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Brasileiro registra asteroide atingindo Júpiter em um dos raros impactos no gigante gasoso vistos da Terra 

Brasileiro registra asteroide atingindo Júpiter em um dos raros impactos no gigante gasoso vistos da Terra 

Asteroides são restos da formação do Sistema Solar, que aconteceu há cerca de 4,6 bilhões de anos. Muitos deles permanecem orbitando o Sol, principalmente no chamado Cinturão de Asteroides, entre Marte e Júpiter. Essas órbitas, porém, não são totalmente estáveis e podem sofrer alterações causadas pela gravidade dos planetas, sobretudo pela forte influência do gigante gasoso. 

Devido à massa colossal, Júpiter exerce uma força gravitacional intensa sobre os objetos ao seu redor, funcionando como um grande escudo espacial. Esse cenário faz com que o planeta seja atingido com frequência por rochas espaciais, embora a grande maioria desses eventos passe totalmente despercebida pelos telescópios.

Em certas ocasiões, rochas maiores entram na atmosfera de Júpiter, provocando um breve feixe de luz. O brilho dura apenas alguns segundos, mas possui energia suficiente para ser registrado por equipamentos na Terra, superando a distância de centenas de milhões de quilômetros. 

Um desses eventos aconteceu em 13 de setembro de 2021 e acabou sendo registrado por um astrônomo amador brasileiro que estava monitorando Júpiter quando percebeu o rápido flash produzido pelo impacto. O registro ajudou a documentar mais um desses episódios raros de serem observados diretamente.

Registro feito por brasileiro mostra algo atingindo Júpiter em 13 de setembro de 2021. – Crédito: José Luis Pereira

Quem é o brasileiro que flagrou o impacto em Júpiter 

O responsável pela façanha é José Luis Pereira, engenheiro civil aposentado, morador de São Caetano do Sul (SP). Em entrevista ao programa Olhar Espacial (que você assiste na íntegra aqui), ele relembrou a experiência. “É muito bacana você contribuir com a área da astronomia, planetária principalmente, coletando dados que podem ser usados por profissionais”.

O fascínio do observador pela astronomia começou na infância, e a decisão de focar nos planetas veio por conta do ambiente urbano, já que o excesso de iluminação atrapalha a visão de corpos celestes mais fracos. “Como eu moro em uma grande cidade, a poluição luminosa é muito grande, era muito difícil você localizar nebulosas, galáxias. Então, a área planetária foi a que ganhou meu foco”.

Buscando aprofundar suas análises, Pereira relatou que passou a utilizar um software criado pelo francês Marc Delcroix, desenvolvido para buscar impactos em Júpiter. O programa analisa automaticamente horas de gravações contínuas enviadas por voluntários do mundo todo, identificando qualquer variação suspeita no brilho do planeta. 

A captura histórica ocorreu durante uma noite de tempo ruim. O astrônomo amador lutava contra a alta nebulosidade no céu quando percebeu o ponto brilhante. “No primeiro vídeo que eu estava ajustando o foco do telescópio, eu vi um pontinho branco no planeta, mas eu achei que era alguma questão dos ajustes”, recorda.

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O astrônomo amador José Luis Pereira foi o convidado de sexta-feira (18) do Programa Olhar Espacial. – Crédito:Arquivo Pessoal

A confirmação veio na manhã seguinte, quando o software analisou os arquivos da noite e apontou alta probabilidade de colisão. “Usei um programa para dividir o vídeo em imagens. Aí eu vi a sequência direitinha do começo do flash, o máximo dele, até ele diminuir e sumir. Falei, bom, de fato é um impacto”.

Empolgado com a descoberta, ele contatou o criador do software de detecção para validar o arquivo. A análise revelou a magnitude do evento. O objeto tinha entre 5 e 20 metros de diâmetro e viajava a 60 quilômetros por segundo, criando uma explosão com cerca de 5 mil quilômetros de extensão.

“Esse flash foi estimado em 5 mil km de diâmetro. Então, a luz gerada foi possível ser percebida aqui na Terra”, explica Pereira. 

Infográfico reúne dados que ajudam a entender por que Júpiter atrai asteroides e como impactos podem ser observados da Terra.
Infográfico reúne dados que ajudam a entender por que Júpiter atrai asteroides e como impactos podem ser observados da Terra. – Crédito: Imagem gerada por IA

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Desafios técnicos e o papel da astronomia amadora

O registro desse tipo de evento exige extrema dedicação e milhares de horas de gravações contínuas diante das câmeras. “Até aquele impacto, eu tinha acumulado 6,5 dias terrestres de observação contínua”, afirma o astrônomo, reforçando que o engajamento comunitário permite reunir volumes expressivos de dados que os pesquisadores profissionais não conseguem obter sozinhos.

Obter imagens nítidas exige vencer as turbulências da atmosfera terrestre, que distorcem a luz e fazem o planeta tremular. “A gente tem a sensação de que está olhando através da água, dentro de uma piscina”, compara Pereira. Para contornar essa instabilidade e alcançar ampliações de mais de mil vezes, o engenheiro investiu na melhoria mecânica de seu telescópio e construiu um pequeno observatório próprio para proteger o equipamento do vento.

Segundo Pereira, montar um equipamento desse nível é um processo gradual, feito aos poucos com a troca de câmeras, espelhos e suportes computadorizados. Com a estrutura pronta, ele expandiu seus horizontes nos últimos anos: adquiriu um telescópio solar específico e hoje também dedica seu tempo a registrar as explosões e filamentos do Sol. 

O achado de Pereira demonstra o valor da colaboração amadora no mapeamento de corpos menores do Sistema Solar. Registros contínuos ajudam os cientistas no cálculo da frequência desses episódios, expandindo o entendimento sobre os riscos de impacto que ameaçam outros mundos e o nosso próprio planeta.

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