{"id":12689,"date":"2026-07-24T00:00:43","date_gmt":"2026-07-24T03:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=12689"},"modified":"2026-07-24T00:00:43","modified_gmt":"2026-07-24T03:00:43","slug":"misteriosos-pontos-vermelhos-vistos-pelo-telescopio-james-webb-estao-sumindo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=12689","title":{"rendered":"Misteriosos pontos vermelhos vistos pelo Telesc\u00f3pio James Webb est\u00e3o sumindo"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Uma nova pesquisa prop\u00f5e uma explica\u00e7\u00e3o para um dos maiores mist\u00e9rios revelados pelo <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/james-webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (JWST<\/a>, na sigla em ingl\u00eas): os enigm\u00e1ticos <strong>Pequenos Pontos Vermelhos<\/strong>.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, esses objetos, apelidados de \u201cdinossauros c\u00f3smicos\u201d, podem n\u00e3o ter desaparecido do universo primitivo. Em vez disso, eles teriam evolu\u00eddo para os aglomerados globulares, enormes conjuntos de estrelas densamente compactadas encontrados em gal\u00e1xias, como a Via L\u00e1ctea.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese estabelece um paralelo com a evolu\u00e7\u00e3o dos dinossauros terrestres. Assim como muitos deles n\u00e3o foram extintos, mas deram origem \u00e0s aves modernas, os Pequenos Pontos Vermelhos tamb\u00e9m poderiam ter sobrevivido, transformando-se em estruturas ainda presentes no universo atual.<\/p>\n<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Aglomerado globular NGC 6638, visto pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble \u2013 Imagem: ESA\/Hubble e NASA, R. Cohen<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-misterio-surgiu-com-o-james-webb\">Mist\u00e9rio surgiu com o James Webb<\/h2>\n<ul>\n<li>Os Pequenos Pontos Vermelhos passaram a intrigar os astr\u00f4nomos em 2022, quando o James Webb come\u00e7ou a detect\u00e1-los em grande quantidade em uma \u00e9poca correspondente a cerca de 600 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang:<\/li>\n<li>O enigma est\u00e1 no fato de que esses objetos aparentemente desaparecem antes de o universo atingir aproximadamente dois bilh\u00f5es de anos;<\/li>\n<li>Desde ent\u00e3o, diversas explica\u00e7\u00f5es foram propostas para sua natureza. Uma delas sugeria que poderiam ser \u201cestrelas de buraco negro\u201d, ou seja, buracos negros cercados por extensas nuvens de g\u00e1s e poeira.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A nova pesquisa apresenta outra possibilidade: esses objetos poderiam ser aglomerados globulares em forma\u00e7\u00e3o, contendo uma estrela supermassiva em seu centro. Esse tipo hipot\u00e9tico de estrela teria entre mil e dez mil vezes a massa do Sol e uma vida extremamente curta, mas produziria uma apar\u00eancia semelhante \u00e0 dos Pequenos Pontos Vermelhos observados pelo telesc\u00f3pio.<\/p>\n<p>\u201cEstes podem n\u00e3o ser apenas uma estranha nova popula\u00e7\u00e3o do JWST sem conex\u00e3o com o universo que nos cerca hoje\u201d, afirmou o l\u00edder da pesquisa, John Chisholm, da Universidade do Texas em Austin (EUA). \u201cEm vez disso, os Pequenos Pontos Vermelhos podem persistir para al\u00e9m do universo primitivo, evoluindo para algo relativamente familiar.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Chisholm, \u201cos Pequenos Pontos Vermelhos poderiam ser gal\u00e1xias, poderiam envolver buracos negros, ou poderiam ser algo ainda mais inesperado. Nosso trabalho mostra que a forma\u00e7\u00e3o de aglomerados globulares com estrelas supermassivas deve fazer parte dessa conversa.\u201d<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-aglomerados-globulares-ainda-guardam-misterios\">Aglomerados globulares ainda guardam mist\u00e9rios<\/h2>\n<p>Os aglomerados globulares s\u00e3o encontrados principalmente em grandes gal\u00e1xias e podem reunir milh\u00f5es de estrelas antigas em regi\u00f5es extremamente compactas.<\/p>\n<p>A Via L\u00e1ctea abriga pelo menos 150 desses aglomerados. Apesar de serem objetos bem conhecidos pelos astr\u00f4nomos, sua origem continua sendo motivo de debate cient\u00edfico.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/mcdonaldobservatory.org\/2026\/07\/one-idea-two-cosmic-mysteries-linking-little-red-dots-and-globular-clusters\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Segundo<\/a> Danielle Berg, tamb\u00e9m da Universidade do Texas em Austin, os pesquisadores normalmente observam esses aglomerados ap\u00f3s bilh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNormalmente os vemos [os aglomerados globulares] ap\u00f3s bilh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o, em um momento em que suas estrelas massivas j\u00e1 desapareceram, seu g\u00e1s foi disperso e processos din\u00e2micos alteraram suas massas e estruturas. Isso torna muito dif\u00edcil reconstruir as condi\u00e7\u00f5es originais em que se formaram.\u201d<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2021\/12\/21\/ciencia-e-espaco\/james-webb-saiba-tudo-sobre-o-telescopio-que-e-a-missao-mais-cara-na-historia-da-nasa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">James Webb: saiba tudo sobre o telesc\u00f3pio que \u00e9 a miss\u00e3o mais cara na hist\u00f3ria da Nasa<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/05\/13\/ciencia-e-espaco\/james-webb-produz-o-mapa-mais-detalhado-da-teia-cosmica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">James Webb produz o mapa mais detalhado da \u201cteia c\u00f3smica\u201d<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/07\/22\/ciencia-e-espaco\/james-webb-revela-quimica-inesperada-em-dois-mundos-gelados\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">James Webb revela qu\u00edmica inesperada em dois mundos gelados<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-quimica-incomum-pode-ser-explicada-por-estrelas-supermassivas\">Qu\u00edmica incomum pode ser explicada por estrelas supermassivas<\/h2>\n<p>Os cientistas acreditam que as estrelas presentes nos aglomerados globulares se formaram aproximadamente na mesma \u00e9poca, durante os primeiros est\u00e1gios do universo. Naquele per\u00edodo, o cosmos era composto principalmente por hidrog\u00eanio, h\u00e9lio e pequenas quantidades de elementos mais pesados \u2014 chamados de metais pelos astr\u00f4nomos.<\/p>\n<p>Entretanto, muitas estrelas desses aglomerados apresentam uma composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica incomum. Elas possuem abund\u00e2ncia de h\u00e9lio e de elementos, como nitrog\u00eanio, s\u00f3dio e alum\u00ednio, enquanto exibem n\u00edveis menores do que o esperado de carbono, oxig\u00eanio e magn\u00e9sio.<\/p>\n<p>Segundo Mike Boylan-Kolchin, integrante da equipe, essa assinatura qu\u00edmica sugere condi\u00e7\u00f5es extremas de fus\u00e3o nuclear.<\/p>\n<p>\u201cEsse padr\u00e3o espec\u00edfico indica fus\u00e3o nuclear em temperaturas muito altas, muito mais elevadas do que nos n\u00facleos de estrelas normais, at\u00e9 mesmo massivas. Uma estrela supermassiva \u00e9 precisamente o tipo de ambiente que poderia produzir essa combina\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/pontos_vermelhos_2-1024x576-1.png\" alt='Algumas das gal\u00e1xias \"pequenas de ponto vermelho\"' class=\"wp-image-1355582\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/pontos_vermelhos_2-1024x576.png 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/pontos_vermelhos_2-300x169.png 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/pontos_vermelhos_2-768x432.png 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/pontos_vermelhos_2-150x84.png 150w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/pontos_vermelhos_2.png 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Algumas das gal\u00e1xias \u201cpequenas de ponto vermelho\u201d descobertas pelo JWST \u2013 Imagem: NASA, ESA, CSA, STScI, Dale Kocevski (Colby College)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-estrelas-gigantes-teriam-vida-curta\">Estrelas gigantes teriam vida curta<\/h2>\n<p>De acordo com o modelo proposto pelos pesquisadores, essas estrelas supermassivas surgiriam em ambientes extremamente densos durante a forma\u00e7\u00e3o dos primeiros aglomerados globulares, onde colis\u00f5es e fus\u00f5es entre estrelas ocorreriam repetidamente.<\/p>\n<p>Embora gigantescas, elas viveriam apenas cerca de um milh\u00e3o de anos \u2014 um per\u00edodo muito curto quando comparado aos 4,6 bilh\u00f5es de anos de idade do Sol. Mesmo com essa exist\u00eancia breve, essas estrelas conseguiriam produzir os elementos qu\u00edmicos necess\u00e1rios para explicar a composi\u00e7\u00e3o observada atualmente nos aglomerados globulares.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s morrerem em explos\u00f5es de supernova, esses elementos seriam lan\u00e7ados ao espa\u00e7o e utilizados na forma\u00e7\u00e3o de novas gera\u00e7\u00f5es de estrelas.<\/p>\n<p>Segundo Chisholm, isso tamb\u00e9m explicaria o desaparecimento dos Pequenos Pontos Vermelhos. \u201cEm nosso modelo, a estrela supermassiva que ajuda a fazer o objeto parecer um Pequeno Ponto Vermelho viveria por pouco tempo. Uma vez que essa estrela morre, o objeto pode n\u00e3o se parecer mais com um Pequeno Ponto Vermelho, mesmo que o pr\u00f3prio aglomerado sobreviva por bilh\u00f5es de anos.\u201d<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-distribuicao-e-epoca-reforcam-hipotese\">Distribui\u00e7\u00e3o e \u00e9poca refor\u00e7am hip\u00f3tese<\/h2>\n<p>Al\u00e9m da composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, os pesquisadores identificaram outros ind\u00edcios que podem conectar os Pequenos Pontos Vermelhos aos aglomerados globulares. Segundo a equipe, a distribui\u00e7\u00e3o desses objetos no universo primitivo corresponde \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o observada atualmente para os aglomerados globulares.<\/p>\n<p>Os modelos de evolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m indicam que as massas estimadas dos Pequenos Pontos Vermelhos poderiam evoluir naturalmente at\u00e9 atingir as massas dos aglomerados globulares existentes hoje.<\/p>\n<p>Outro fator considerado importante \u00e9 o momento em que esses objetos aparecem. Os Pequenos Pontos Vermelhos surgem cerca de 600 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang, per\u00edodo que coincide com as estimativas para o in\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o dos aglomerados globulares.<\/p>\n<p>Apesar das evid\u00eancias, os pesquisadores ressaltam que a hip\u00f3tese ainda n\u00e3o foi confirmada. \u201cN\u00e3o h\u00e1, neste momento, uma prova definitiva de que os Pequenos Pontos Vermelhos sejam aglomerados globulares, mas isso explicaria muitas observa\u00e7\u00f5es diversas e surpreendentes\u201d, afirmou Boylan-Kolchin.<\/p>\n<p>O estudo est\u00e1 dispon\u00edvel em vers\u00e3o preliminar no reposit\u00f3rio cient\u00edfico <strong><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2602.15935\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>arXiv<\/em><\/a><\/strong>, o que significa que seus resultados ainda n\u00e3o passaram pelo processo de revis\u00e3o por pares.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/07\/23\/ciencia-e-espaco\/misteriosos-pontos-vermelhos-vistos-pelo-telescopio-james-webb-estao-sumindo\/\">Misteriosos pontos vermelhos vistos pelo Telesc\u00f3pio James Webb est\u00e3o sumindo<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma nova pesquisa prop\u00f5e uma explica\u00e7\u00e3o para um dos maiores mist\u00e9rios revelados pelo Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (JWST, na sigla em ingl\u00eas): os enigm\u00e1ticos Pequenos Pontos Vermelhos. 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