{"id":12326,"date":"2026-07-19T06:00:28","date_gmt":"2026-07-19T09:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=12326"},"modified":"2026-07-19T06:00:28","modified_gmt":"2026-07-19T09:00:28","slug":"a-grande-morte-estudo-confirma-causa-da-maior-extincao-em-massa-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=12326","title":{"rendered":"\u201cA Grande Morte\u201d: estudo confirma causa da maior extin\u00e7\u00e3o em massa da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>H\u00e1 252 milh\u00f5es de anos, <strong>96% das esp\u00e9cies marinhas e 70% dos animais terrestres<\/strong> desapareceram num evento conhecido como <strong>\u201cA Grande Morte\u201d<\/strong>: a maior extin\u00e7\u00e3o em massa da hist\u00f3ria da Terra. A causa exata sempre foi debatida. Agora, um novo estudo liderado pela <strong>Universidade Stanford<\/strong> diz ter a resposta definitiva.<\/p>\n<p>\u201cEste estudo \u00e9 realmente o prego final no caix\u00e3o sobre o que causou a extin\u00e7\u00e3o Permiano-Tri\u00e1ssica\u201d, disse Erik Sperling, autor s\u00eanior do estudo e professor da Escola de Sustentabilidade Stanford Doerr, em comunicado da universidade. O estudo foi publicado em 6 de julho no <em><a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/doi\/10.1073\/pnas.2533086123\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Proceedings of the National Academy of Sciences<\/a><\/em>.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-que-matou-quase-tudo\">O que matou quase tudo<\/h2>\n<p>A extin\u00e7\u00e3o foi desencadeada por uma <strong>enorme erup\u00e7\u00e3o vulc\u00e2nica que lan\u00e7ou quantidades colossais de CO\u2082 e metano na atmosfera<\/strong>, aquecendo o planeta e retirando o oxig\u00eanio dos oceanos. O que o novo estudo acrescenta \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o de por que alguns animais sobreviveram e outros n\u00e3o.<\/p>\n<p>A resposta est\u00e1 no metabolismo.<\/p>\n<p>Os animais que dominavam os oceanos antes da extin\u00e7\u00e3o \u2013 braqui\u00f3podes, l\u00edrios-do-mar e certos corais \u2013 tinham metabolismos lentos e viviam no fundo do mar praticamente im\u00f3veis. Quando as \u00e1guas aqueceram e perderam oxig\u00eanio, esses organismos n\u00e3o conseguiram se adaptar. Seus metabolismos lentos n\u00e3o conseguiam acompanhar a demanda crescente de oxig\u00eanio causada pelo aumento de temperatura.<\/p>\n<p>J\u00e1 os moluscos, peixes e equinodermos \u2013 como polvos, mariscos, ouri\u00e7os-do-mar e estrelas-do-mar \u2013 tinham metabolismos mais r\u00e1pidos e corpos mais musculosos, capazes de extrair oxig\u00eanio mesmo em condi\u00e7\u00f5es adversas. Eles sobreviveram. E dominam os oceanos at\u00e9 hoje.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que n\u00e3o comemos caldo de braqui\u00f3pode<\/h2>\n<p>A diferen\u00e7a entre os sobreviventes e as v\u00edtimas fica clara numa compara\u00e7\u00e3o simples. Antes da Grande Morte, os braqui\u00f3podes superavam em n\u00famero as ostras e mariscos. Hoje, existem apenas cerca de 400 esp\u00e9cies de braqui\u00f3podes \u2013 contra 10.000 a 15.000 esp\u00e9cies de bivalves.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 por isso que comemos caldo de mariscos e n\u00e3o caldo de braqui\u00f3podes\u201d, disse Sperling. \u201cOs braqui\u00f3podes n\u00e3o t\u00eam quase nenhuma carne.\u201d<\/p>\n<p>\u201cCom este estudo, quer\u00edamos essencialmente resolver o mist\u00e9rio de por que, quando voc\u00ea vai \u00e0 praia, coleta conchas de mariscos e carac\u00f3is em vez de braqui\u00f3podes. Nossas descobertas mostram que, entre diferentes grupos de organismos, as extin\u00e7\u00f5es ocorreram em taxas muito mais altas para aqueles mais vulner\u00e1veis ao aumento da temperatura da \u00e1gua e \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da disponibilidade de oxig\u00eanio\u201d, disse Jose Andres Marquez, autor principal do estudo, em comunicado.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O paralelo com hoje<\/h2>\n<p>Os pesquisadores s\u00e3o expl\u00edcitos sobre o aviso que o estudo carrega.<\/p>\n<p>\u201cAs condi\u00e7\u00f5es que precederam a extin\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito semelhantes ao clima das \u00faltimas dezenas de milh\u00f5es de anos, que est\u00e1 sendo alterado pelas emiss\u00f5es da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis e outras atividades humanas\u201d, disse Sperling.<\/p>\n<p>Na Grande Morte, as temperaturas aumentaram entre 8 e 12\u00b0C ao longo de milhares de anos. Nas proje\u00e7\u00f5es de pior caso para 2100, o aquecimento projetado \u00e9 de 1,5 a 4\u00b0C \u2013 mas em apenas 100 a 200 anos. O ritmo \u00e9 incomparavelmente mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p>\u201cA m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que estamos no caminho para n\u00edveis de aquecimento da era Permiano-Tri\u00e1ssica nos cen\u00e1rios de pior caso\u201d, disse Sperling. \u201cMas a boa not\u00edcia \u00e9 que ainda estamos no ponto em que podemos mudar as coisas e fazer algo a respeito.\u201d<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/07\/19\/ciencia-e-espaco\/a-grande-morte-estudo-confirma-causa-da-maior-extincao-em-massa-da-historia\/\">\u201cA Grande Morte\u201d: estudo confirma causa da maior extin\u00e7\u00e3o em massa da hist\u00f3ria<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 252 milh\u00f5es de anos, 96% das esp\u00e9cies marinhas e 70% dos animais terrestres desapareceram num evento conhecido como \u201cA Grande Morte\u201d: a maior extin\u00e7\u00e3o em massa da hist\u00f3ria da Terra. 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