astrobiologia no Sistema Solar.<\/p>\n<p>Outro deles \u00e9 Europa, uma das luas de J\u00fapiter. Acredita-se que Europa tenha um oceano l\u00edquido subterr\u00e2neo abaixo de uma camada de gelo.<\/p>\n<p>Esse oceano provavelmente possui um volume maior do que os oceanos da Terra e \u00e9 mantido l\u00edquido pelo calor produzido pelas for\u00e7as gravitacionais de J\u00fapiter.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o Europa Clipper foi constru\u00edda aqui, no Laborat\u00f3rio de Propuls\u00e3o a Jato. Ela foi lan\u00e7ada em 2024 e est\u00e1 a caminho de Europa.<\/p>\n<p>Seu objetivo \u00e9 investigar esse oceano, checar se realmente existe \u00e1gua l\u00edquida e procurar compostos org\u00e2nicos que possam nos aproximar da possibilidade de vida nessa lua.<\/p>\n<p>Outro mundo interessante \u00e9 Enc\u00e9lado, uma lua de Saturno. Enc\u00e9lado expele jatos de vapor de \u00e1gua e part\u00edculas de gelo diretamente para o espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Esses jatos foram detectados pela miss\u00e3o Cassini, que foi enviada para analisar Saturno e suas luas.<\/p>\n<p>A Cassini detectou mol\u00e9culas org\u00e2nicas complexas nas plumas que v\u00eam de Enc\u00e9lado. Isso significa que provavelmente existem rea\u00e7\u00f5es ocorrendo num oceano localizado no interior da lua.<\/p>\n<p>A estrutura seria semelhante \u00e0 de Europa: uma camada de gelo e, abaixo dela, um oceano de \u00e1gua l\u00edquida, mantido nessa condi\u00e7\u00e3o pelas for\u00e7as gravitacionais de Saturno.<\/p>\n<p>S\u00e3o luas muito interessantes para analisarmos e que indicam possibilidades de sinais de vida dentro do nosso pr\u00f3prio Sistema Solar.<\/p>\n<p><strong>Olhar Digital: <\/strong>Ra\u00edssa, queria ouvir voc\u00ea sobre esse grande desafio de lidar com as dist\u00e2ncias. A estrela mais pr\u00f3xima da Terra, al\u00e9m do Sol, est\u00e1 a quatro anos-luz. Mesmo que consegu\u00edssemos construir uma nave capaz de viajar na velocidade da luz, ainda assim levar\u00edamos quatro anos para chegar at\u00e9 l\u00e1 e observar os planetas que orbitam essa estrela. Voc\u00ea acha que a nossa gera\u00e7\u00e3o conseguir\u00e1 testemunhar um momento de \u201ceureca\u201d, com a descoberta de vida fora da Terra?<\/p>\n<p><strong>Ra\u00edssa: <\/strong>Como pesquisadora que trabalha na prepara\u00e7\u00e3o de uma miss\u00e3o criada justamente para detectar bioassinaturas, eu tenho que acreditar que conseguiremos.<\/p>\n<p>Acredito que, nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, com o telesc\u00f3pio espacial que estamos preparando, teremos pelo menos a tecnologia necess\u00e1ria para isso. \u00c9 algo que nunca foi feito at\u00e9 ent\u00e3o: uma miss\u00e3o constru\u00edda e dedicada especificamente \u00e0 detec\u00e7\u00e3o de assinaturas de mol\u00e9culas associadas \u00e0 presen\u00e7a de vida.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, tenho esperan\u00e7a de que conseguiremos e vou trabalhar para isso.<\/p>\n<p>Mas, mesmo que a gente n\u00e3o consiga, para mim tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 o fim do mundo. Tanto a detec\u00e7\u00e3o quanto a n\u00e3o detec\u00e7\u00e3o s\u00e3o cientificamente interessantes.<\/p>\n<p>A n\u00e3o detec\u00e7\u00e3o mostra que o nosso planeta, at\u00e9 o momento, \u00e9 o \u00fanico que conhecemos que possui vida. E n\u00e3o apenas vida, mas muita biodiversidade.<\/p>\n<p>Sabemos que milh\u00f5es de esp\u00e9cies dividem o planeta Terra conosco. N\u00f3s n\u00e3o somos a \u00fanica esp\u00e9cie da Terra. Somos apenas um dos habitantes que compartilham este planeta com v\u00e1rios outros.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"654\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/foto-terra-artemis-2-1024x654-1.jpg\" alt=\"foto terra lua artemis 2\" class=\"wp-image-1295011\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/foto-terra-artemis-2-1024x654.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/foto-terra-artemis-2-300x192.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/foto-terra-artemis-2-768x490.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/foto-terra-artemis-2-1536x981.jpg 1536w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/foto-terra-artemis-2-2048x1308.jpg 2048w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/foto-terra-artemis-2-365x232.jpg 365w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/foto-terra-artemis-2-150x96.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Planeta Terra visto por astronautas da miss\u00e3o Artemis 2 em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Lua \u2013 Imagem: Reid Wiseman\/NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Acho muito interessante observar essa diversidade de vida aqui na Terra e considerar que talvez ela seja \u00fanica.<\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o seja, mas, caso seja, isso representa um recado de que precisamos agir com mais cautela e tamb\u00e9m com mais urg\u00eancia para preservar a biodiversidade da Terra, que est\u00e1 sob risco por causa das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p><strong>Olhar Digital:<\/strong> E para fechar, queria falar sobre essa outra parte do seu trabalho. A NASA aponta telesc\u00f3pios para muito longe, mas mant\u00e9m sat\u00e9lites voltados para a Terra, fazendo um monitoramento clim\u00e1tico constante. \u00c9 um trabalho que exige coopera\u00e7\u00e3o global com outras ag\u00eancias e governos. Eu queria que voc\u00ea falasse um pouco sobre esse trabalho que n\u00e3o olha do Universo para fora, mas para dentro, para desafios t\u00e3o urgentes.<\/p>\n<p><strong>Ra\u00edssa: <\/strong>A NASA possui v\u00e1rios observat\u00f3rios voltados para o planeta Terra. Eu trabalho com um deles, chamado EMIT.<\/p>\n<p>O EMIT \u00e9 um instrumento instalado na Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS, na sigla em ingl\u00eas). Ele funciona de forma semelhante ao que fazemos com planetas fora do Sistema Solar.<\/p>\n<p>O instrumento possui um espectr\u00f3grafo, que mede a luz solar refletida pelo planeta Terra.<\/p>\n<p>\u00c9 algo que pretendemos fazer com o Habitable Worlds Observatory em planetas muito distantes e que j\u00e1 fazemos aqui na Terra com o EMIT.<\/p>\n<p>Com as informa\u00e7\u00f5es da luz refletida pelo planeta, conseguimos observar assinaturas de v\u00e1rios materiais, desde minerais at\u00e9 pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>O pl\u00e1stico tamb\u00e9m reflete a luz em comprimentos de onda muito espec\u00edficos. Por isso, a partir do espa\u00e7o, conseguimos identificar esse sinal de reflex\u00e3o e detectar onde existem concentra\u00e7\u00f5es de pl\u00e1stico na Terra.<\/p>\n<p>Isso pode servir como uma forma de mitigar esse grande problema, que \u00e9 uma das crises planet\u00e1rias globais identificadas pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas. S\u00e3o tr\u00eas crises.<\/p>\n<p>Uma dessas crises \u00e9 a polui\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica, que tem aumentado desde os anos 1970. A produ\u00e7\u00e3o de pl\u00e1stico continua crescendo.<\/p>\n<p>Outra \u00e9 a crise da biodiversidade. Eu tamb\u00e9m trabalho para monitorar onde temos biodiversidade e onde estamos perdendo essa diversidade. Sabemos que o Brasil \u00e9 o pa\u00eds n\u00famero um em biodiversidade no planeta Terra. Acho muito importante lembrar que n\u00f3s, brasileiros, viemos do pa\u00eds com a maior biodiversidade do mundo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m precisamos lembrar da nossa responsabilidade, como cidad\u00e3os e habitantes deste planeta, de preservar essa biodiversidade t\u00e3o \u00fanica do Brasil e da Terra, que ainda n\u00e3o encontramos em nenhum outro lugar.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Habitable-Worlds-Observatory-HWO-NASA-1024x576-1.jpg\" alt=\"Montagem com partes do Habitable Worlds Observatory\" class=\"wp-image-1358890\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Habitable-Worlds-Observatory-HWO-NASA-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Habitable-Worlds-Observatory-HWO-NASA-300x169.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Habitable-Worlds-Observatory-HWO-NASA-768x432.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Habitable-Worlds-Observatory-HWO-NASA-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Habitable-Worlds-Observatory-HWO-NASA-1280x720.jpg 1280w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Habitable-Worlds-Observatory-HWO-NASA-150x84.jpg 150w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Habitable-Worlds-Observatory-HWO-NASA.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">O Habitable Worlds Observatory est\u00e1 em desenvolvimento na NASA \u2013 Imagem: NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Talvez vejamos algo semelhante com o Observat\u00f3rio de Mundos Habit\u00e1veis, mas, atualmente, essa biodiversidade est\u00e1 sob amea\u00e7a. Ela continuar\u00e1 amea\u00e7ada tanto pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas quanto pelo avan\u00e7o das atividades humanas \u2013 agropecu\u00e1ria e desmatamento, por exemplo \u2013 que levam \u00e0 perda das florestas e da biodiversidade. O Brasil ainda \u00e9 o n\u00famero um em biodiversidade, mas pode deixar de ser se n\u00e3o cuidarmos disso a tempo.<\/p>\n<p>Existem v\u00e1rios sensores da NASA. O EMIT, com o qual eu trabalho, \u00e9 um deles. Outros instrumentos medem diferentes propriedades do nosso planeta: temperatura, atividade de fotoss\u00edntese da vegeta\u00e7\u00e3o, n\u00edveis de di\u00f3xido de carbono e metano na atmosfera.<\/p>\n<p>Juntos, esses sensores fornecem informa\u00e7\u00f5es sobre o sistema terrestre. N\u00f3s, cientistas, utilizamos esses dados para analisar a sa\u00fade planet\u00e1ria e informar modelos e proje\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Essas informa\u00e7\u00f5es ajudam a pensar em formas de impedir que cheguemos a pontos de n\u00e3o retorno, como no caso da perda da biodiversidade da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um dos trabalhos em que venho tentando atuar, usando os sensores espaciais da NASA.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/08\/15\/ciencia-e-espaco\/o-telescopio-da-nasa-que-vai-atras-de-vida-alienigena\/\">Conhe\u00e7a o telesc\u00f3pio da NASA feito para ca\u00e7ar vida alien\u00edgena<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ca\u00e7ar sinais de vida fora da Terra parece algo sa\u00eddo de uma hist\u00f3ria de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Mas \u00e9 o cotidiano de quem trabalha na vanguarda da explora\u00e7\u00e3o espacial. O Olhar Digital conversou com a astrobi\u00f3loga brasileira Ra\u00edssa Estrela, pesquisadora do Laborat\u00f3rio de Propuls\u00e3o a Jato (JPL) da NASA. Na entrevista, ela detalha como trabalha na<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":14040,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"https:\/\/olhardigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Raissa-Estrela-Habitable-Worlds-Observatory-HWO-NASA-1024x576.jpg","fifu_image_alt":"Conhe\u00e7a o telesc\u00f3pio da NASA feito para ca\u00e7ar vida alien\u00edgena","footnotes":""},"categories":[33],"tags":[],"class_list":["post-14039","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14039","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=14039"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14039\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/14040"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=14039"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=14039"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=14039"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}