{"id":11909,"date":"2026-07-14T06:01:47","date_gmt":"2026-07-14T09:01:47","guid":{"rendered":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=11909"},"modified":"2026-07-14T06:01:47","modified_gmt":"2026-07-14T09:01:47","slug":"o-brasil-inteiro-entrou-no-radar-dos-desastres-climaticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/?p=11909","title":{"rendered":"O Brasil inteiro entrou no radar dos desastres clim\u00e1ticos"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Entre 1991 e 2024, eventos extremos associados ao excesso ou \u00e0 falta de chuva atingiram 91,5% dos munic\u00edpios brasileiros, <a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.1088\/1748-9326\/ae5991\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">segundo levantamento cient\u00edfico que reuniu dados de quase 60 mil ocorr\u00eancias<\/a>. A pesquisa identificou impactos humanos, econ\u00f4micos e sociais provocados por inunda\u00e7\u00f5es, secas, tempestades e deslizamentos.<\/p>\n<p>O estudo foi desenvolvido por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os resultados apontam 4.774 mortes, mais de 3 mil desaparecimentos e preju\u00edzos superiores a US$ 123 bilh\u00f5es no per\u00edodo analisado.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o, publicada na revista cient\u00edfica Environmental Research Letters, indica que os desastres <a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/nove-em-cada-dez-cidades-brasileiras-ja-enfrentaram-desastres-climaticos-nas-ultimas-tres-decadas\/58646\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">n\u00e3o est\u00e3o ligados apenas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es naturais<\/a>, mas tamb\u00e9m a fatores humanos, como dificuldades de gest\u00e3o p\u00fablica, falta de estrutura e limita\u00e7\u00f5es nos sistemas de preven\u00e7\u00e3o e registro.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-mapa-dos-desastres-revela-desigualdade-regional-e-falhas-na-prevencao\">Mapa dos desastres revela desigualdade regional e falhas na preven\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem: hyotographics\/Shutterstock<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O levantamento analisou 59.658 registros de desastres relacionados a quatro categorias principais: inunda\u00e7\u00f5es, alagamentos e enxurradas; deslizamentos de terra; tempestades; e secas. Do total de 5.570 munic\u00edpios brasileiros, apenas uma parcela reduzida n\u00e3o apresentou nenhum desses eventos no intervalo estudado.<\/p>\n<p>A maior quantidade de cidades afetadas ficou no Nordeste, com 1.765 munic\u00edpios atingidos. O Sudeste apareceu na sequ\u00eancia, com 1.405 localidades, seguido pelo Sul, com 1.152, pelo Norte, com 433, e pelo Centro-Oeste, com 342.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m identificou que 1.814 munic\u00edpios enfrentaram tr\u00eas tipos diferentes de desastres e 270 tiveram registros dos quatro eventos avaliados. O resultado mostra que muitos territ\u00f3rios brasileiros convivem com m\u00faltiplas amea\u00e7as clim\u00e1ticas ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Os impactos variaram conforme a regi\u00e3o. O Sudeste concentrou o maior n\u00famero de mortes associadas a enchentes, alagamentos, enxurradas e deslizamentos. O Sul apresentou maior quantidade de \u00f3bitos ligados a tempestades, enquanto o Nordeste teve os maiores efeitos humanos relacionados \u00e0s secas.<\/p>\n<p>Quando considerados os preju\u00edzos financeiros, as inunda\u00e7\u00f5es, alagamentos e enxurradas provocaram os maiores danos no Sul. Os deslizamentos e as secas pesaram mais sobre o Nordeste, enquanto as tempestades tiveram maior impacto econ\u00f4mico no Sudeste.<\/p>\n<p>Dentre os epis\u00f3dios analisados est\u00e3o a trag\u00e9dia registrada em S\u00e3o Sebasti\u00e3o, no litoral norte paulista, durante o Carnaval de 2023, quando chuvas intensas deixaram a cidade parcialmente isolada e causaram ao menos 60 mortes. Tamb\u00e9m aparece no levantamento o desastre ocorrido no Rio Grande do Sul em maio de 2024, que atingiu 2,3 milh\u00f5es de pessoas em 471 munic\u00edpios e provocou mais de 180 mortes.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Enchente-em-cidade-1024x576-1.jpg\" alt=\"Vista a\u00e9rea de cidade alagada\" class=\"wp-image-1334430\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Enchente-em-cidade-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Enchente-em-cidade-300x169.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Enchente-em-cidade-768x432.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Enchente-em-cidade-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Enchente-em-cidade-2048x1152.jpg 2048w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Enchente-em-cidade-1920x1080.jpg 1920w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Enchente-em-cidade-1280x720.jpg 1280w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Enchente-em-cidade-150x84.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cidade alagada \u2013 Imagem: Gustavo Mansur\/Pal\u00e1cio Piratini<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O estudo aponta que a dimens\u00e3o dos impactos pode ser ainda maior, <strong>pois os dados utilizados dependem das notifica\u00e7\u00f5es feitas pelos pr\u00f3prios munic\u00edpios<\/strong>. As informa\u00e7\u00f5es vieram do Sistema Integrado de Informa\u00e7\u00f5es sobre Desastres (S2iD) e do Atlas Digital de Desastres no Brasil, plataformas mantidas pela Secretaria Nacional de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil.<\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, a forma de registro pode deixar de fora parte das consequ\u00eancias dos eventos extremos. Munic\u00edpios com pouca capacidade administrativa podem n\u00e3o conseguir comunicar todos os danos humanos e materiais ocorridos ap\u00f3s um desastre.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise tamb\u00e9m identificou limita\u00e7\u00f5es relacionadas ao acompanhamento hist\u00f3rico. O S2iD possui dados dispon\u00edveis a partir de 2013 e ampliou sua cobertura ao longo dos anos, fazendo com que o crescimento dos registros n\u00e3o represente necessariamente apenas um aumento dos eventos clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>A falta de uma abordagem integrada tamb\u00e9m foi apontada como um problema. Quando diferentes amea\u00e7as acontecem simultaneamente, como uma inunda\u00e7\u00e3o que provoca um deslizamento, os sistemas podem registrar apenas uma das ocorr\u00eancias, reduzindo a percep\u00e7\u00e3o sobre a complexidade dos desastres.<\/p>\n<p>Para o pesquisador Elton Vicente Escobar Silva, do Cemaden e primeiro autor do estudo, os eventos extremos n\u00e3o devem ser tratados como fen\u00f4menos inevit\u00e1veis ou fora do alcance humano.<\/p>\n<p>\u201c<em>Quisemos sair da m\u00edstica de que o desastre \u00e9 algo sobrenatural, que as causas v\u00eam de for\u00e7as desproporcionais. H\u00e1 exce\u00e7\u00f5es que os modelos clim\u00e1ticos n\u00e3o conseguem prever, mas, para a maioria dos eventos, \u00f3rg\u00e3os nacionais como o Cemaden emitem alertas e o poder p\u00fablico \u00e9 informado do que pode vir a acontecer. O problema \u00e9 a neglig\u00eancia, a falta de estrutura e at\u00e9 aus\u00eancia de atua\u00e7\u00e3o<\/em>\u201c, explicou o pesquisador em entrevista \u00e0 <a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/nove-em-cada-dez-cidades-brasileiras-ja-enfrentaram-desastres-climaticos-nas-ultimas-tres-decadas\/58646\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ag\u00eancia FAPESP<\/a>.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ilheusnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/tempestade-brasil-1024x576-1.jpg\" alt=\"tempestade brasil\" class=\"wp-image-1199757\" srcset=\"https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/tempestade-brasil-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/tempestade-brasil-300x169.jpg 300w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/tempestade-brasil-768x432.jpg 768w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/tempestade-brasil-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/tempestade-brasil-2048x1152.jpg 2048w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/tempestade-brasil-1920x1080.jpg 1920w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/tempestade-brasil-1280x720.jpg 1280w, https:\/\/img.odcdn.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/tempestade-brasil-150x84.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">(Imagem: Ranimiro Lotufo Neto\/iStock)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Segundo Silva, a classifica\u00e7\u00e3o mais adequada para esses epis\u00f3dios seria como desastres \u201csocionaturais\u201d ou socioambientais, pois as consequ\u00eancias dependem tanto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas quanto das condi\u00e7\u00f5es de ocupa\u00e7\u00e3o, planejamento e resposta das \u00e1reas atingidas.<\/p>\n<p>O pesquisador ressaltou que o Brasil avan\u00e7ou na produ\u00e7\u00e3o de dados sobre desastres, mas ainda enfrenta obst\u00e1culos para consolidar informa\u00e7\u00f5es completas e fortalecer as institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis pelo acompanhamento dos riscos.<\/p>\n<p>A Secretaria Nacional de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil informou que trabalha em novas vers\u00f5es do S2iD e do Atlas Digital de Desastres. As atualiza\u00e7\u00f5es previstas devem permitir registros com abordagem multirrisco, al\u00e9m de ampliar detalhes sobre danos humanos e fortalecer a capacita\u00e7\u00e3o de gestores locais.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo Victor Marchezini, pesquisador do Cemaden e coautor do artigo, defende que as pol\u00edticas p\u00fablicas precisam priorizar a redu\u00e7\u00e3o dos impactos antes que os desastres aconte\u00e7am, em vez de concentrar esfor\u00e7os apenas na recupera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas atingidas.<\/p>\n<p>\u201c<em>Esse estudo faz uma an\u00e1lise longitudinal dos impactos dos desastres no Brasil, sendo importante para demonstrar que eles s\u00e3o derivados de uma crise cr\u00f4nica, n\u00e3o algo pontual. Precisamos parar de naturalizar os preju\u00edzos econ\u00f4micos. At\u00e9 quando vamos investir dinheiro somente em resposta aos desastres e reconstru\u00e7\u00e3o, sem pensar nos mecanismos para reduzir as perdas?<\/em>\u201d, formulou em entrevista concedida \u00e0 <a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/nove-em-cada-dez-cidades-brasileiras-ja-enfrentaram-desastres-climaticos-nas-ultimas-tres-decadas\/58646\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ag\u00eancia FAPESP<\/a>.<\/p>\n<p>A pesquisa recebeu apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (FAPESP) por meio de bolsas e projetos cient\u00edficos. Os autores afirmam que o objetivo \u00e9 transformar os resultados obtidos em ferramentas para orientar a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de preven\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o de riscos.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/2026\/07\/14\/ciencia-e-espaco\/o-brasil-inteiro-entrou-no-radar-dos-desastres-climaticos\/\">O Brasil inteiro entrou no radar dos desastres clim\u00e1ticos<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/\">Olhar Digital<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre 1991 e 2024, eventos extremos associados ao excesso ou \u00e0 falta de chuva atingiram 91,5% dos munic\u00edpios brasileiros, segundo levantamento cient\u00edfico que reuniu dados de quase 60 mil ocorr\u00eancias. A pesquisa identificou impactos humanos, econ\u00f4micos e sociais provocados por inunda\u00e7\u00f5es, secas, tempestades e deslizamentos. O estudo foi desenvolvido por pesquisadores do Centro Nacional de<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":11910,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"https:\/\/olhardigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/shutterstock_2327723531-1-1024x640.jpg","fifu_image_alt":"O Brasil inteiro entrou no radar dos desastres clim\u00e1ticos","footnotes":""},"categories":[33],"tags":[],"class_list":["post-11909","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11909","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11909"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11909\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11910"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11909"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11909"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ilheusnews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11909"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}