{"id":13165,"date":"2026-07-31T00:00:51","date_gmt":"2026-07-31T03:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=13165"},"modified":"2026-07-31T00:00:51","modified_gmt":"2026-07-31T03:00:51","slug":"cientistas-identificam-linhagens-fantasma-que-deixaram-dna-no-genoma-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=13165","title":{"rendered":"Cientistas identificam linhagens \u201cfantasma\u201d que deixaram DNA no genoma humano"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Um novo m\u00e9todo de an\u00e1lise gen\u00f4mica revelou tra\u00e7os de duas linhagens extintas de <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/humanos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">humanos<\/a> arcaicos preservadas no <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/dna\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">DNA<\/a> de pessoas vivas hoje. O estudo foi publicado nesta quinta-feira (30) na revista <em><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.aef8874\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Science<\/a><\/em> e conduzido por pesquisadores da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley (EUA).<\/p>\n<p>Uma das linhagens deixou material gen\u00e9tico em todos os seres humanos modernos. A outra, classificada como \u201csuper-arcaica\u201d, remonta a quase dois milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>\u201cEssas popula\u00e7\u00f5es extintas podem ter vivido centenas de milhares \u2014 ou at\u00e9 mais de um milh\u00e3o \u2014 de anos atr\u00e1s, mas tra\u00e7os de seu legado gen\u00e9tico permanecem preservados em nossos genomas hoje\u201d, disse, ao <em><a href=\"https:\/\/www.livescience.com\/archaeology\/human-evolution\/scientists-discover-2-new-ghost-lineages-that-contributed-dna-to-modern-humans\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Live Science<\/a><\/em>, Priya Moorjani, geneticista evolutiva da UC Berkeley e coautora do estudo.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-metodo-e-o-que-ele-encontrou\">O m\u00e9todo e o que ele encontrou<\/h2>\n<p>Os pesquisadores desenvolveram uma t\u00e9cnica para escanear e comparar mais de 500 genomas completos de humanos modernos de diferentes partes do mundo. Com esses dados, reconstru\u00edram as genealogias completas de cada trecho do genoma de cada pessoa, mapeando todas as vezes em que linhagens gen\u00e9ticas divergiram e se fundiram.<\/p>\n<p>O foco foi em ancestrais com diferen\u00e7as gen\u00e9ticas profundas em rela\u00e7\u00e3o aos humanos modernos \u2014 um indicativo de que se separaram da linhagem humana h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>Diferentemente de abordagens anteriores, o novo m\u00e9todo n\u00e3o exige amostras de DNA de f\u00f3sseis para identificar sequ\u00eancias gen\u00e9ticas antigas no genoma humano moderno. <\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o precisamos mais esperar por uma preserva\u00e7\u00e3o f\u00f3ssil extraordin\u00e1ria para aprender sobre popula\u00e7\u00f5es humanas extintas\u201d, disse Moorjani. \u201cOs genomas das pessoas vivas cont\u00eam tra\u00e7os desses ancestrais antigos, e m\u00e9todos geneal\u00f3gicos nos permitem recuperar parte dessa hist\u00f3ria oculta.\u201d<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica foi testada experimentalmente e identificou corretamente ancestrais neandertais e denisovanos em genomas humanos modernos \u2014 al\u00e9m de revelar casos at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidos de cruzamento com grupos extintos.<\/p>\n<p>O artigo cita ainda o contexto mais amplo que motivou a pesquisa: a maioria das pessoas sem ancestralidade subsaariana carrega entre 1% e 2,4% de DNA neandertal, enquanto asi\u00e1ticos e oce\u00e2nicos possuem entre 0,1% e 6% de DNA denisovano. A escassez de amostras de DNA antigo, no entanto, dificultava identificar outras linhagens extintas com as quais o <em>Homo sapiens<\/em> possa ter se cruzado.<\/p>\n<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pesquisadores desenvolveram uma t\u00e9cnica para escanear e comparar mais de 500 genomas completos de humanos modernos de diferentes partes do mundo \u2013 Imagem: ART STOCK CREATIVE\/Shutterstock<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-linhagem-presente-em-todos-os-humanos-modernos\">Linhagem presente em todos os humanos modernos<\/h2>\n<ul>\n<li>O DNA da primeira linhagem fantasma foi encontrado em todos os humanos modernos, o que indica que esse grupo se cruzou com o <em>Homo sapiens<\/em> na \u00c1frica h\u00e1 mais de 50 mil anos \u2014 antes da migra\u00e7\u00e3o mais recente da esp\u00e9cie para fora do continente africano;<\/li>\n<li>Esse material gen\u00e9tico corresponde a cerca de 0,5% a 1% do genoma dos humanos modernos, propor\u00e7\u00e3o compar\u00e1vel \u00e0 quantidade de DNA neandertal presente em muitas pessoas vivas hoje;<\/li>\n<li>Os cientistas estimaram que essa linhagem fantasma divergiu dos ancestrais dos humanos modernos h\u00e1 cerca de 800 mil anos, aproximadamente no mesmo per\u00edodo em que neandertais e denisovanos tamb\u00e9m se separaram.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cPublica\u00e7\u00f5es anteriores sugeriram que poderia haver ancestralidade fantasma em humanos modernos, mas n\u00e3o haviam conclu\u00eddo se essa ancestralidade desconhecida estava presente apenas em africanos ou n\u00e3o, e quando esse evento de introgress\u00e3o ocorreu\u201d, disse Yulin Zhang, bi\u00f3logo computacional da UC Berkeley e coautor do estudo.<\/p>\n<p>\u201cConseguimos encontrar e mapear localiza\u00e7\u00f5es gen\u00f4micas em humanos modernos que v\u00eam dessa linhagem fantasma e mostrar que essa ancestralidade est\u00e1 em todos os humanos modernos, n\u00e3o apenas em africanos.\u201d<\/p>\n<p>Um poss\u00edvel candidato para essa linhagem \u00e9 o <em>Homo heidelbergensis<\/em>, esp\u00e9cie que viveu entre cerca de 700 mil e 200 mil anos atr\u00e1s na \u00c1frica e na Europa, segundo os autores do estudo.<\/p>\n<p>Chris Stringer, paleoantrop\u00f3logo do Museu de Hist\u00f3ria Natural de Londres que n\u00e3o participou da pesquisa, disse concordar com essa especula\u00e7\u00e3o, apontando que o <em>H. heidelbergensis<\/em> estava presente na \u00c1frica h\u00e1 pelo menos 300 mil anos.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-linhagem-super-arcaica-e-os-povos-da-oceania\">Linhagem super-arcaica e os povos da Oceania<\/h2>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m encontraram evid\u00eancias de que popula\u00e7\u00f5es da Oceania herdaram tra\u00e7os de uma linhagem humana \u201csuper-arcaica\u201d que divergiu dos ancestrais dos humanos modernos h\u00e1 cerca de 1,8 milh\u00e3o de anos \u2014 antes do surgimento do ancestral comum de humanos modernos, neandertais e denisovanos.<\/p>\n<p>Esse DNA super-arcaico representa, em m\u00e9dia, cerca de 0,002% dos genomas oce\u00e2nicos analisados e aparece dentro de regi\u00f5es de DNA denisovano, o que indica que chegou aos humanos modernos por meio de cruzamento com denisovanos.<\/p>\n<p>A idade desse DNA super-arcaico levou Fernando Villanea, geneticista populacional da Universidade do Colorado Boulder (EUA), que n\u00e3o participou do estudo, a sugerir que ele pode ter chegado aos denisovanos \u2014 e depois aos humanos modernos \u2014 a partir do <em>Homo erectus<\/em>.<\/p>\n<p>Villanea acrescentou que cr\u00e2nios de <em>H. erectus<\/em> encontrados em Yunxian (China), compartilham algumas caracter\u00edsticas com f\u00f3sseis denisovanos, mas ressaltou que, at\u00e9 o momento, apenas uma quantidade limitada de material gen\u00e9tico de <em>H. erectus<\/em> foi analisada.<\/p>\n<p>Os achados refor\u00e7am, segundo Villanea, que \u201ca hibridiza\u00e7\u00e3o \u00e9 a norma e n\u00e3o a exce\u00e7\u00e3o\u201d na evolu\u00e7\u00e3o humana e ajudam a reformular o pensamento cient\u00edfico para afast\u00e1-lo de uma mentalidade de excepcionalismo humano. Os estudos da esp\u00e9cie mostram que \u201csomos o produto de m\u00faltiplas esp\u00e9cies\u201d, disse ele.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-distribuicao-no-genoma-e-proximos-passos\">Distribui\u00e7\u00e3o no genoma e pr\u00f3ximos passos<\/h2>\n<p>Os segmentos de DNA dessas linhagens est\u00e3o distribu\u00eddos por todo o genoma humano, mas s\u00e3o mais numerosos em regi\u00f5es associadas ao sistema imunol\u00f3gico e \u00e0 fun\u00e7\u00e3o metab\u00f3lica.<\/p>\n<p>Moorjani disse que isso faz sentido, pois a necessidade de adapta\u00e7\u00e3o a novos pat\u00f3genos e fontes de alimento foi um dos principais motores da evolu\u00e7\u00e3o humana \u2014 e que o cruzamento com grupos extintos permitiu aos humanos modernos adquirir DNA potencialmente ben\u00e9fico.<\/p>\n<p>Stringer avaliou que a nova t\u00e9cnica oferece \u201cformas indiretas de reconstruir partes dos genomas de esp\u00e9cies mais primitivas, como o <em>H. erectus<\/em> e o <em>H. heidelbergensis<\/em>\u201c. No futuro, os cientistas pretendem usar o m\u00e9todo para detectar mais linhagens fantasma, especialmente em regi\u00f5es, como \u00c1frica e Sul da \u00c1sia, que permanecem sub-representadas nos estudos de DNA antigo.<\/p>\n<p>Moorjani tamb\u00e9m apontou que a t\u00e9cnica pode ajudar pesquisadores a estudar a hist\u00f3ria evolutiva de outras esp\u00e9cies nas quais o DNA f\u00f3ssil \u00e9 escasso ou inexistente. \u201cEm vez de uma \u00e1rvore geneal\u00f3gica simples, a hist\u00f3ria humana est\u00e1 emergindo cada vez mais como uma teia complexa de popula\u00e7\u00f5es conectadas por epis\u00f3dios repetidos de diverg\u00eancia, migra\u00e7\u00e3o e mistura\u201d, disse Moorjani.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/07\/30\/ciencia-e-espaco\/cientistas-identificam-linhagens-fantasma-que-deixaram-dna-no-genoma-humano\/\">Cientistas identificam linhagens \u201cfantasma\u201d que deixaram DNA no genoma humano<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo m\u00e9todo de an\u00e1lise gen\u00f4mica revelou tra\u00e7os de duas linhagens extintas de humanos arcaicos preservadas no DNA de pessoas vivas hoje. O estudo foi publicado nesta quinta-feira (30) na revista Science e conduzido por pesquisadores da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley (EUA). Uma das linhagens deixou material gen\u00e9tico em todos os seres humanos modernos.<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":13166,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"https:\/\/olhardigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/dna_edicao-1024x682.jpg","fifu_image_alt":"Cientistas identificam linhagens \u201cfantasma\u201d que deixaram DNA no genoma humano","footnotes":""},"categories":[33],"tags":[],"class_list":["post-13165","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13165","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=13165"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13165\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/13166"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=13165"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=13165"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=13165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}