{"id":11972,"date":"2026-07-15T00:01:09","date_gmt":"2026-07-15T03:01:09","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=11972"},"modified":"2026-07-15T00:01:09","modified_gmt":"2026-07-15T03:01:09","slug":"amazonia-cientistas-descobrem-emissoes-de-metano-muito-acima-do-previsto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=11972","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia: cientistas descobrem emiss\u00f5es de metano muito acima do previsto"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Pesquisadores do Instituto Max Planck de Qu\u00edmica mediram concentra\u00e7\u00f5es de metano na <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/amazonia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Amaz\u00f4nia<\/a> significativamente acima do que os modelos clim\u00e1ticos e de sistemas terrestres estimavam. Em algumas \u00e1reas de zonas \u00famidas, as emiss\u00f5es chegam a quatro vezes o valor calculado pelos modelos. Os resultados foram publicados no peri\u00f3dico <em><a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1029\/2026GL122310\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Geophysical Research Letters<\/a><\/em> em julho de 2026.<\/p>\n<p>O estudo foi conduzido por Linda Ort, qu\u00edmica atmosf\u00e9rica e autora principal da pesquisa. A equipe internacional coletou dados ao longo de dois meses, entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023 \u2014 per\u00edodo que corresponde \u00e0 transi\u00e7\u00e3o entre a esta\u00e7\u00e3o seca e a chuvosa na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa janela temporal \u00e9 relevante porque as queimadas de biomassa tipicamente n\u00e3o ocorrem nessa fase, o que significa que as medi\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram fortemente afetadas por atividade humana. Embora as emiss\u00f5es de metano sejam mais altas durante a esta\u00e7\u00e3o chuvosa e mais baixas durante a seca, os dois meses de coleta correspondem aproximadamente \u00e0 m\u00e9dia anual das emiss\u00f5es das zonas \u00famidas.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-que-as-medicoes-revelaram\">O que as medi\u00e7\u00f5es revelaram<\/h2>\n<ul>\n<li>Na \u00e9poca das medi\u00e7\u00f5es, o n\u00edvel de fundo de metano na atmosfera era de cerca de 1.907 partes por bilh\u00e3o (ppb) \u2014 unidade usada para descrever propor\u00e7\u00f5es muito baixas de gases tra\u00e7o na atmosfera;<\/li>\n<li>Esse valor subiu desde ent\u00e3o. Em m\u00e9dia, os n\u00edveis de metano medidos acima do fundo atmosf\u00e9rico foram cerca de duas vezes mais altos do que os valores correspondentes dos modelos;<\/li>\n<li>A discrep\u00e2ncia entre dados medidos e modelados cresce conforme a altitude diminui;<\/li>\n<li>A seis quil\u00f4metros ou mais de altura, os dados medidos e modelados se alinham bem \u2014 Ort atribui esse alinhamento ao fato de que o metano se mistura bem na atmosfera nessas altitudes e os modelos representam com precis\u00e3o o transporte de massas de ar e os efeitos de mistura. Nos n\u00edveis mais pr\u00f3ximos \u00e0 superf\u00edcie, por\u00e9m, os modelos falham;<\/li>\n<li>Ao detalhar os tipos de zonas \u00famidas, os pesquisadores encontraram emiss\u00f5es 26% mais altas em deltas de rios, 19% mais altas em reservat\u00f3rios e 13% mais altas em \u00e1reas de rios regularmente inundadas, em compara\u00e7\u00e3o com as estimativas anteriores.<\/li>\n<\/ul>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-os-dados-foram-coletados-na-amazonia-e-analisados\">Como os dados foram coletados na Amaz\u00f4nia e analisados<\/h2>\n<p>As medi\u00e7\u00f5es foram feitas com sensores a bordo da aeronave de pesquisa HALO, que voou a altitudes entre 200 metros acima das copas das \u00e1rvores e mais de 14 quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>Em mais de sete mil pontos de medi\u00e7\u00e3o, a equipe utilizou um espectr\u00f4metro de absor\u00e7\u00e3o desenvolvido especificamente para o HALO, capaz de detectar metano com precis\u00e3o mesmo a baixas press\u00f5es de ar, como as encontradas em grandes altitudes.<\/p>\n<p>Para a an\u00e1lise, os pesquisadores dividiram toda a regi\u00e3o amaz\u00f4nica em c\u00e9lulas de grade de 0,1 grau \u00d7 0,1 grau \u2014 resolu\u00e7\u00e3o considerada alta para mapas de emiss\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2025\/10\/15\/ciencia-e-espaco\/vazamentos-de-metano-surgem-em-ritmo-impressionante-no-fundo-do-mar-da-antartida\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Vazamentos de metano surgem em ritmo \u201cimpressionante\u201d no fundo do mar da Ant\u00e1rtida<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/06\/05\/ciencia-e-espaco\/meio-ambiente-reduzir-emissoes-de-metano-pode-ter-efeito-indesejado-na-camada-de-ozonio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Meio ambiente: reduzir emiss\u00f5es de metano pode ter efeito indesejado na camada de oz\u00f4nio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2022\/12\/27\/dicas-e-tutoriais\/metano-10-curiosidades-sobre-esse-gas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Metano: 10 curiosidades sobre esse g\u00e1s<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Em algumas \u00e1reas de zonas \u00famidas, as emiss\u00f5es chegam a quatro vezes o valor calculado pelos modelos \u2013 Imagem: Vaclav Volrab\/Shutterstock<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Para associar o metano medido no ar \u00e0s suas fontes no solo, a equipe usou um modelo de transporte atmosf\u00e9rico para rastrear as massas de ar retroativamente at\u00e9 a c\u00e9lula de grade correspondente. Em seguida, utilizaram um modelo de conjunto da NASA para estimar as zonas \u00famidas e um m\u00e9todo num\u00e9rico complexo para calcular as quantidades reais de metano liberadas.<\/p>\n<p>Esse modelo de conjunto da NASA estima indiretamente as emiss\u00f5es de metano com base em medi\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lite de caracter\u00edsticas da superf\u00edcie terrestre, como umidade, vegeta\u00e7\u00e3o e temperatura.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-lacunas-nos-dados-e-nos-modelos\">Lacunas nos dados e nos modelos<\/h2>\n<p>Uma das raz\u00f5es para a escassez de dados na regi\u00e3o \u00e9 a cobertura de nuvens persistente, que interfere nas observa\u00e7\u00f5es por sat\u00e9lite, somada \u00e0 baixa densidade de medi\u00e7\u00f5es terrestres nos tr\u00f3picos.<\/p>\n<p>\u201cNossos resultados mostram que ainda h\u00e1 muitas fontes subestimadas de metano em zonas \u00famidas tropicais, como a floresta amaz\u00f4nica\u201d, afirma Ort ao <em><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2026-07-altitude-flights-reveal-amazon-methane.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Phys.org<\/a><\/em>, acrescentando que mais dados de medi\u00e7\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios para identificar melhor essas fontes \u2014 algumas das quais variam fortemente \u2014 e para aprimorar os modelos clim\u00e1ticos e de sistemas terrestres.<\/p>\n<p>Eric Kort, diretor do Departamento de Qu\u00edmica Atmosf\u00e9rica do Instituto Max Planck de Qu\u00edmica e coautor do estudo, refor\u00e7a a avalia\u00e7\u00e3o. \u201cPara avaliar de forma confi\u00e1vel o balan\u00e7o global de metano, precisamos de muito mais medi\u00e7\u00f5es \u2014 n\u00e3o apenas na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, mas tamb\u00e9m em outras regi\u00f5es tropicais com poucos dados, como a \u00c1frica Central e o Sudeste Asi\u00e1tico\u201d, afirmou.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-contexto-fontes-naturais-e-antropogenicas-de-metano\">Contexto: fontes naturais e antropog\u00eanicas de metano<\/h2>\n<p>O metano \u00e9 um g\u00e1s de efeito estufa cuja concentra\u00e7\u00e3o na atmosfera aumentou expressivamente nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Cerca de 65% das emiss\u00f5es globais t\u00eam origem antropog\u00eanica \u2014 agricultura, produ\u00e7\u00e3o e uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis e gest\u00e3o de res\u00edduos. Os 35% restantes prov\u00eam de processos naturais.<\/p>\n<p>O g\u00e1s \u00e9 produzido em grandes quantidades quando material org\u00e2nico, como plantas e folhas mortas, \u00e9 decomposto sob a \u00e1gua por microrganismos.<\/p>\n<p>As zonas \u00famidas s\u00e3o a maior fonte natural de metano para a atmosfera. Represas tamb\u00e9m s\u00e3o consideradas fontes naturais do g\u00e1s: quando grandes \u00e1reas de floresta s\u00e3o inundadas para gera\u00e7\u00e3o de energia hidrel\u00e9trica, o processo de decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica submersa libera metano.<\/p>\n<p>Apesar disso, grandes incertezas persistem sobre o volume total de metano proveniente de zonas \u00famidas e sobre como essas emiss\u00f5es podem aumentar em resposta \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/07\/14\/ciencia-e-espaco\/amazonia-cientistas-descobrem-emissoes-de-metano-muito-acima-do-previsto\/\">Amaz\u00f4nia: cientistas descobrem emiss\u00f5es de metano muito acima do previsto<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores do Instituto Max Planck de Qu\u00edmica mediram concentra\u00e7\u00f5es de metano na Amaz\u00f4nia significativamente acima do que os modelos clim\u00e1ticos e de sistemas terrestres estimavam. 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