{"id":12960,"date":"2026-07-28T00:01:30","date_gmt":"2026-07-28T03:01:30","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=12960"},"modified":"2026-07-28T00:01:30","modified_gmt":"2026-07-28T03:01:30","slug":"rover-da-nasa-encontra-em-marte-rochas-de-mais-de-39-bilhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=12960","title":{"rendered":"Rover da NASA encontra em Marte rochas de mais de 3,9 bilh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Pesquisadores identificaram em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/marte\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Marte<\/a> evid\u00eancias geol\u00f3gicas que remontam a mais de 3,9 bilh\u00f5es de anos, preservadas em rochas localizadas nos arredores da Cratera Jezero. A descoberta foi feita pelo rover <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/perseverance\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Perseverance<\/a>, da NASA, e pode ajudar os cientistas a compreender um per\u00edodo da hist\u00f3ria do Sistema Solar que praticamente desapareceu da Terra devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o da tect\u00f4nica de placas e da eros\u00e3o.<\/p>\n<p>As <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/rochas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">rochas<\/a> analisadas foram encontradas na borda da <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/cratera-jezero\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cratera Jezero<\/a>, regi\u00e3o que j\u00e1 despertava o interesse da comunidade cient\u00edfica por apresentar ind\u00edcios de que abrigou um lago no passado. Segundo o estudo, no entanto, essas forma\u00e7\u00f5es s\u00e3o ainda mais antigas do que a pr\u00f3pria cratera, tornando-se o terreno mais antigo j\u00e1 investigado por um rover em Marte.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-formacao-preserva-bilhoes-de-anos-da-historia-marciana\">Forma\u00e7\u00e3o preserva bilh\u00f5es de anos da hist\u00f3ria marciana<\/h2>\n<p>A estrutura estudada \u00e9 conhecida como <strong>membro Broom Point<\/strong>. Ela consiste em uma sequ\u00eancia de aproximadamente 75 metros de espessura, formada por diversas camadas de rochas acumuladas ao longo de um extenso per\u00edodo.<\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, essas camadas n\u00e3o surgiram em um \u00fanico evento geol\u00f3gico. Elas foram constru\u00eddas gradualmente a partir de detritos gerados por sucessivos impactos de asteroides durante um dos per\u00edodos mais violentos da hist\u00f3ria do Sistema Solar.<\/p>\n<p>\u201cDesde que deixou a cratera, o Perseverance vem explorando uma fronteira totalmente nova, tanto geogr\u00e1fica quanto geologicamente \u2014 um cap\u00edtulo do tempo marciano que antecede a pr\u00f3pria cratera\u201d, afirmou, ao <em><a href=\"https:\/\/www.earth.com\/news\/nasas-perseverance-rover-finds-evidence-of-repeated-asteroid-impact-on-mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Earth.com<\/a><\/em>, Ken Farley, do Instituto de Tecnologia da Calif\u00f3rnia (Caltech), em Pasadena (EUA).<\/p>\n<p>O pesquisador destacou que Marte preservou registros que desapareceram da Terra. \u201cNa Terra, nossa hist\u00f3ria geol\u00f3gica mais antiga foi fundamentalmente fragmentada, deformada e apagada pela tect\u00f4nica de placas. Como Marte n\u00e3o possui tect\u00f4nica de placas para reciclar sua crosta, esse registro antigo permanece intacto, oferecendo-nos um raro vislumbre de um per\u00edodo geol\u00f3gico que n\u00e3o existe em nosso pr\u00f3prio planeta.\u201d<\/p>\n<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Rochas de cores vivas expostas na encosta, que se estendem do centro-esquerdo ao centro-direito da imagem, pertencem a uma forma\u00e7\u00e3o que a equipe cient\u00edfica chama de \u201cmembro Broom Point\u201d, uma pilha de rochas antigas com 75 metros de espessura \u2013 Imagem: NASA\/JPL<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-perseverance-encontrou-seis-tipos-diferentes-de-rochas\">Perseverance encontrou seis tipos diferentes de rochas<\/h2>\n<ul>\n<li>Ap\u00f3s descer a borda oeste da Cratera Jezero no in\u00edcio de 2025, o Perseverance utilizou seus instrumentos cient\u00edficos para examinar a forma\u00e7\u00e3o Broom Point;<\/li>\n<li>Durante a investiga\u00e7\u00e3o, o rover identificou seis tipos distintos de rochas. Entre elas estavam brechas compostas por fragmentos de rochas quebradas misturados a finas camadas de poeira rochosa;<\/li>\n<li>Alguns desses fragmentos apresentam pequenas cavidades deixadas por antigas bolhas de g\u00e1s, indicando que j\u00e1 estiveram fundidos;<\/li>\n<li>Os cientistas tamb\u00e9m encontraram grande quantidade de pequenas part\u00edculas escuras com apar\u00eancia v\u00edtrea distribu\u00eddas por toda a forma\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Embora vulc\u00f5es tamb\u00e9m possam produzir materiais semelhantes, os pesquisadores afirmam que isso normalmente n\u00e3o ocorre em volumes t\u00e3o elevados, tornando os impactos de asteroides a hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel;<\/li>\n<li>Segundo o estudo, as maiores part\u00edculas possuem dimens\u00f5es compar\u00e1veis ao material lan\u00e7ado na atmosfera pelo impacto do asteroide de Chicxulub, evento ocorrido h\u00e1 cerca de 66 milh\u00f5es de anos que contribuiu para a extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros na Terra.<\/li>\n<\/ul>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-camadas-indicam-sucessivos-impactos-de-asteroides\">Camadas indicam sucessivos impactos de asteroides<\/h2>\n<p>A repeti\u00e7\u00e3o dos diferentes tipos de rochas levou os pesquisadores \u00e0 conclus\u00e3o de que a regi\u00e3o foi atingida por diversos impactos ao longo do tempo, e n\u00e3o por uma \u00fanica colis\u00e3o de grandes propor\u00e7\u00f5es. Cada impacto teria depositado uma nova camada de detritos sobre as anteriores, formando a espessa sequ\u00eancia observada atualmente.<\/p>\n<p>\u201cAs diferentes camadas de rocha s\u00e3o um registro de impactos de tamanhos vari\u00e1veis ocorrendo a diferentes dist\u00e2ncias de onde essa sequ\u00eancia rochosa estava se acumulando. Alguns grandes impactos ocorreram muito longe, alguns pequenos impactos por perto. Todos os seus detritos acabaram caindo aqui, construindo esta espessa se\u00e7\u00e3o de rocha\u201d, explicou Alex Jones, do Imperial College London (Reino Unido).<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m identificaram ind\u00edcios de que algumas camadas podem ter sido formadas por fluxos r\u00e1pidos de detritos que se deslocavam pr\u00f3ximos \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Na Terra, fen\u00f4menos semelhantes podem ocorrer quando material extremamente quente entra em contato com \u00e1gua ou gelo, produzindo grandes quantidades de vapor em pouco tempo. Segundo os cientistas, isso levanta a possibilidade de que \u00e1gua ou gelo tenham participado da forma\u00e7\u00e3o dessas rochas em Marte.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-dois-grandes-impactos-podem-ter-moldado-a-regiao\">Dois grandes impactos podem ter moldado a regi\u00e3o<\/h2>\n<p>Outro aspecto que chamou a aten\u00e7\u00e3o da equipe foi a inclina\u00e7\u00e3o das camadas de rocha. Algumas delas apresentam \u00e2ngulos superiores a 80 graus e hoje se encontram praticamente na posi\u00e7\u00e3o vertical.<\/p>\n<p>Os pesquisadores conclu\u00edram que o impacto respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o da Cratera Jezero, com cerca de 45 quil\u00f4metros de di\u00e2metro, n\u00e3o seria suficiente para explicar essa deforma\u00e7\u00e3o. A hip\u00f3tese proposta \u00e9 que a regi\u00e3o tenha sido moldada por dois grandes impactos ocorridos em momentos distintos.<\/p>\n<p>O primeiro deles teria formado a gigantesca <strong>Bacia Isidis<\/strong>, estrutura de aproximadamente 1.930 quil\u00f4metros de di\u00e2metro, cuja colis\u00e3o provavelmente inclinou e deformou as camadas originalmente horizontais.<\/p>\n<p>Mais tarde, outro asteroide teria atingido a \u00e1rea, formando a Cratera Jezero e fragmentando as rochas j\u00e1 inclinadas, originando as forma\u00e7\u00f5es observadas atualmente.<\/p>\n<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"967\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/marte_asteroides_2-967x1024-1.jpg\" alt=\"Imagens da f\u00e1cies 5\" class=\"wp-image-1356834\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/marte_asteroides_2-967x1024.jpg 967w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/marte_asteroides_2-283x300.jpg 283w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/marte_asteroides_2-768x813.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/marte_asteroides_2-1451x1536.jpg 1451w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/marte_asteroides_2-1934x2048.jpg 1934w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/marte_asteroides_2-150x159.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 967px) 100vw, 967px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagens da f\u00e1cies 5, uma camada bem selecionada, com suporte de arcabou\u00e7o e contendo esf\u00e9rulas, na estratigrafia de Broom Point. Isso indica impactos repetidos de asteroides na Cratera Jezero, em Marte \u2013 Imagem: NASA\/JPL-Caltech\/ASU\/MSSS\/L. Mehall<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-amostras-podem-revelar-a-cronologia-dos-primeiros-bilhoes-de-anos\">Amostras podem revelar a cronologia dos primeiros bilh\u00f5es de anos<\/h2>\n<p>Para determinar quando esses eventos ocorreram, a equipe do Perseverance coletou duas amostras de n\u00facleo de rocha, batizadas de <strong>Bell Island<\/strong> e <strong>Main River<\/strong>.<\/p>\n<p>Caso uma futura miss\u00e3o consiga trazer esse material para a Terra, os pesquisadores poder\u00e3o utilizar instrumentos laboratoriais para determinar com precis\u00e3o a idade das rochas.<\/p>\n<p>Essas an\u00e1lises tamb\u00e9m poder\u00e3o ajudar a estimar com que frequ\u00eancia asteroides atingiam tanto Marte quanto a Terra primitiva.<\/p>\n<p>Enquanto a maior parte desse registro desapareceu do nosso planeta devido \u00e0 reciclagem constante da crosta terrestre pelas placas tect\u00f4nicas, Marte preservou essas evid\u00eancias gra\u00e7as \u00e0 sua superf\u00edcie muito mais antiga e menos alterada.<\/p>\n<p>\u201cDurante essa era violenta, n\u00e3o era chuva ou neve que ca\u00eda do c\u00e9u, mas um bombardeio quase constante de got\u00edculas de rocha fundida e poeira pulverizada lan\u00e7ada por impactos de asteroides. Se conseguirmos determinar as idades dessas camadas, seria como ler um relat\u00f3rio meteorol\u00f3gico c\u00f3smico de 4 bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s\u201d, afirmou Alex Jones.<\/p>\n<p>O estudo foi publicado pela <em><a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1029\/2026JE009779\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">American Geophysical Union (AGU)<\/a><\/em>.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/07\/27\/ciencia-e-espaco\/rover-da-nasa-encontra-em-marte-rochas-de-mais-de-39-bilhoes-de-anos\/\">Rover da NASA encontra em Marte rochas de mais de 3,9 bilh\u00f5es de anos<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores identificaram em Marte evid\u00eancias geol\u00f3gicas que remontam a mais de 3,9 bilh\u00f5es de anos, preservadas em rochas localizadas nos arredores da Cratera Jezero. 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